Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

CGU alerta: INSS ignorou recomendações sobre descontos irregulares em aposentadorias

CGU revelou que o INSS não seguiu recomendações para barrar descontos indevidos em aposentadorias, afetando milhões de segurados.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
INSS

Uma revelação feita na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS trouxe à tona uma grave falha na condução da Previdência Social. A Controladoria-Geral da União (CGU) afirmou que o instituto resistiu em adotar medidas para suspender descontos automáticos em aposentadorias e pensões, mesmo diante de alertas.

O caso expõe um problema que atinge milhões de beneficiários e envolve movimentações bilionárias em associações e entidades conveniadas.

Leia mais: Perdão de dívidas do INSS e regras para consignados

O que a CGU descobriu

inss
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Segundo Eliane Viegas Mota, diretora de Auditoria de Previdência da CGU, desde julho de 2024 o órgão havia recomendado a suspensão de descontos automáticos nos benefícios. No entanto, as orientações não foram acatadas pelo então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

Os Acordos de Cooperação Técnica (ACTs), que permitiam a cobrança direta de mensalidades de associações, só foram suspensos meses depois, em abril de 2025, durante a operação Sem Desconto, da Polícia Federal.

Entre 2015 e 2024, a auditoria identificou que cerca de 7 milhões de segurados tiveram valores descontados, totalizando uma escalada de gastos que saltou de R$ 387 milhões em 2015 para impressionantes R$ 3,4 bilhões em 2024.

Associações sob suspeita

O relatório destacou a atuação de pelo menos 40 entidades que estavam aptas a aplicar descontos automáticos. A Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais) foi apontada como a principal beneficiária, recebendo sozinha cerca de R$ 3,4 bilhões ao longo da última década.

Essas cobranças, segundo as investigações, eram muitas vezes realizadas sem consentimento dos aposentados e pensionistas. Isso colocou em xeque não apenas a integridade do INSS, mas também a atuação de associações que deveriam representar os trabalhadores.

A demora da fiscalização

O deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), relator da CPI do INSS, criticou a demora da CGU em agir. Ele lembrou que o primeiro registro de descontos irregulares chegou ao órgão apenas em 2019, apesar de as fraudes já existirem há décadas.

Em 2019, aposentados teriam pago R$ 604,6 milhões em mensalidades indevidas, mas o relatório detalhado da CGU só foi finalizado em 2024, quando os valores já haviam disparado para R$ 2,6 bilhões.

A crítica central dos parlamentares é que tanto a CGU quanto o INSS falharam em agir com rapidez, permitindo que um esquema desse porte avançasse por anos.

Medidas administrativas e operação policial

A CGU afirmou que em 2024 comunicou tanto o Ministério da Previdência quanto a Polícia Federal sobre os problemas. Apesar disso, somente com a operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, houve a suspensão total dos ACTs e bloqueio dos descontos.

A operação investigou fraudes bilionárias envolvendo dirigentes de associações, empresários e até servidores. O esquema, que se aproveitava da fragilidade na checagem de autorizações, gerou prejuízos para milhões de aposentados em todo o país.

Avanço legislativo

Diante do escândalo, a Câmara dos Deputados aprovou, em setembro de 2025, o PL 1.546/2024, que proíbe qualquer tipo de desconto associativo em aposentadorias e pensões do INSS, mesmo com autorização do beneficiário. O projeto segue agora para análise no Senado.

A medida é vista como uma forma de blindar os aposentados contra práticas abusivas e fraudes que, até então, se apoiavam em brechas legais e falta de fiscalização.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Convocações da CPI do INSS

A CPMI também avança nas oitivas de figuras centrais no escândalo. Entre os convocados estão:

  • Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como peça-chave no esquema;
  • Maurício Camisotti, empresário também envolvido nas operações de desconto irregular;
  • Ex-ministros da Previdência e do Trabalho, como Carlos Lupi e José Carlos Oliveira, que serão ouvidos em setembro.

As sessões da comissão ocorrem duas vezes por semana e devem se estender por até 180 dias, com possibilidade de prorrogação.

Pedido de prisão dos investigados

O relatório parcial da CPI já pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva de 21 investigados, incluindo Stefanutto, Camisotti e Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS. O pedido foi aprovado por unanimidade, mostrando a gravidade do caso.

O impacto para os aposentados

INSS
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Para os beneficiários, o esquema significou a perda de parte da renda mensal sem qualquer aviso ou autorização. Muitos só perceberam os descontos ao consultar extratos ou quando procuraram o INSS por inconsistências nos valores recebidos.

Esse tipo de fraude não apenas prejudica financeiramente os aposentados, mas também mina a confiança no sistema previdenciário, essencial para milhões de brasileiros que dependem da renda da aposentadoria.

Com informações de: Poder360

Pode ser do seu interesse:

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

Topicos relacionados