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Autônomos também serão beneficiados com ampliação de licença-paternidade

Projeto de lei amplia a licença-paternidade para até 30 dias e inclui trabalhadores autônomos que contribuem para a Previdência.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Licença-paternidade

O projeto de lei que amplia a licença-paternidade no Brasil pode ser votado em breve no plenário da Câmara dos Deputados. Segundo o relator da matéria, deputado Pedro Campos (PSB-PE), a proposta abrange não apenas trabalhadores com carteira assinada, mas também autônomos que contribuem para a Previdência Social, como microempreendedores individuais (MEIs) e contribuintes individuais.

A proposta, parada há quase duas décadas no Congresso, ganhou novo impulso e avança em regime de urgência. O movimento é motivado por crescente sensibilidade social em relação à divisão de tarefas parentais e pela recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou omissão do Legislativo sobre o tema.

O projeto prevê aumento progressivo da licença-paternidade, partindo dos atuais cinco dias para até 30 dias ao longo de cinco anos, com entrada em vigor prevista para 1º de janeiro de 2027.

Como vai funcionar a ampliação?

licença-paternidade
Imagem: Freepik

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Cronograma de aumento da licença

O projeto estabelece um cronograma gradual de ampliação:

  • 2027: 10 dias de licença
  • 2028: 15 dias
  • 2029: 20 dias, alinhado ao programa Empresa Cidadã
  • 2030: 25 dias
  • 2031: 30 dias

Pagamento do salário-paternidade

Para garantir a remuneração integral, o texto cria o “salário-paternidade”, custeado pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

  • Trabalhadores com carteira assinada: a empresa paga o salário, que é compensado posteriormente nos impostos recolhidos.
  • Autônomos contribuintes do INSS: recebem o benefício diretamente da Previdência.

Estabilidade e flexibilidade

O projeto também prevê:

  • Estabilidade no emprego: vedando a demissão sem justa causa desde a comunicação ao empregador até um mês após o fim da licença.
  • Flexibilidade: o pai poderá dividir o período, tirando parte logo após o nascimento e o restante em até 180 dias, em acordo com a mãe.

Impactos sociais da medida

A ampliação da licença-paternidade é vista como uma ferramenta para combater desigualdades de gênero e sobrecarga feminina no cuidado infantil. Estudos indicam que a presença paterna nos primeiros dias de vida, quando o hormônio ocitocina fortalece vínculos, reduz índices de abandono paterno e divórcios.

Além disso, a medida contribui para aproximar os tempos de licença-maternidade e paternidade, promovendo maior igualdade no mercado de trabalho. Entrevistas de emprego frequentemente questionam os planos de maternidade das mulheres, reforçando a necessidade de políticas que equilibrem responsabilidades parentais.

Questão fiscal

O impacto orçamentário da ampliação da licença-paternidade é estimado em:

  • 2027: R$ 4,34 bilhões
  • 2029: R$ 8 bilhões

Segundo o relator, o custo será absorvido pelo orçamento da Seguridade Social sem comprometer o arcabouço fiscal, seguindo as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo terá o ano de 2026 para realizar o planejamento necessário para implementação da medida.

Apoio político

O projeto conta com amplo apoio de diferentes espectros políticos, especialmente da bancada feminina, abrangendo partidos como PP, PSB, PSOL, PT, PSD e PL. O governo federal também demonstrou compromisso com a pauta, articulando de forma a garantir viabilidade fiscal e aprovação legislativa.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deverá discutir o tema em reunião de líderes e pautar a matéria para votação no início de novembro, aproximando o país da aprovação definitiva da lei.

Quem terá direito

O projeto prevê que tenham direito à licença-paternidade:

  • Trabalhadores formais, empregados em empresas privadas ou públicas.
  • Trabalhadores autônomos que contribuem para a Previdência Social, incluindo MEIs.
  • Pais de crianças nascidas ou adotadas, com regras equivalentes à licença-maternidade.

Histórico do PL 3.935/2008

Pai e bebê brincando no chão
Foto: Prostock-studio/shutterstock

O projeto de lei que trata da licença-paternidade tem trajetória extensa no Congresso Nacional:

  • 2008: Apresentado pela senadora Patrícia Saboya, visando regulamentar a licença-paternidade na CLT.
  • 2009–2024: Recebeu dezenas de projetos apensados relacionados a licenças parentais.
  • 2010: Aprovado por unanimidade na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF).
  • 2013: Rejeitado na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP), travando o avanço por anos.
  • 2023–2024: Retomada da pauta com criação de Grupo de Trabalho na Câmara e lançamento da Frente Parlamentar Mista pela Licença-Paternidade.
  • 11 de outubro de 2025: O relator atual, Pedro Campos, apresentou substitutivo unificado, consolidando o PL original e projetos apensados.

FAQ – Perguntas frequentes

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O que muda com o novo projeto de lei da licença-paternidade?

O projeto amplia gradualmente a licença-paternidade de cinco para 30 dias e inclui trabalhadores autônomos que contribuem para o INSS.

Quando a lei deve entrar em vigor?

A lei, se aprovada, entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027, seguindo o cronograma gradual de ampliação.

Como será pago o salário durante a licença?

Trabalhadores com carteira assinada receberão pela empresa, compensada pelo RGPS; autônomos receberão diretamente da Previdência.

É possível dividir a licença-paternidade?

Sim, o pai poderá dividir o período, tirando parte logo após o nascimento e o restante em até 180 dias, em acordo com a mãe.

Haverá estabilidade no emprego?

Sim, o projeto garante estabilidade desde a comunicação ao empregador até um mês após o fim da licença.

Qual o impacto fiscal da medida?

O custo estimado é de R$ 4,34 bilhões em 2027, chegando a R$ 8 bilhões em 2029, absorvido pelo orçamento da Seguridade Social.

Considerações finais

A ampliação da licença-paternidade no Brasil representa um avanço significativo na proteção dos direitos dos pais, incluindo autônomos, e na promoção da igualdade de gênero no mercado de trabalho.

A medida busca não apenas fortalecer vínculos familiares, mas também adequar o país às demandas sociais contemporâneas, reforçando a importância do cuidado compartilhado nos primeiros dias de vida da criança. Com amplo apoio político e planejamento fiscal previsto, a expectativa é que a lei seja aprovada em breve, marcando uma mudança histórica na legislação brasileira.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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