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Apple Music se posiciona contra oferta de planos gratuitos em concorrentes como Spotify

Chefe do Apple Music, Oliver Schusser, critica planos gratuitos de streaming e alerta para a desvalorização da música como arte.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
TIM Apple Music

O vice-presidente da Apple, Oliver Schusser, responsável pelo Apple Music, Apple TV+ e pela divisão de esportes da gigante de Cupertino, causou forte repercussão no setor musical ao se posicionar publicamente contra os planos gratuitos com anúncios oferecidos.

Durante o evento anual da National Music Publishers Association (NMPA), realizado em 11 de junho de 2025, em Nova York, Schusser foi direto ao ponto: “Acho uma loucura que, depois de 20 anos, ainda ofereçamos música de graça”.

A fala repercutiu intensamente entre editoras e profissionais da indústria fonográfica, num momento em que o setor luta contra a queda nos royalties pagos aos artistas.

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Apple Music: o último bastião pago do streaming?

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Imagem: Marian Wago e Anton_Ivanov / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Sem versão gratuita, por escolha

O Apple Music se destaca no mercado por não oferecer nenhuma versão gratuita, prática cada vez mais rara entre os concorrentes. Essa política, segundo Schusser, não se deve à busca por lucro imediato, mas sim a uma filosofia clara: “Vemos a música como arte e jamais ofereceríamos arte de graça”, afirmou.

Ele reforçou que a Apple não tem planos de adotar um modelo gratuito. A menção indireta ao Spotify e Amazon Music deixou claro o alvo das críticas, mesmo que sem nomeá-los diretamente.

Apple TV+ como exemplo de modelo premium

Para ilustrar sua visão, o executivo comparou o Apple Music ao Apple TV+, serviço de streaming de vídeo da empresa que também não possui plano gratuito.

Ele lembrou que o Apple TV+ abrigou a série de maior sucesso do mundo em janeiro deste ano, Ruptura, como prova de que o público está disposto a pagar por qualidade.

A crítica à gratuidade: um risco à arte

Música como mercadoria

Schusser demonstrou preocupação com a maneira como o conteúdo gratuito vem sendo tratado, apontando que essa tendência transforma a música em uma simples mercadoria. Para ele, a gratuidade banaliza a arte, reduzindo o valor simbólico e financeiro do trabalho dos artistas.

“Não é por dinheiro. É por respeito à música como expressão artística.” — Oliver Schusser

Esse posicionamento dialoga diretamente com reivindicações recentes das editoras musicais, que têm se manifestado contra a queda nos pagamentos de royalties, em parte causada por mudanças nas políticas de serviços como o Spotify.

O impacto de audiolivros e podcasts

O descontentamento das editoras também se intensificou com a inclusão de audiolivros e podcasts premium nos pacotes tradicionais de música de plataformas rivais. O resultado, segundo os críticos, foi a diluição da receita gerada exclusivamente pela música, afetando diretamente os repasses aos criadores.

Spotify na linha de fogo

Modelo freemium sob escrutínio

O Spotify lidera o modelo chamado freemium, em que o usuário tem acesso gratuito ao catálogo, mas com inserções publicitárias. A empresa argumenta que esse modelo ajuda a atrair usuários que eventualmente migram para planos pagos.

No entanto, a fala de Schusser reforça um crescente ceticismo quanto à sustentabilidade e ética desse modelo, especialmente entre os profissionais que dependem da música como fonte de renda.

Reação do mercado

Embora o Spotify não tenha se manifestado diretamente sobre os comentários de Schusser até o momento, especialistas do setor observam que a crítica pode estimular mudanças estruturais na forma como os serviços são oferecidos, ou, no mínimo, pressionar por ajustes nos repasses a artistas e editoras.

O debate sobre royalties

Um problema antigo, agora agravado

As tensões entre plataformas de streaming e o setor musical não são novas. Desde o início da era digital, compositores e editoras reclamam dos baixos valores pagos por execução. A questão se agravou com o crescimento do streaming gratuito, em que os royalties são ainda menores.

Schusser, ao se posicionar de forma contundente, ecoa um sentimento latente: a percepção de que o modelo atual favorece as plataformas em detrimento dos artistas.

Pressão regulatória e judicial

Recentemente, processos judiciais nos Estados Unidos e na União Europeia têm questionado a distribuição de lucros e contratos com criadores. A fala de um executivo da Apple pode acelerar discussões regulatórias e influenciar políticas públicas sobre o setor.

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As alternativas no mercado

Amazon Music e o dilema do conteúdo adicional

Além do Spotify, o Amazon Music também foi alvo de críticas veladas. O serviço expandiu seu conteúdo com audiolivros e podcasts premium, sem que houvesse um aumento proporcional no pagamento a artistas.

Esse tipo de “combo cultural” acaba redistribuindo a receita de forma desigual, favorecendo o consumo diversificado, mas penalizando os músicos.

Modelos alternativos pagos ganham força

Serviços como Tidal e Qobuz, que priorizam qualidade de som e pagamento justo a artistas, podem ganhar tração com a crítica da Apple, embora ainda tenham participação de mercado limitada.

O futuro do streaming de música

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Imagem: kovop / shutterstock.com

Uma possível mudança de paradigma

A crítica de Oliver Schusser não se limita a um desabafo: ela pode marcar o início de uma nova fase na indústria do streaming, em que a pressão pela valorização da música levará a mudanças profundas nos modelos de negócio.

Consumidores dispostos a pagar por qualidade?

Pesquisas recentes apontam que, embora o conteúdo gratuito ainda tenha apelo, uma parcela crescente dos consumidores valoriza experiências premium — sem anúncios, com melhor curadoria e mais respeito aos criadores.

A Apple aposta nessa tendência ao recusar adotar uma versão gratuita, mesmo que isso limite sua base de usuários em comparação com os rivais.

Conclusão

A fala de Oliver Schusser reacendeu um debate fundamental sobre o valor da música em tempos digitais. Em um mercado saturado por opções gratuitas e modelos híbridos, a postura da Apple levanta a questão: estamos, como sociedade, desvalorizando a arte ao consumi-la sem pagar por ela?

Se depender do Apple Music, a resposta é clara: a música tem valor — e deve ser paga.

Enquanto as plataformas ajustam suas estratégias para agradar tanto usuários quanto artistas, o futuro do streaming musical permanece em aberto. Mas uma coisa é certa: o setor não será mais o mesmo após esse posicionamento firme da Apple.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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