O vice-presidente da Apple, Oliver Schusser, responsável pelo Apple Music, Apple TV+ e pela divisão de esportes da gigante de Cupertino, causou forte repercussão no setor musical ao se posicionar publicamente contra os planos gratuitos com anúncios oferecidos.
Apple Music se posiciona contra oferta de planos gratuitos em concorrentes como Spotify
Chefe do Apple Music, Oliver Schusser, critica planos gratuitos de streaming e alerta para a desvalorização da música como arte.
Durante o evento anual da National Music Publishers Association (NMPA), realizado em 11 de junho de 2025, em Nova York, Schusser foi direto ao ponto: “Acho uma loucura que, depois de 20 anos, ainda ofereçamos música de graça”.
A fala repercutiu intensamente entre editoras e profissionais da indústria fonográfica, num momento em que o setor luta contra a queda nos royalties pagos aos artistas.
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Apple Music: o último bastião pago do streaming?

Sem versão gratuita, por escolha
O Apple Music se destaca no mercado por não oferecer nenhuma versão gratuita, prática cada vez mais rara entre os concorrentes. Essa política, segundo Schusser, não se deve à busca por lucro imediato, mas sim a uma filosofia clara: “Vemos a música como arte e jamais ofereceríamos arte de graça”, afirmou.
Ele reforçou que a Apple não tem planos de adotar um modelo gratuito. A menção indireta ao Spotify e Amazon Music deixou claro o alvo das críticas, mesmo que sem nomeá-los diretamente.
Apple TV+ como exemplo de modelo premium
Para ilustrar sua visão, o executivo comparou o Apple Music ao Apple TV+, serviço de streaming de vídeo da empresa que também não possui plano gratuito.
Ele lembrou que o Apple TV+ abrigou a série de maior sucesso do mundo em janeiro deste ano, Ruptura, como prova de que o público está disposto a pagar por qualidade.
A crítica à gratuidade: um risco à arte
Música como mercadoria
Schusser demonstrou preocupação com a maneira como o conteúdo gratuito vem sendo tratado, apontando que essa tendência transforma a música em uma simples mercadoria. Para ele, a gratuidade banaliza a arte, reduzindo o valor simbólico e financeiro do trabalho dos artistas.
“Não é por dinheiro. É por respeito à música como expressão artística.” — Oliver Schusser
Esse posicionamento dialoga diretamente com reivindicações recentes das editoras musicais, que têm se manifestado contra a queda nos pagamentos de royalties, em parte causada por mudanças nas políticas de serviços como o Spotify.
O impacto de audiolivros e podcasts
O descontentamento das editoras também se intensificou com a inclusão de audiolivros e podcasts premium nos pacotes tradicionais de música de plataformas rivais. O resultado, segundo os críticos, foi a diluição da receita gerada exclusivamente pela música, afetando diretamente os repasses aos criadores.
Spotify na linha de fogo
Modelo freemium sob escrutínio
O Spotify lidera o modelo chamado freemium, em que o usuário tem acesso gratuito ao catálogo, mas com inserções publicitárias. A empresa argumenta que esse modelo ajuda a atrair usuários que eventualmente migram para planos pagos.
No entanto, a fala de Schusser reforça um crescente ceticismo quanto à sustentabilidade e ética desse modelo, especialmente entre os profissionais que dependem da música como fonte de renda.
Reação do mercado
Embora o Spotify não tenha se manifestado diretamente sobre os comentários de Schusser até o momento, especialistas do setor observam que a crítica pode estimular mudanças estruturais na forma como os serviços são oferecidos, ou, no mínimo, pressionar por ajustes nos repasses a artistas e editoras.
O debate sobre royalties
Um problema antigo, agora agravado
As tensões entre plataformas de streaming e o setor musical não são novas. Desde o início da era digital, compositores e editoras reclamam dos baixos valores pagos por execução. A questão se agravou com o crescimento do streaming gratuito, em que os royalties são ainda menores.
Schusser, ao se posicionar de forma contundente, ecoa um sentimento latente: a percepção de que o modelo atual favorece as plataformas em detrimento dos artistas.
Pressão regulatória e judicial
Recentemente, processos judiciais nos Estados Unidos e na União Europeia têm questionado a distribuição de lucros e contratos com criadores. A fala de um executivo da Apple pode acelerar discussões regulatórias e influenciar políticas públicas sobre o setor.
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As alternativas no mercado
Amazon Music e o dilema do conteúdo adicional
Além do Spotify, o Amazon Music também foi alvo de críticas veladas. O serviço expandiu seu conteúdo com audiolivros e podcasts premium, sem que houvesse um aumento proporcional no pagamento a artistas.
Esse tipo de “combo cultural” acaba redistribuindo a receita de forma desigual, favorecendo o consumo diversificado, mas penalizando os músicos.
Modelos alternativos pagos ganham força
Serviços como Tidal e Qobuz, que priorizam qualidade de som e pagamento justo a artistas, podem ganhar tração com a crítica da Apple, embora ainda tenham participação de mercado limitada.
O futuro do streaming de música

Uma possível mudança de paradigma
A crítica de Oliver Schusser não se limita a um desabafo: ela pode marcar o início de uma nova fase na indústria do streaming, em que a pressão pela valorização da música levará a mudanças profundas nos modelos de negócio.
Consumidores dispostos a pagar por qualidade?
Pesquisas recentes apontam que, embora o conteúdo gratuito ainda tenha apelo, uma parcela crescente dos consumidores valoriza experiências premium — sem anúncios, com melhor curadoria e mais respeito aos criadores.
A Apple aposta nessa tendência ao recusar adotar uma versão gratuita, mesmo que isso limite sua base de usuários em comparação com os rivais.
Conclusão
A fala de Oliver Schusser reacendeu um debate fundamental sobre o valor da música em tempos digitais. Em um mercado saturado por opções gratuitas e modelos híbridos, a postura da Apple levanta a questão: estamos, como sociedade, desvalorizando a arte ao consumi-la sem pagar por ela?
Se depender do Apple Music, a resposta é clara: a música tem valor — e deve ser paga.
Enquanto as plataformas ajustam suas estratégias para agradar tanto usuários quanto artistas, o futuro do streaming musical permanece em aberto. Mas uma coisa é certa: o setor não será mais o mesmo após esse posicionamento firme da Apple.
