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IBGE mostra brasileiro mais longe da casa própria com aluguel caro e juros altos

IBGE mostra queda da casa própria e alta do aluguel. Entenda como juros e mercado imobiliário impactam os brasileiros.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
IBGE

Os dados mais recentes da PNAD Contínua, divulgada pelo IBGE, revelam uma mudança estrutural no perfil de moradia dos brasileiros. Entre 2016 e 2025, a proporção de domicílios próprios quitados caiu de 66,8% para 60,2%, enquanto os imóveis alugados avançaram de 18,4% para 23,8%.

Na prática, isso significa que o país chegou a 18,9 milhões de lares vivendo de aluguel, um crescimento de 54,1% em menos de uma década. Ao mesmo tempo, o número total de domicílios ultrapassou 79 milhões em 2025, evidenciando que o crescimento habitacional veio acompanhado de maior dependência do aluguel.

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O avanço do aluguel que muda a realidade das famílias

O aumento dos aluguéis reflete uma mudança econômica e social profunda. Para milhões de brasileiros, a casa própria deixou de ser uma conquista viável no curto prazo.

Crescimento expressivo nas capitais

O fenômeno é ainda mais visível nas grandes cidades:

  • Palmas: 47,3% dos imóveis são alugados
  • Florianópolis: 36%
  • Goiânia: 35,3%
  • Brasília: 34,5%

Em metrópoles tradicionais:

  • São Paulo: de 26,4% para 29,9%
  • Rio de Janeiro: de 20,3% para 28,2%
  • Belo Horizonte: de 19,5% para 29,6%

Esse avanço mostra que cada vez mais famílias destinam parte relevante da renda ao aluguel, sem acumular patrimônio.

Exemplo prático

Uma família que paga R$ 1.500 mensais de aluguel compromete R$ 18 mil por ano — valor que não retorna como investimento, apenas como custo de moradia.

Selic alta encarece crédito e dificulta compra de imóveis

Um dos principais fatores por trás dessa mudança é o nível elevado da taxa básica de juros, a Selic, que chegou a cerca de 15% ao ano em 2025.

Impacto direto no financiamento imobiliário

  • Parcelas mais altas
  • Maior exigência de renda
  • Menor acesso ao crédito

O financiamento, principal porta de entrada para a casa própria no Brasil, torna-se inviável para muitas famílias.

Efeito em cadeia

  • Famílias desistem de comprar
  • Aumenta a procura por aluguel
  • Preços de locação sobem
  • Mais pessoas ficam presas ao aluguel

Segundo analistas da PNAD, mesmo com aumento de renda ao longo dos anos, ele não acompanha o ritmo dos custos imobiliários.

Cresce o número de imóveis financiados

Outro dado relevante é o aumento dos imóveis ainda em pagamento, que cresceram 15,9% entre 2024 e 2025.

Isso mostra que:

  • Mais famílias dependem de financiamento
  • O prazo de endividamento é longo (20 a 30 anos)
  • A renda fica comprometida por décadas

Para quem já financiou, juros altos podem significar parcelas mais pesadas, especialmente em contratos atrelados a taxas variáveis.

Verticalização transforma as cidades brasileiras

Além da mudança no tipo de posse, o perfil das moradias também está mudando. O Brasil está se tornando mais vertical.

Capitais com mais apartamentos

  • Porto Alegre: 52,1%
  • Vitória: 49,9%
  • Belo Horizonte: 45,1%

Outras cidades com crescimento acelerado:

  • João Pessoa: de 30% para 45,9%
  • Aracaju: de 26,8% para 39,6%
  • Brasília: de 26,7% para 38,5%

No país como um todo, moradores em apartamentos passaram de 11,6% para 15% entre 2016 e 2025.

Por que isso acontece?

  • Terrenos urbanos mais caros
  • Maior densidade populacional
  • Interesse das construtoras em maximizar lucro

Um único prédio pode abrigar dezenas de famílias onde antes havia apenas uma ou duas casas.

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Concentração de imóveis aumenta desigualdade

Um ponto de atenção destacado pelos dados da PNAD Contínua é a crescente concentração de imóveis.

O que está acontecendo

  • Muitos apartamentos são comprados para investimento
  • Proprietários acumulam múltiplos imóveis
  • Famílias de baixa e média renda ficam no aluguel

Isso cria um cenário onde:

  • Poucos concentram patrimônio
  • Muitos dependem de aluguel permanente

Na prática, o mercado imobiliário reforça desigualdades já existentes.

Programas habitacionais ajudam, mas não resolvem tudo

Iniciativas como o Minha Casa Minha Vida têm ampliado o acesso à moradia, especialmente para famílias de baixa renda.

No entanto, há limitações:

  • Foco em faixas específicas de renda
  • Dificuldade de atender a classe média
  • Oferta ainda insuficiente frente à demanda

Para quem ganha acima dos limites do programa, mas não consegue financiar no mercado, a alternativa acaba sendo o aluguel.

O que esperar do futuro da moradia no Brasil

Os dados indicam que essa tendência deve continuar no curto prazo, principalmente se:

  • A Selic permanecer elevada
  • O crédito imobiliário continuar caro
  • Os preços dos imóveis seguirem altos

Possíveis cenários

  • Aumento contínuo dos aluguéis
  • Crescimento de imóveis compactos
  • Expansão de moradias verticalizadas
  • Maior pressão sobre políticas públicas habitacionais

Imagem: Alf Ribeiro / Shutterstock.com

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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