A Polícia Federal (PF) realizou, nesta terça-feira (20), a terceira fase da Operação Sem Desconto, voltada para desarticular um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“Careca do INSS”: carros de luxo apreendidos somam cerca de R$ 4 milhões em bens
Polícia Federal apreende carros de luxo avaliados em R$ 4 milhões com “careca do INSS”, suspeito de fraude contra aposentados e pensionistas.
No centro da operação está Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como articulador e beneficiário direto dos desvios.
Durante a nova etapa da operação, a PF apreendeu 12 veículos de luxo registrados em nome de Antunes ou de suas empresas. Os automóveis estão avaliados, segundo a tabela Fipe, em cerca de R$ 4 milhões, incluindo modelos de marcas como Porsche, BMW, Audi, Jaguar e Hyundai.
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Quem é o “careca do INSS”?

Perfil e atividades
Antonio Carlos Camilo Antunes se apresentava como gerente administrativo, com uma renda mensal declarada de R$ 24.458,23.
Apesar disso, acumulou patrimônio incompatível com seus rendimentos, segundo aponta a investigação. Entre abril e julho de 2024, o “careca do INSS” teria movimentado mais de R$ 14,3 milhões em ativos imobilizados, incluindo imóveis, veículos e contas bancárias.
A PF identificou 22 empresas nas quais Antunes figura como sócio, usadas para movimentar os valores desviados de contracheques de beneficiários do INSS.
O esquema teria contado com o envolvimento de entidades associativas, que intermediavam descontos não autorizados diretamente nos benefícios previdenciários.
Ligação com esquema de fraude bilionária
Segundo o relatório da Polícia Federal, as empresas e pessoas físicas ligadas ao “careca do INSS” receberam ao menos R$ 53,5 milhões entre 2022 e 2024, oriundos de convênios fraudulentos firmados com entidades representativas de aposentados.
Detalhes dos carros de luxo apreendidos
Os veículos de alto padrão estavam em nome de Antonio Carlos ou de suas empresas. A PF divulgou imagens dos carros, que estavam registrados ou em circulação em diferentes estados. Confira a lista detalhada, com valores atualizados pela tabela Fipe:
Porsche e BMW dominam a frota de luxo
- Porsche 911 (2024): R$ 1.278.481
- Porsche Taycan (2020/2021): R$ 738.155
- Porsche Taycan (2022): R$ 535.000
- Porsche Boxster (2018): R$ 525.000
- BMW 330E (2022/2023): R$ 324.242
- BMW M135i (2019/2020): R$ 253.000
- BMW Z4 (2010/2011): R$ 173.150
Outras marcas de luxo
- Jaguar (2023/2024): R$ 451.000
- Audi A3 (2022/2023): R$ 231.000
- Volkswagen Golf (2019): R$ 217.000
- Porsche Macan (2022): R$ 518.000
- Hyundai Azera 3.0 V6 (2014/2015): R$ 84.000
Total estimado em veículos
A soma do valor de mercado dos carros ultrapassa R$ 4 milhões, segundo a avaliação preliminar da PF. A ostentação contrasta com os dados oficiais de renda apresentados pelo investigado à Receita Federal e aos órgãos de controle.
Esquema de fraude no INSS: como funcionava?
O golpe
A fraude envolvia descontos não autorizados nos contracheques de aposentados e pensionistas, muitos deles sem conhecimento ou consentimento.
O valor dos descontos era desviado para contas de entidades conveniadas, que então repassavam os montantes a empresas de fachada controladas por Antunes e seus comparsas.
Uso de convênios fraudulentos
A PF identificou que diversas entidades associativas firmavam convênios com o INSS, usando essa brecha para aplicar cobranças mensais indevidas sob a justificativa de “taxas de representação”, “clubes de benefícios” ou “contribuições associativas”.
Muitas vítimas sequer sabiam que estavam “filiadas” a essas entidades.
Lavagem de dinheiro
O dinheiro desviado era lavado por meio de transações empresariais simuladas, compra de imóveis e veículos de luxo, além da manutenção de contas em nome de terceiros e empresas fantasmas. O objetivo era dificultar o rastreamento dos recursos pelas autoridades.
Repercussões políticas e investigações paralelas
A Operação Sem Desconto já provocou repercussões no Congresso Nacional, com parlamentares da oposição cobrando explicações da direção da PF. Uma das frentes críticas acusa o órgão de ter “blindado” alvos próximos ao governo, inclusive parentes de figuras políticas conhecidas.
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Além disso, a Câmara dos Deputados aprovou em regime de urgência um projeto de lei que proíbe automaticamente descontos não autorizados em contracheques do INSS, medida que visa fechar brechas exploradas por esquemas semelhantes.
O que diz a defesa?
A defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes foi procurada pela reportagem, mas até a última atualização deste artigo não havia se manifestado. Em declarações anteriores, na primeira fase da operação, o investigado negou qualquer irregularidade e afirmou que suas empresas operam dentro da legalidade.
Etapas da Operação Sem Desconto
Primeira fase
Deflagrada em 2023, a primeira fase mirou as entidades de fachada e os primeiros núcleos empresariais ligados ao esquema de fraudes nos contracheques do INSS.
Segunda fase
Em 2024, a PF aprofundou as investigações sobre o fluxo financeiro e descobriu vínculos com cartórios, contadores e sistemas de folha de pagamento usados para acobertar os desvios.
Terceira fase (2025)
Agora, a operação atinge seu ápice ao identificar e bloquear bens de alto valor, como os carros de luxo, imóveis e contas bancárias de suspeitos. A PF também trabalha em cooperação com órgãos internacionais para rastrear possíveis ativos no exterior.
Combate às fraudes previdenciárias deve se intensificar

Com o avanço da operação, o governo federal sinalizou apoio a propostas que aumentam a fiscalização de convênios com o INSS e limitam a atuação de entidades intermediárias. A expectativa é que medidas de transparência e controle digital sejam reforçadas nos próximos meses.
O Ministério da Previdência também anunciou que pretende revisar todos os convênios vigentes com entidades associativas até o fim de 2025, com foco na validação da autorização expressa dos beneficiários.
Conclusão: fraude milionária e ostentação desmedida
A imagem de carros de luxo apreendidos com o “careca do INSS” simboliza não apenas a ostentação desmedida de um esquema criminoso, mas também os danos profundos causados a milhares de aposentados e pensionistas brasileiros, vítimas silenciosas de um golpe sofisticado e perverso.
A Operação Sem Desconto é um exemplo contundente de como o uso indevido de estruturas públicas pode favorecer redes de corrupção privada, e de como a fiscalização contínua e o jornalismo investigativo são fundamentais para revelar essas práticas e proteger os mais vulneráveis.
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