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INSS encontra falha grave em milhares de contratos de consignado do Banco Master

O caso do Banco Master ganhou novos e complexos desdobramentos nos últimos dias e passou a envolver, simultaneamente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central (BC). Revelações sobre contratos milionários com influenciadores digitais, suspeitas de irregularidades em mais de 250 mil […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
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O caso do Banco Master ganhou novos e complexos desdobramentos nos últimos dias e passou a envolver, simultaneamente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central (BC). Revelações sobre contratos milionários com influenciadores digitais, suspeitas de irregularidades em mais de 250 mil empréstimos consignados e a atuação de uma suposta milícia digital reacenderam o debate sobre fiscalização, transparência e proteção de aposentados e pensionistas.

As informações vieram à tona após reportagem da jornalista Malu Gaspar, publicada no blog do jornal O Globo, que teve acesso a documentos, mensagens e comprovantes de depósitos ligados a um esquema de defesa do banco nas redes sociais. Paralelamente, decisões administrativas e judiciais passaram a ser questionadas, ampliando a crise institucional em torno da liquidação do conglomerado Master, ocorrida em novembro de 2025.

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O que está por trás do caso Banco Master

O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, entrou no centro de uma das maiores controvérsias recentes do sistema financeiro brasileiro. A liquidação da instituição pelo Banco Central desencadeou uma série de reações políticas, jurídicas e digitais, levantando suspeitas sobre tentativas coordenadas de descredibilizar o órgão regulador.

As investigações apontam para duas frentes principais: possíveis irregularidades em contratos de empréstimo consignado com beneficiários do INSS e a contratação de influenciadores para atacar o Banco Central e questionar o processo de liquidação do banco.

Contratos com influenciadores e o chamado “projeto DV”

Segundo a reportagem de Malu Gaspar, o esquema envolvia contratos milionários oferecidos a influenciadores digitais, especialmente alinhados à direita política, para disseminar desconfiança sobre o Banco Central nas redes sociais. O plano ficou conhecido como “projeto DV”, em referência às iniciais de Daniel Vorcaro.

Os documentos analisados pela jornalista indicam que os contratos previam pagamentos que poderiam chegar a R$ 2 milhões, dependendo do alcance do influenciador. Além disso, havia cláusulas rígidas de sigilo absoluto, com o objetivo de impedir vazamentos e preservar a aparência de um movimento espontâneo e orgânico contra o BC.

Valores variavam conforme número de seguidores

As cifras oferecidas aos influenciadores não eram padronizadas. De acordo com os diálogos e contratos analisados, o valor do cachê estava diretamente relacionado ao tamanho da audiência do perfil contratado.

Um dos casos citados na reportagem envolve um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores, que teria recebido proposta de R$ 2 milhões por um período de três meses. Em contrapartida, o acordo previa a publicação de oito postagens mensais com críticas ao Banco Central e questionamentos sobre a liquidação do Banco Master.

Cláusulas de sigilo e aparência de espontaneidade

Um dos pontos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi a exigência de confidencialidade total. Os contratos estabeleciam que os influenciadores não poderiam revelar a existência do acordo nem a identidade dos financiadores da campanha.

Essa estratégia teria como objetivo sustentar a narrativa de que os ataques ao Banco Central partiam de manifestações genuínas da sociedade civil, e não de uma ação coordenada e financiada por interesses privados.

Papel da Agência MiThi no esquema

De acordo com dois influenciadores que avançaram nas negociações do projeto, o contratante final seria a Agência MiThi, administrada por Thiago Miranda. A agência teria sido responsável por intermediar os contratos, organizar os pagamentos e alinhar as estratégias de comunicação.

Até o momento, não houve manifestação pública da defesa de Thiago Miranda. O Jornal Nacional informou que não conseguiu contato com o empresário para comentar as acusações.

Milícia digital e ataques ao Banco Central

As suspeitas de articulação digital contra o Banco Central ganharam reforço com um levantamento realizado pelo Netlab, laboratório de pesquisa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo o estudo, mais de 80 mil publicações com ataques ao Banco Central foram identificadas nas redes sociais em um curto período de tempo. O volume e a similaridade das mensagens levantaram indícios de atuação coordenada, o que levou a Polícia Federal a investigar a existência de uma milícia digital financiada para esse fim.

A PF agora busca identificar a origem dos recursos utilizados para impulsionar essas campanhas e verificar possíveis crimes relacionados à manipulação da opinião pública e à tentativa de obstrução de processos regulatórios.

TCU entra no centro da controvérsia

O Tribunal de Contas da União também passou a desempenhar papel central no caso. O ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo, havia determinado a inspeção de documentos do Banco Central relacionados à liquidação do conglomerado Master.

No entanto, após recurso apresentado pelo próprio Banco Central, o relator decidiu suspender temporariamente a inspeção. O BC argumentou que, conforme o regimento interno do TCU, uma fiscalização desse tipo só poderia ocorrer com a autorização de um colegiado, e não por decisão individual de um ministro.

Debate sobre competência e decisão individual

No despacho divulgado nesta quinta-feira (8), o ministro Jhonatan de Jesus minimizou o impacto da decisão de investigar os documentos do caso Master no Banco Central. Ele defendeu que possui competência para determinar o procedimento de forma individual.

Ainda assim, diante da grande repercussão pública do caso, o relator decidiu submeter a controvérsia ao plenário do tribunal. Segundo ele, a dimensão alcançada pelo episódio extrapolou o caráter rotineiro de uma providência instrutória.

Em seu despacho, o ministro afirmou que “a dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do plenário, instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria”.

Julgamento no plenário do TCU

A expectativa é que a decisão sobre a inspeção no Banco Central seja analisada pelos nove ministros do TCU já na primeira sessão após o recesso, marcada para o dia 21 de janeiro. O julgamento será acompanhado de perto por autoridades do sistema financeiro, políticos e especialistas em controle externo.

O desfecho no TCU pode ter impacto direto não apenas sobre o caso Banco Master, mas também sobre a relação institucional entre o tribunal e o Banco Central em processos futuros.

INSS apura irregularidades em consignados

Paralelamente às investigações sobre a atuação digital, o INSS abriu uma frente própria para apurar irregularidades em contratos de empréstimo consignado firmados entre aposentados, pensionistas e o Banco Master.

Segundo informações internas, mais de 250 mil contratos estão sob análise. Um dia após a liquidação do banco pelo Banco Central, uma diretoria do INSS recomendou à presidência do instituto a suspensão imediata de todos os contratos de crédito consignado vinculados à instituição.

Falhas graves na documentação

A área técnica do INSS apontou problemas considerados graves e insanáveis. Em cerca de 74% dos empréstimos analisados, o Banco Master não apresentou sequer o contrato assinado pelos beneficiários.

Nos documentos que foram entregues, os técnicos identificaram a ausência de informações essenciais, como a taxa de juros aplicada, o número total de parcelas e outras condições básicas da operação. Essas falhas colocam em dúvida a legalidade dos descontos realizados diretamente nos benefícios previdenciários.

Risco à subsistência de aposentados e pensionistas

O relatório técnico do INSS foi enfático ao alertar para os riscos da continuidade dos repasses financeiros ao Banco Master. Segundo o documento, manter os descontos de empréstimos e cartões de crédito em favor de uma instituição em processo de liquidação poderia gerar consequências desastrosas.

O texto destaca que permitir a continuidade desses pagamentos significaria compactuar com descontos potencialmente indevidos em verbas de natureza alimentar, comprometendo a subsistência de milhares de famílias que dependem desses recursos para sobreviver.

Suspensão dos repasses ao Banco Master

Diante da gravidade das conclusões, a presidência do INSS decidiu suspender os repasses ao Banco Master referentes aos pagamentos dos consignados até a conclusão definitiva do processo administrativo.

A medida busca proteger os beneficiários enquanto as investigações avançam e novas decisões são tomadas sobre a validade dos contratos e a eventual responsabilização dos envolvidos.

Impactos institucionais e próximos passos

O caso Banco Master se tornou um exemplo emblemático de como crises financeiras podem se desdobrar em múltiplas frentes institucionais. As investigações em curso envolvem temas sensíveis, como a proteção de aposentados, a integridade do sistema financeiro, a atuação de órgãos de controle e o uso das redes sociais para influenciar a opinião pública.

Os próximos meses serão decisivos para definir responsabilidades, esclarecer a extensão das irregularidades e estabelecer precedentes importantes para o combate a práticas abusivas no mercado de crédito consignado.

Conclusão

As revelações sobre o Banco Master ampliaram significativamente o escopo das investigações e colocaram em evidência fragilidades na fiscalização de contratos, na comunicação institucional e na regulação do sistema financeiro. Com o INSS, a Polícia Federal, o TCU e o Banco Central envolvidos, o caso deve continuar produzindo desdobramentos relevantes e impactando decisões políticas e administrativas.

A expectativa é que as apurações tragam respostas concretas, garantam a proteção dos beneficiários mais vulneráveis e reforcem a importância da transparência e da responsabilidade no setor financeiro brasileiro.

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