A Casas Bahia acaba de dar mais um passo relevante em sua estratégia de transformação digital ao anunciar uma parceria com a Amazon para venda de seus produtos dentro do marketplace da gigante americana. O movimento reforça uma tendência clara do varejo brasileiro: estar presente onde o consumidor está — e não apenas depender dos canais próprios.
Casas Bahia passa a vender produtos na Amazon assim como ML e Shopee
Casas Bahia passa a vender na Amazon e amplia estratégia digital e de crédito no Brasil.
A decisão também segue o caminho já trilhado com plataformas como Mercado Livre e Shopee, ampliando a capilaridade digital da marca e abrindo novas fontes de receita em um momento de reestruturação financeira.
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Como funciona a parceria entre Casas Bahia e Amazon
A partir de agora, milhares de produtos vendidos diretamente pela Casas Bahia (modelo 1P) passam a estar disponíveis dentro da Amazon. Isso inclui desde eletrônicos, como TVs e smartphones, até móveis fabricados pela Bartira, braço industrial da varejista.
Modelo operacional inicial
Nesta primeira fase:
- A Casas Bahia será responsável pela entrega dos produtos vendidos
- O estoque e a operação permanecem sob controle da própria varejista
- A Amazon atua como canal de vendas e tráfego
Esse formato é semelhante ao já adotado com o Mercado Livre, garantindo maior controle sobre margens e experiência do cliente.
Próxima etapa: integração logística
Segundo o CEO Renato Franklin, a segunda fase da parceria prevê a integração logística com a Amazon. Isso permitirá que os produtos sejam elegíveis para o programa Prime, aumentando competitividade em prazos e fretes.
Na prática, isso pode significar:
- Entregas mais rápidas
- Maior visibilidade dos produtos
- Aumento nas taxas de conversão
Marketplaces já impactam resultados da varejista
A entrada em marketplaces já apresenta resultados concretos. Desde que iniciou vendas no Mercado Livre, a empresa viu:
- O canal representar cerca de 5% da receita digital no quarto trimestre
- Responder por quase metade do crescimento do e-commerce
Além disso, as vendas online no modelo 1P cresceram 25% na comparação anual, enquanto as lojas físicas registraram leve queda de 1,2%.
Esse dado reforça uma mudança estrutural no consumo brasileiro, com maior adesão ao digital e preferência por plataformas consolidadas.
Estratégia: vender onde o cliente está
A lógica por trás dessa expansão é simples: diversificação de canais sem canibalização.
Segundo Franklin, os públicos são diferentes:
- Clientes que preferem comprar direto no site
- Consumidores que priorizam marketplaces específicos
Essa abordagem reduz dependência de um único canal e amplia o alcance da marca sem aumentar significativamente os custos de aquisição de clientes.
Logística como nova fonte de receita
Outro ponto estratégico é o fortalecimento da operação logística. Atualmente, a Casas Bahia já presta serviços para cerca de 100 clientes e pretende dobrar esse número ainda este ano.
Por que isso importa?
- Diluição de custos operacionais
- Ganho de eficiência
- Nova linha de receita recorrente
Essa estratégia segue uma tendência global, onde varejistas passam a monetizar sua infraestrutura logística — algo já consolidado por players como a própria Amazon.
Crediário: o grande foco de rentabilidade
Um dos pilares mais relevantes para o futuro da companhia é o crescimento do seu tradicional crediário.
A carteira de crédito da empresa já soma R$ 6,6 bilhões, com limites pré-aprovados via bancos e FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios).
O que está nos planos:
- Expansão da oferta de crédito ao consumidor
- Aumento da rentabilidade por cliente
- Integração com marketplaces e canais digitais
Segundo o CEO, esse será o principal motor de geração de valor nos próximos dois anos.
Caminho para o lucro: as 4 alavancas estratégicas
Durante seu Investor Day, a empresa destacou quatro pilares para alcançar rentabilidade sustentável:
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1. Eficiência operacional
- Uso de inteligência artificial
- Precificação dinâmica
- Otimização logística
2. Redução de despesas financeiras
- Diminuição de spreads
- Melhor negociação com fornecedores
- Benefícios da queda da taxa Selic
3. Alavancagem operacional
- Expansão em marketplaces
- Ganho de escala
- Melhor poder de negociação
4. Expansão do crédito
- Crescimento da carteira
- Maior margem por operação
Resultados recentes e cenário financeiro
Apesar dos avanços operacionais, a Casas Bahia ainda enfrenta desafios. No último trimestre, a empresa reportou prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão.
No entanto, segundo a companhia, esse resultado foi impactado por ajustes contábeis — principalmente relacionados a créditos tributários — sem efeito direto no caixa.
Sem esses efeitos, o prejuízo teria sido significativamente menor: cerca de R$ 79 milhões.
A decisão de reconhecer essas perdas agora faz parte de uma estratégia de “limpar o balanço” e reduzir incertezas para os próximos ciclos.
Perspectivas para 2026
A empresa ainda se considera em “modo turnaround”, mas com sinais mais positivos:
- Estrutura de capital mais equilibrada
- Menor risco operacional
- Expansão digital consistente
Ao mesmo tempo, a queda acumulada de 66% nas ações nos últimos 12 meses mostra que o mercado ainda aguarda resultados concretos dessa transformação.
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Imagem gerada por IA/ Seu Crédito Digital
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
