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China abre mercado para 183 exportadoras brasileiras de café

China habilita 183 exportadoras brasileiras de café a vender para o país, medida entra em vigor no mesmo dia em que os EUA impõem tarifa.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Café pilão

A China habilitou oficialmente cento e oitenta e três empresas brasileiras de café para exportar ao país asiático. O anúncio foi feito pela Embaixada da China no Brasil e marca um passo significativo nas relações comerciais entre os dois países.

A decisão foi comunicada nas redes sociais da representação diplomática chinesa no Brasil. A publicação destacou o crescente interesse dos chineses pelo café e o potencial de expansão desse mercado, que atualmente ainda apresenta um consumo per capita muito inferior à média global.

Expansão em meio a tensões com os EUA

café china
Imagem: Bilahata-Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Nova habilitação coincide com tarifa sobre o café nos EUA

O anúncio chinês ocorreu no mesmo dia em que o governo norte-americano, liderado por Donald Trump, formalizou uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro exportado para os Estados Unidos. A tarifa não se aplica a outros itens relevantes do comércio entre Brasil e Estados Unidos, como suco de laranja, combustíveis e minerais.

Leia mais: Brasil registra triplicação nas vendas de terras raras para a China em 2025

EUA ainda são o principal destino

País importadorVolume exportado (sacas de 60 kg)Participação relativa
Estados Unidos3.316.287Principal destino (≈ 6 vezes mais)
China529.709Décimo destino

Potencial de crescimento do mercado chinês

Consumo ainda é modesto, mas em expansão

Segundo dados divulgados pela Embaixada chinesa, o consumo per capita de café na China é de apenas 16 xícaras por ano, muito abaixo da média mundial de 240 xícaras. Apesar disso, o mercado está em crescimento constante.

Entre 2020 e 2024, as importações líquidas de café pela China aumentaram em mais de 13 mil toneladas, reflexo do interesse crescente do público urbano jovem pelo produto. As cafeterias internacionais e locais têm se multiplicado nas grandes cidades chinesas, contribuindo para esse novo padrão de consumo.

Oportunidade para diversificação das exportações

A habilitação das 183 empresas pode representar uma importante porta de entrada para o café brasileiro no continente asiático. O Ministério da Agricultura e o próprio Cecafé ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o impacto da medida, mas especialistas veem com otimismo a possibilidade de expansão.

Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), vinculado à USP, o redirecionamento das exportações exigirá agilidade logística e inteligência comercial por parte dos produtores e exportadores brasileiros.

Impactos do tarifaço nos EUA

Café fora da lista de exceções

A Ordem Executiva assinada por Trump deixou de fora o café da lista de aproximadamente 700 produtos brasileiros isentos da nova tarifa. Com isso, a taxa de 50% sobre o produto passa a valer a partir de 6 de agosto de 2025.

A reação do Cecafé foi imediata. Em nota divulgada após o anúncio, a entidade afirmou que seguirá em negociações para tentar incluir o café entre os produtos isentos, buscando preservar o fluxo comercial com o maior comprador do produto brasileiro.

Exportadores devem buscar novos mercados

Diante da nova barreira comercial com os EUA, os exportadores brasileiros terão que se adaptar rapidamente. O Cepea ressalta que, além da China, outros mercados como Alemanha, Japão, Coreia do Sul e países do Oriente Médio podem absorver parte da produção antes destinada aos americanos.

Brasil continua líder mundial na produção

Café
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Qualidade e diversidade da produção nacional

O Brasil continua liderando a produção e exportação global de café, com forte atuação de estados como MG, ES, SP e BA. A variedade de tipos, métodos e perfis sensoriais fortalece a posição do produto no mercado internacional.

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Com a recente liberação para exportar à China, as empresas precisarão cumprir critérios rigorosos de qualidade e sanidade, o que pode estimular avanços na produção, controle e rastreabilidade da cadeia cafeeira brasileira.

Rota comercial com a Ásia pode se fortalecer

A criação de rotas comerciais específicas, investimentos em portos e parcerias bilaterais podem fortalecer esse novo fluxo de exportação.

FAQ — Perguntas frequentes

Por que a China está interessada no café brasileiro?

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café e oferece variedade, qualidade e volume de produção. A China, por sua vez, vive um crescimento constante no consumo da bebida, especialmente entre jovens urbanos, o que cria um ambiente propício para essa parceria comercial.

A medida pode influenciar o preço do café no mercado interno?

Ainda é cedo para prever impactos diretos sobre os preços no mercado interno. Contudo, se a demanda externa crescer significativamente, pode haver pressão de valorização nos preços internacionais, o que tende a influenciar também o mercado doméstico.

Considerações finais

Se bem aproveitada, essa habilitação poderá consolidar um novo eixo de escoamento do café brasileiro, reduzindo a dependência de mercados tradicionais e ampliando a presença do país no comércio mundial de alimentos e bebidas premium.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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