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Naskar não aparece na base da CVM; veja o que isso significa

Investigação sobre a Naskar expõe riscos de investir em fintechs sem registro na CVM e reacende debate sobre regulação.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Naskar não aparece na base da CVM; veja o que isso significa

O desaparecimento da fintech Naskar Gestão de Ativos acendeu um sinal de alerta no mercado financeiro brasileiro e trouxe novamente à discussão a importância da fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários sobre empresas que captam recursos de investidores.

A empresa é investigada após cerca de 3 mil clientes relatarem dificuldades para acessar investimentos que, somados, ultrapassariam R$ 900 milhões. O caso ganhou repercussão nacional após investidores afirmarem que o aplicativo da fintech deixou de funcionar e que os responsáveis pela companhia desapareceram sem dar explicações claras.

Além das suspeitas envolvendo a operação da empresa, outro detalhe chamou atenção de especialistas: a Naskar não possuía registro na CVM, órgão responsável pela supervisão do mercado de capitais no Brasil.

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O que significa uma empresa não ter registro na CVM

A ausência de cadastro na CVM indica que a empresa não era autorizada nem fiscalizada pela autarquia para determinadas atividades relacionadas ao mercado de capitais.

Na prática, isso pode significar que investidores ficaram expostos a riscos elevados sem a proteção regulatória normalmente exigida de instituições autorizadas a operar produtos financeiros.

A própria CVM reforçou, em manifestação pública, que acompanha movimentações do mercado e atua na fiscalização de possíveis ofertas irregulares de valores mobiliários.

Segundo a autarquia, qualquer cidadão pode:

  • consultar empresas registradas;
  • verificar autorizações de funcionamento;
  • registrar denúncias;
  • apresentar reclamações;
  • buscar informações sobre participantes do mercado.

Essas consultas podem ser feitas no Cadastro Geral de Regulados da comissão, ferramenta usada para verificar se uma empresa possui autorização formal para atuar.

Entenda o caso da Naskar

A Naskar atuava oferecendo retornos mensais considerados muito acima da média do mercado financeiro tradicional.

Segundo relatos de clientes, a fintech prometia rentabilidade de cerca de 2% ao mês sobre o capital investido.

Na prática, um investidor que aplicasse R$ 1 milhão poderia receber aproximadamente R$ 20 mil mensais em rendimentos.

Embora os ganhos elevados chamassem atenção, a empresa teria operado durante cerca de 13 anos sem grandes problemas públicos registrados.

O cenário mudou no início de maio, quando pagamentos previstos para clientes deixaram de ser realizados.

Aplicativo saiu do ar e clientes perderam acesso às contas

Após o atraso nos pagamentos, investidores tentaram contato com os sócios da empresa:

  • Marcelo Liranco Arantes;
  • Rogério Vieira;
  • Maurício Jahu.

Sem respostas, os clientes recorreram ao aplicativo da fintech para verificar os saldos investidos.

O sistema, porém, deixou de funcionar no dia 6 de maio.

O desaparecimento do aplicativo gerou ainda mais preocupação entre os investidores, muitos deles afirmando ter aplicado economias acumuladas ao longo de décadas.

Polícia investiga denúncias contra a fintech

A Polícia Civil do Distrito Federal registrou ao menos 15 ocorrências relacionadas à empresa até o início das investigações.

Segundo reportagens sobre o caso, a Naskar já teve sede no Distrito Federal e mais recentemente mantinha endereço em São Paulo. Entretanto, investidores afirmam que a empresa deixou o local sem comunicação prévia.

O episódio levantou suspeitas sobre possível fraude financeira, embora as investigações ainda estejam em andamento.

Rentabilidade acima do mercado é sinal de alerta

Especialistas em finanças apontam que promessas de rendimento muito acima da média exigem atenção redobrada dos investidores.

Atualmente, aplicações conservadoras no Brasil normalmente acompanham indicadores como:

  • taxa Selic;
  • CDI;
  • Tesouro Direto;
  • CDBs bancários.

