Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

DeepSeek: a IA que promete abalar a hegemonia dos EUA no setor de tecnologia

Conheça o DeepSeek, o chatbot chinês que superou o ChatGPT e abalou o mercado global de tecnologia. Veja o impacto econômico e geopolítico.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Mercados

A expressão “Momento Sputnik” foi usada por analistas de mercado para descrever o impacto surpreendente do DeepSeek, o chatbot chinês que superou rapidamente o ChatGPT em popularidade. Lembrando o satélite soviético que, em 1957, deu início à corrida espacial, o DeepSeek trouxe uma revolução inesperada à inteligência artificial (IA).

Em menos de uma semana após seu lançamento, o aplicativo causou perdas bilionárias para gigantes da tecnologia na bolsa de Nova York, enquanto demonstrava ser possível atingir resultados impressionantes com investimentos significativamente menores.

Lançado em 20 de janeiro, durante a posse de Donald Trump, o DeepSeek ultrapassou o ChatGPT em downloads na loja da Apple nos EUA, contribuindo para uma queda de US$ 1 trilhão no valor de mercado das maiores empresas do setor. A ascensão meteórica do chatbot levanta questões sobre a supremacia tecnológica dos EUA e o avanço da China em um campo considerado estratégico para o futuro.

Leia Mais:

Coloque Sua Conta de Luz no Baixa Renda e Pague Menos: Veja Como Fazer

O que torna o DeepSeek tão especial?

Imgem: Dado Ruvic/Reuters

Investimento enxuto e soluções criativas

Enquanto empresas como OpenAI e Meta gastam bilhões em infraestrutura e desenvolvimento, a startup chinesa por trás do DeepSeek afirmou que gastou apenas US$ 6 milhões (aproximadamente R$ 35 milhões) no treinamento do chatbot. Para efeito de comparação, companhias americanas utilizam supercomputadores com cerca de 16 mil chips para desenvolver seus modelos, enquanto a DeepSeek usou apenas 2 mil, segundo apuração do The New York Times.

Esse diferencial não só chamou a atenção de investidores, mas também gerou preocupações quanto à sustentabilidade dos elevados custos da IA no ocidente. Gigantes como a Meta anunciaram orçamentos bilionários para 2025, prevendo um aumento de 50% nos gastos. Porém, o modelo de custos reduzidos do DeepSeek pode redefinir a economia do setor.

O contexto geopolítico por trás do DeepSeek

Restrções americanas e criatividade chinesa

Em 2022, os EUA, sob a administração de Joe Biden, impuseram restrições à exportação de chips avançados para a China. Empresas como Nvidia e AMD, líderes globais na produção de semicondutores, foram impedidas de comercializar seus produtos para o país asiático. A medida, comparada às políticas da Guerra Fria, visava conter o avanço tecnológico chinês.

No entanto, essas limitações forçaram os engenheiros da China a buscarem soluções alternativas e, paradoxalmente, resultaram em inovações como o DeepSeek. Essa resposta surpreendente revela a capacidade do país de competir com potências tecnológicas globais mesmo sob pressão.

O impacto da nova administração Trump

Em seus primeiros dias no cargo, Donald Trump revogou medidas de segurança cibernética implementadas por Biden e anunciou o projeto Stargate, que promete investimentos privados de até US$ 500 bilhões para infraestrutura de IA no Texas. Segundo o presidente, este será “o maior projeto de infraestrutura de IA da história”. Apesar disso, conselheiros como Marc Andreessen, figura influente do Vale do Silício, reconhecem o avanço chinês como um “alerta” para a indústria americana.

O mercado de IA em transformação

Consequências globais e possíveis cenários

Imagem: Reuters/Kevin Lamarque

Especialistas apontam que o crescimento do DeepSeek pode acelerar a expansão do mercado de IA para além das fronteiras de EUA e China. Caso outros países, como na Europa ou América Latina, desenvolvam soluções semelhantes com custos reduzidos, o modelo atual pode ser completamente redefinido. Isso levaria a uma desvalorização ainda maior das ações das gigantes tecnológicas.

Por outro lado, analistas como Stacy Rasgon, da Bernstein, consideram que o entusiasmo em torno do DeepSeek pode estar exagerado. Ele questiona se os custos divulgados pela startup são realistas e destaca limitações técnicas do modelo chinês em comparação com soluções americanas.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Um futuro incerto para a liderança americana

A possibilidade de perda da supremacia americana na inteligência artificial traz implicações geopolíticas significativas. Segundo Anderson Soares, coordenador do Centro de Excelência em IA da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG), dominar essa tecnologia significa ter acesso a produtos mais baratos e eficientes, aumentando o poder e a influência global.

Entretanto, a disputa entre EUA e China não deve repetir os moldes da Guerra Fria. Conforme aponta Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), “os chineses não desejam uma nova Guerra Fria, mas sim manter os EUA como parceiros comerciais e tecnológicos”.

Limitações e perspectivas do DeepSeek

Apesar de seu impacto inicial, o DeepSeek ainda possui limitações. Ele não consegue, por exemplo, interpretar imagens e raciocinar com base nelas, recurso presente em modelos como o ChatGPT e o Grok, da plataforma X. Por outro lado, o avanço do DeepSeek demonstra que a China está no caminho para atingir a supremacia tecnológica até 2030, como prevê seu plano de longo prazo.

Conclusão

O lançamento do DeepSeek não é apenas uma conquista tecnológica; é também um reflexo das dinâmicas globais em transformação. Ao desafiar o modelo de desenvolvimento das gigantes americanas, a China abriu novas possibilidades para o mercado de IA e colocou em xeque a hegemonia dos EUA no setor. Resta saber se o DeepSeek será o primeiro de muitos avanços disruptivos ou apenas uma exceção em um campo dominado por altos investimentos e infraestrutura robusta.

Imagem: Spalnic / shutterstock

Com Informações de: G1

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados