O embate entre governo e Congresso ganhou mais um capítulo com a Medida Provisória nº 1.303, que propõe a taxação de aplicações financeiras, incluindo as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). A proposta, enviada pelo governo, enfrenta forte resistência do Centrão e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Após o desgaste causado pela derrubada da chamada “PEC da Blindagem” no Senado, lideranças do bloco querem reagir impondo uma derrota ao Executivo.
O que é a MP nº 1.303

A Medida Provisória nº 1.303 foi enviada pelo governo com o objetivo de ampliar a base de arrecadação por meio da tributação de rendimentos financeiros atualmente isentos.
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Principais pontos da MP
- Alíquota inicial proposta: 5% sobre rendimentos de LCAs.
- Relatoria na Câmara: deputado Carlos Zarattini (PT-SP).
- Mudança sugerida: aumento para 7,5% em algumas modalidades para compensar outras isenções.
- Prazo de validade: até 8 de outubro de 2025. Caso não seja aprovada até essa data, a MP perde efeito automaticamente.
O papel do Senado e a reação do Centrão
O texto foi arquivado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após rejeição unânime da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). A decisão contou com o apoio direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que irritou deputados do Centrão.
Reação política
Durante almoço da FPA em 30 de setembro, lideranças do bloco avaliaram que o Senado poderia ter rejeitado a proposta sem expor os deputados. Para o Centrão, a forma como o episódio foi conduzido fragilizou a Câmara e criou um ambiente de retaliação.
Participaram do encontro:
- Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara.
- Arthur Lira (Progressistas-AL), relator do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000.
- Pedro Lupion (PP-PR), presidente da FPA.
A posição da Frente Parlamentar da Agropecuária
A FPA se colocou frontalmente contra a tributação das LCAs, alegando que a medida pode comprometer a oferta de crédito rural, especialmente para a segunda safra de 2026.
Argumentos dos ruralistas
- Redução da atratividade dos títulos voltados ao agronegócio.
- Diminuição do volume de recursos captados para financiar a produção.
- Impacto direto na competitividade do setor agrícola.
Tentativa de ajuste
Diante da resistência, o relator Carlos Zarattini recuou, admitindo a possibilidade de reduzir a alíquota para 5% ou até menos, mas ainda assim não conseguiu apoio da bancada ruralista.
Impasse político e risco de caducidade
O governo tenta costurar um acordo para aprovar a MP antes de 8 de outubro. Caso contrário, a medida caduca e perde efeito.
Tabela – Cenários possíveis para a MP nº 1.303
| Situação | Consequência | Impacto político | Impacto econômico |
|---|---|---|---|
| Aprovação com alíquota de 5% | Nova tributação entra em vigor | Vitória parcial do governo | Redução limitada da atratividade das LCAs |
| Aprovação com alíquota menor que 5% | Concessão ao agronegócio | Compromisso entre governo e FPA | Menor arrecadação federal |
| Rejeição da MP | MP perde validade | Derrota política do Executivo e vitória do Centrão | Mantém isenção atual das aplicações |
| Caducidade (sem votação até 8/10) | MP expira automaticamente | Fragilidade do governo na articulação | Nenhuma mudança no crédito agrícola |
Conexão com a “PEC da Blindagem”
O estopim da reação do Centrão está relacionado à recente derrota da chamada “PEC da Blindagem”, que pretendia limitar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta foi derrubada no Senado, com apoio explícito do governo, após pressão popular nas ruas em 21 de setembro.
Consequências para o Congresso
- Deputados se sentiram expostos e enfraquecidos diante do Senado.
- O Centrão passou a enxergar na MP nº 1.303 uma oportunidade de recuperar espaço político.
Impactos para investidores e mercado financeiro
A taxação das aplicações financeiras gera preocupação entre investidores, especialmente em relação às LCAs, tradicionalmente isentas de impostos e vistas como instrumentos de incentivo ao agronegócio.
Possíveis efeitos imediatos
- Redução da rentabilidade líquida das LCAs.
- Migração de investidores para outros títulos isentos, caso a MP não avance.
- Incerteza regulatória que pode afetar o planejamento financeiro de médio prazo.
Perspectivas para o crédito agrícola
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A principal preocupação do setor é o impacto no financiamento da produção.
Cenários avaliados
- Com taxação: os bancos podem oferecer taxas de juros mais altas para compensar a perda de atratividade dos títulos.
- Sem taxação: mantém-se o fluxo de recursos atuais, garantindo oferta de crédito para as próximas safras.
Articulação até a reta final

O governo busca negociar ajustes no texto para conquistar votos suficientes na Câmara. Entretanto, com a resistência da FPA e o desejo de retaliação do Centrão, o cenário é incerto.
Próximos passos
- Reunião da comissão especial marcada para 2 de outubro.
- Tentativa de votação em plenário até 8 de outubro.
- Crescente pressão de ruralistas e lideranças empresariais contra a medida.
FAQ – Perguntas frequentes
1. O que é a MP nº 1.303?
É a medida provisória que prevê a taxação de aplicações financeiras, incluindo as LCAs, atualmente isentas de impostos.
2. Qual a alíquota proposta para a taxação?
Inicialmente, 5%, podendo ser ajustada para até 7,5%, segundo o relator.
3. Até quando a MP precisa ser votada?
Até o dia 8 de outubro de 2025. Caso contrário, caduca e perde validade.
4. Por que o Centrão é contra a proposta?
Porque considera que a forma como o Senado tratou a PEC da Blindagem enfraqueceu a Câmara, e também pela pressão da FPA, que teme impactos no crédito agrícola.
5. O que acontece se a MP for rejeitada?
As aplicações financeiras, como as LCAs, continuam isentas de impostos e o governo acumula mais uma derrota política no Congresso.
Considerações finais
A MP nº 1.303 transformou-se em mais do que um debate econômico: tornou-se símbolo de uma disputa política entre governo e Centrão. O desfecho da medida, seja sua aprovação ou caducidade, terá reflexos não apenas na arrecadação e no crédito agrícola, mas também no equilíbrio de forças dentro do Congresso Nacional.



