A China habilitou oficialmente cento e oitenta e três empresas brasileiras de café para exportar ao país asiático. O anúncio foi feito pela Embaixada da China no Brasil e marca um passo significativo nas relações comerciais entre os dois países.
China abre mercado para 183 exportadoras brasileiras de café
China habilita 183 exportadoras brasileiras de café a vender para o país, medida entra em vigor no mesmo dia em que os EUA impõem tarifa.
A decisão foi comunicada nas redes sociais da representação diplomática chinesa no Brasil. A publicação destacou o crescente interesse dos chineses pelo café e o potencial de expansão desse mercado, que atualmente ainda apresenta um consumo per capita muito inferior à média global.
Expansão em meio a tensões com os EUA

Nova habilitação coincide com tarifa sobre o café nos EUA
O anúncio chinês ocorreu no mesmo dia em que o governo norte-americano, liderado por Donald Trump, formalizou uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro exportado para os Estados Unidos. A tarifa não se aplica a outros itens relevantes do comércio entre Brasil e Estados Unidos, como suco de laranja, combustíveis e minerais.
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EUA ainda são o principal destino
| País importador | Volume exportado (sacas de 60 kg) | Participação relativa |
|---|---|---|
| Estados Unidos | 3.316.287 | Principal destino (≈ 6 vezes mais) |
| China | 529.709 | Décimo destino |
Potencial de crescimento do mercado chinês
Consumo ainda é modesto, mas em expansão
Segundo dados divulgados pela Embaixada chinesa, o consumo per capita de café na China é de apenas 16 xícaras por ano, muito abaixo da média mundial de 240 xícaras. Apesar disso, o mercado está em crescimento constante.
Entre 2020 e 2024, as importações líquidas de café pela China aumentaram em mais de 13 mil toneladas, reflexo do interesse crescente do público urbano jovem pelo produto. As cafeterias internacionais e locais têm se multiplicado nas grandes cidades chinesas, contribuindo para esse novo padrão de consumo.
Oportunidade para diversificação das exportações
A habilitação das 183 empresas pode representar uma importante porta de entrada para o café brasileiro no continente asiático. O Ministério da Agricultura e o próprio Cecafé ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o impacto da medida, mas especialistas veem com otimismo a possibilidade de expansão.
Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), vinculado à USP, o redirecionamento das exportações exigirá agilidade logística e inteligência comercial por parte dos produtores e exportadores brasileiros.
Impactos do tarifaço nos EUA
Café fora da lista de exceções
A Ordem Executiva assinada por Trump deixou de fora o café da lista de aproximadamente 700 produtos brasileiros isentos da nova tarifa. Com isso, a taxa de 50% sobre o produto passa a valer a partir de 6 de agosto de 2025.
A reação do Cecafé foi imediata. Em nota divulgada após o anúncio, a entidade afirmou que seguirá em negociações para tentar incluir o café entre os produtos isentos, buscando preservar o fluxo comercial com o maior comprador do produto brasileiro.
Exportadores devem buscar novos mercados
Diante da nova barreira comercial com os EUA, os exportadores brasileiros terão que se adaptar rapidamente. O Cepea ressalta que, além da China, outros mercados como Alemanha, Japão, Coreia do Sul e países do Oriente Médio podem absorver parte da produção antes destinada aos americanos.
Brasil continua líder mundial na produção

Qualidade e diversidade da produção nacional
O Brasil continua liderando a produção e exportação global de café, com forte atuação de estados como MG, ES, SP e BA. A variedade de tipos, métodos e perfis sensoriais fortalece a posição do produto no mercado internacional.
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Com a recente liberação para exportar à China, as empresas precisarão cumprir critérios rigorosos de qualidade e sanidade, o que pode estimular avanços na produção, controle e rastreabilidade da cadeia cafeeira brasileira.
Rota comercial com a Ásia pode se fortalecer
A criação de rotas comerciais específicas, investimentos em portos e parcerias bilaterais podem fortalecer esse novo fluxo de exportação.
FAQ — Perguntas frequentes
Por que a China está interessada no café brasileiro?
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café e oferece variedade, qualidade e volume de produção. A China, por sua vez, vive um crescimento constante no consumo da bebida, especialmente entre jovens urbanos, o que cria um ambiente propício para essa parceria comercial.
A medida pode influenciar o preço do café no mercado interno?
Ainda é cedo para prever impactos diretos sobre os preços no mercado interno. Contudo, se a demanda externa crescer significativamente, pode haver pressão de valorização nos preços internacionais, o que tende a influenciar também o mercado doméstico.
Considerações finais
Se bem aproveitada, essa habilitação poderá consolidar um novo eixo de escoamento do café brasileiro, reduzindo a dependência de mercados tradicionais e ampliando a presença do país no comércio mundial de alimentos e bebidas premium.
