O Brasil está no centro de uma profunda transformação em seu sistema financeiro, marcada pela ascensão de tecnologias como o Pix, o Drex, a moeda digital do Banco Central, e o avanço do Open Finance. A combinação dessas inovações não apenas reposiciona o país na vanguarda da digitalização bancária, mas também aproxima o modelo brasileiro da revolução tecnológica promovida pela China, que consolidou plataformas como o Alipay como referência mundial.
Pix e Drex mostram como o Brasil se inspira na revolução financeira da China
Pix, Drex e Open Finance mostram como o Brasil segue modelo chinês e transforma serviços financeiros com tecnologia.
O que antes parecia um experimento audacioso, agora se revela como um caminho inevitável: reduzir custos, ampliar o acesso e integrar serviços financeiros ao cotidiano da população. Segundo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o Brasil está desenvolvendo uma nova infraestrutura digital sustentada em três pilares: Pix 2.0, Drex e Open Finance.
“Não se trata apenas de uma moeda digital, mas de um novo ambiente transacional”, afirmou Galípolo durante a abertura do Febraban Tech 2025, realizado em junho.
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Alipay como referência global

O modelo que inspira o Brasil vem de longe. Lançado em 2004, o Alipay é muito mais que uma simples carteira digital. A plataforma chinesa se consolidou como um ecossistema financeiro completo, com funções que vão desde pagamentos e transferências até investimentos, seguros, compras em lojas físicas e online, recarga de transporte público e emissão de boletos.
Com mais de 1 bilhão de usuários ativos, o Alipay se tornou parte central da vida econômica chinesa e uma referência de como tecnologia e finanças podem caminhar lado a lado, criando experiências integradas, ágeis e seguras. É esse modelo de “superapp financeiro” que o Brasil começa a replicar, de forma gradual e adaptada à sua realidade regulatória.
Pix 2.0: mais funcionalidades, mais inclusão
Lançado em 2020, o Pix transformou completamente a forma como os brasileiros lidam com pagamentos. A ferramenta gratuita e instantânea, desenvolvida pelo Banco Central, já registra recordes de uso, com mais de 227 milhões de transações em um único dia em 2025.
Agora, o Pix 2.0 amplia suas funcionalidades:
- Pix Automático: ideal para pagamentos recorrentes, como contas de luz ou mensalidades.
- Pix por Aproximação: dispensa a abertura de aplicativo, agilizando ainda mais as transações.
- Pix Parcelado: previsto para setembro de 2025.
- Pix como garantia de crédito: projetado para ser implementado entre 2026 e 2027.
Essas inovações abrem as portas para mais de 60 milhões de brasileiros sem cartão de crédito aderirem a serviços digitais com praticidade e segurança, promovendo inclusão financeira em larga escala.
Drex: o real digital e os contratos inteligentes
O Drex, versão digital do real, é a grande aposta do Banco Central para a próxima fase da revolução financeira brasileira. A moeda digital deve operar por meio de tecnologia blockchain, permitindo não apenas pagamentos, mas também liquidação de contratos inteligentes, tokenização de ativos e investimentos fracionados.
Esse novo sistema tornará possível, por exemplo, que um pequeno investidor compre uma fração de um título imobiliário ou participe de fundos de investimento com valores baixos — algo até então restrito a clientes de alta renda.
Além disso, o Drex poderá facilitar a interoperabilidade entre bancos, fintechs e corretoras, reduzindo custos operacionais e aumentando a competitividade no setor.
Open Finance: autonomia e personalização
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O Open Finance completa o tripé da nova infraestrutura financeira. A proposta é simples, mas poderosa: dar ao consumidor total controle sobre seus dados financeiros e permitir que ele compartilhe essas informações com outras instituições para buscar produtos mais vantajosos — como crédito com juros mais baixos ou investimentos personalizados.
Na prática, isso quebra o monopólio das grandes instituições sobre o histórico bancário dos clientes, incentivando a competição entre bancos e fintechs, o que deve levar a melhores taxas, serviços mais inteligentes e maior transparência.
Esse modelo também dialoga com os princípios adotados na China, onde as plataformas digitais têm papel central na oferta de produtos financeiros sob medida, baseados no comportamento e nas preferências dos usuários.
Desafios no caminho da revolução

Apesar dos avanços, o Brasil enfrenta desafios regulatórios e institucionais. O sucesso de iniciativas como o Drex depende de atualizações legislativas, como a PEC 65/2023, que amplia o escopo de atuação do Banco Central e moderniza sua estrutura diante do novo cenário digital.
Além disso, há um desafio cultural: as instituições financeiras precisarão se comunicar de maneira mais clara e acessível com a população, como ressaltou Gabriel Galípolo.
Outro ponto crucial será a segurança cibernética, que deve ser constantemente reforçada para proteger os dados e os ativos dos usuários em um ambiente totalmente digital.
Com informações de: Exame
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