Rentabilidades fixas elevadas e constantes, especialmente acima dos padrões do mercado, costumam ser tratadas como sinal de risco elevado ou potencial irregularidade.

Isso não significa automaticamente fraude, mas exige análise cuidadosa da operação, da regulamentação e da transparência da empresa.

Sindicato cobra regulação mais rígida para fintechs

O caso também reacendeu o debate sobre fiscalização de fintechs e instituições financeiras não tradicionais.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo defendeu maior rigor regulatório para evitar novos episódios semelhantes.

Segundo a presidente da entidade, Neiva Ribeiro, a fragilidade regulatória pode gerar insegurança para clientes e facilitar o uso indevido de fintechs em práticas ilícitas, como lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

A entidade argumenta que o crescimento acelerado do setor exige fiscalização proporcional à relevância que essas empresas passaram a ter no sistema financeiro brasileiro.

Empresas ligadas à operação se manifestaram

A Alphacode Tecnologia da Informação, responsável pelo desenvolvimento do aplicativo utilizado pela Naskar, informou que rescindiu unilateralmente o contrato com a fintech após não conseguir contato com os responsáveis pela empresa.

Segundo a companhia, a Naskar possuía autonomia total sobre a gestão do aplicativo e poderia ativar ou desativar o sistema quando desejasse.

A empresa destacou ainda que atuava apenas como prestadora de serviços de tecnologia, sem qualquer participação nos investimentos ou operações financeiras oferecidas aos clientes.

Já a Celcoin Instituição de Pagamento, apontada como custodiante da operação, não havia se manifestado até a divulgação das últimas informações do caso.

Naskar afirma que iniciou contato com investidores

Em nota enviada aos clientes, a Naskar informou que iniciou um processo de “circularização” para levantamento individual das situações dos investidores.

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Segundo a empresa, os clientes deveriam encaminhar documentos para análise da posição financeira de cada caso.

A fintech também informou um endereço eletrônico destinado ao atendimento dos investidores.

Apesar disso, muitos clientes seguem relatando dificuldade de comunicação e ausência de informações claras sobre os valores investidos.

Como investidores podem se proteger de golpes financeiros

O caso reforça cuidados importantes antes de investir dinheiro em plataformas financeiras, fintechs ou empresas de gestão patrimonial.

Verifique registro e autorização

Antes de investir, é fundamental consultar:

  • registro na CVM;
  • autorização do Banco Central do Brasil;
  • situação cadastral da empresa;
  • histórico de atuação.

Desconfie de promessas de lucro elevado

Retornos muito acima da média do mercado exigem cautela.

Nenhum investimento possui lucro garantido sem risco proporcional.

Pesquise reputação e transparência

Também é importante verificar:

  • reclamações públicas;
  • processos judiciais;
  • tempo de atuação;
  • transparência dos contratos;
  • clareza das informações financeiras.

Diversifique investimentos

Especialistas recomendam evitar concentração excessiva de patrimônio em uma única instituição ou produto financeiro.

A diversificação reduz riscos em casos de problemas operacionais, fraudes ou falência.

Caso pode influenciar futuras regras para fintechs

O episódio envolvendo a Naskar pode aumentar a pressão por mudanças regulatórias no setor financeiro digital.

Nos últimos anos, fintechs cresceram rapidamente no Brasil, impulsionadas pela digitalização bancária, expansão do Pix e maior acesso a serviços financeiros online.

Embora muitas empresas do setor atuem de forma regular e supervisionada, especialistas avaliam que casos de grande repercussão tendem a acelerar debates sobre:

  • fiscalização;
  • exigências de capital;
  • proteção ao investidor;
  • transparência operacional;
  • controle de ofertas financeiras.

Enquanto as investigações avançam, milhares de investidores aguardam respostas sobre o paradeiro dos recursos aplicados e sobre a possibilidade de recuperação dos valores.

Imagem: IA/Reprodução

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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