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Cartões com aproximação: entenda o risco invisível nas suas compras

Evite fraudes com cartões por aproximação! Veja como proteger suas compras e evitar prejuízos agora mesmo.

Avatar de Ellen D'Alessandro Ellen D'Alessandro · · 6 min de leitura
Mão de uma pessoa aproximando cartão de crédito em uma maquininha

A tecnologia de pagamento por aproximação — também conhecida como contactless — conquistou milhões de consumidores brasileiros nos últimos anos.

Prática, rápida e sem necessidade de senha para valores até R$ 200, essa modalidade de pagamento já representa mais de 40% das transações presenciais com cartões no Brasil, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

No entanto, a mesma praticidade que seduz o consumidor tem sido explorada por criminosos. Falhas em sistemas de segurança, desatenção dos usuários e técnicas de engenharia social estão abrindo caminho para uma nova onda de fraudes financeiras praticamente invisíveis.

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Como funcionam os golpes com pagamento por aproximação?

Cliente realizando pagamento por cartão aproximação
Imagem: ViDI Studio / Shutterstock.com

Fraudes diretas com aproximação

O golpe mais simples ocorre quando criminosos utilizam maquininhas escondidas em mochilas, bolsas ou até casacos com leitores habilitados.

Ao se aproximarem de vítimas em locais movimentados — como metrôs, feiras e ônibus — conseguem realizar pequenas cobranças sem que o dono do cartão perceba imediatamente.

Essas transações de valores baixos, muitas vezes inferiores a R$ 50, não requerem senha e acabam passando despercebidas até a checagem do extrato.

Engenharia social contra lojistas

Uma modalidade mais sofisticada envolve a manipulação direta de lojistas. Os criminosos se apresentam como técnicos de empresas de maquininhas, portando crachás falsos e uniformes convincentes. Durante a “visita técnica”, instalam softwares maliciosos ou substituem componentes do sistema de pagamento.

Esse malware permite o controle remoto do terminal e a coleta de dados sensíveis, como número do cartão e informações de autenticação. O lojista, muitas vezes, sequer percebe que está colaborando com uma rede criminosa.

Riscos invisíveis para o consumidor

Vazamento silencioso de dados

Mesmo sem perder o cartão fisicamente, o cliente pode ter seus dados capturados por criminosos. As informações obtidas são, muitas vezes, revendidas na deep web ou utilizadas para clonagem de cartões e compras online.

Dificuldade de contestação

Como as cobranças são realizadas com o próprio cartão, sem senha e em valores baixos, o consumidor pode enfrentar dificuldade ao contestar as transações com bancos e operadoras.

Exposição em locais públicos

Ambientes de grande circulação facilitam os golpes com aproximação. Uma simples caminhada em um shopping ou fila de evento pode ser suficiente para que o cartão seja ativado por um golpista sem qualquer contato físico.

Como os consumidores podem se proteger?

Desative a função de aproximação

A primeira medida é desativar a função contactless em seu cartão, caso seu banco permita. Isso pode ser feito pelo aplicativo da instituição ou solicitando um novo cartão sem a funcionalidade.

Use carteiras com proteção RFID

Para quem prefere manter a função ativada, uma boa alternativa são as carteiras com proteção RFID. Elas bloqueiam a comunicação entre o cartão e maquininhas não autorizadas, impedindo cobranças acidentais ou mal-intencionadas.

Verifique extratos regularmente

Manter o hábito de verificar as movimentações bancárias, diariamente se possível, é essencial. Qualquer valor estranho, por menor que seja, deve ser comunicado imediatamente ao banco.

Evite guardar o cartão em locais acessíveis

Bolsos traseiros, mochilas abertas ou carteiras visíveis facilitam a aproximação de dispositivos de leitura. O ideal é manter o cartão em local protegido e de difícil acesso.

Medidas de segurança para lojistas

Validação de técnicos e visitas

Empresas devem criar protocolos internos para autorizar qualquer alteração nos sistemas de pagamento. Nenhuma mudança deve ser feita sem confirmação direta com a operadora da maquininha.

Softwares confiáveis e antivírus

É fundamental manter o terminal de pagamento com software atualizado, antivírus ativo e firewalls habilitados. O uso de equipamentos certificados por bandeiras e instituições bancárias também reduz os riscos.

Treinamento das equipes

Os funcionários devem ser treinados para reconhecer tentativas de engenharia social. Simulações, materiais educativos e compartilhamento de experiências reais ajudam a criar uma cultura de vigilância constante.

Importância da conscientização coletiva

Combate coletivo às fraudes

O crescimento dos golpes com cartões por aproximação revela uma lacuna não apenas técnica, mas também educativa. Clientes, lojistas e instituições precisam atuar em conjunto para impedir que esse tipo de fraude se espalhe.

Segundo a Febraban, mais de 1 bilhão de transações por aproximação foram realizadas em 2024 no Brasil. Isso mostra que o método veio para ficar — e a segurança precisa evoluir no mesmo ritmo.

Estímulo à cultura de segurança

Empresas que investem em capacitação contínua, promovem alertas e integram seus colaboradores às discussões sobre segurança digital têm maiores chances de identificar fraudes em estágio inicial.

Ações recomendadas:

  • Treinamentos regulares com foco em segurança da informação;
  • Compartilhamento de incidentes reais e aprendizados;
  • Criação de canais internos para denúncias anônimas.

Alternativas mais seguras de pagamento

PIX

O pagamento instantâneo pelo PIX tem se mostrado uma alternativa segura quando feito entre pessoas ou por QR Code de estabelecimentos confiáveis. Apesar de também suscetível a golpes, o PIX exige autenticação e é mais fácil de rastrear.

Dinheiro em espécie

Em locais com pouco movimento ou que não transmitem confiança, pagar em dinheiro continua sendo uma opção viável. Embora menos prática, essa alternativa evita qualquer exposição digital.

Cartões virtuais temporários

Para compras online ou em maquininhas duvidosas, o uso de cartões virtuais de uso único pode reduzir consideravelmente os riscos de clonagem. Muitos bancos digitais oferecem essa opção gratuitamente.

O que fazer em caso de golpe?

Imagem de uma pessoa fazendo um pagamento por aproximação
Imagem: LightField Studios / Shutterstock.com

Se você identificar uma transação não autorizada, tome as seguintes medidas:

  1. Comunique imediatamente o banco ou a operadora;
  2. Solicite o bloqueio do cartão e a emissão de um novo;
  3. Registre um boletim de ocorrência;
  4. Documente todas as provas disponíveis (prints, valores, horários, etc.);
  5. Acompanhe o andamento do processo de contestação.

O tempo de resposta pode variar conforme a instituição financeira, mas o Código de Defesa do Consumidor garante o direito à contestação em casos de uso indevido do cartão.

Conclusão

O pagamento por aproximação revolucionou a experiência de compra, mas sua popularização atraiu o interesse de fraudadores que se aproveitam da confiança e da comodidade do sistema.

Compreender os riscos, adotar medidas preventivas e estar sempre atento ao próprio comportamento e ao ambiente são atitudes fundamentais para se proteger.

Tanto consumidores quanto lojistas devem atuar como agentes de uma cultura de segurança, onde a atenção é a principal arma contra o golpe silencioso.

Imagem: YAKOBCHUK VIACHESLAV / shutterstock.com

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