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STF: China se posiciona contra sanções e reforça apoio ao Brasil

China critica sanções dos EUA a Moraes e defende Brasil. Embaixador Qiu Xiaoqi reforça apoio ao multilateralismo e ao Sul Global.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
Fraudes isenção

O embaixador da China para assuntos da América Latina, Qiu Xiaoqi, criticou duramente as sanções impostas pelo governo de Donald Trump contra autoridades brasileiras, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, punido sob a Lei Magnitsky.

Em entrevista concedida no dia 9 de setembro de 2025, em Pequim, o diplomata afirmou que a China é contra “qualquer tipo de interferência em assuntos internos de outros países” e destacou que Brasil e China continuarão unidos na construção de um sistema internacional “mais justo e democrático”.

A declaração ocorre em um momento de forte tensão diplomática entre Brasília e Washington, após o governo republicano ampliar a lista de sanções a autoridades brasileiras, sob justificativa de violação de direitos e supostos abusos de poder.

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Imagem: Antônio Cruz/Agência Brasil

Posição da China contra sanções unilaterais

Defesa do multilateralismo

Segundo Qiu Xiaoqi, a China tem como princípio histórico a oposição ao unilateralismo e à hegemonia internacional:

“Nós nos opomos ao unilateralismo e promovemos o multilateralismo. Nós nos opomos à hegemonia e à interferência nos assuntos domésticos por quaisquer outros países”, afirmou o embaixador.

O diplomata reiterou que a China seguirá alinhada ao Brasil e a outros países do Sul Global, buscando ampliar a cooperação política e econômica dentro de blocos como os BRICS e a ONU.

Lei Magnitsky e seus efeitos no Brasil

A Lei Magnitsky, originalmente criada pelos EUA para punir violações de direitos humanos, tem sido usada pelo governo Trump para atingir autoridades de países considerados adversários ou críticos de sua política externa. No caso brasileiro, o ministro Alexandre de Moraes foi incluído na lista sob acusação de abuso de autoridade, algo que o governo brasileiro classificou como “interferência inaceitável”.

Relação China-Brasil em foco

Duas mãos se cumprimentando, enquanto cada uma ilustra as bandeiras do Brasil e da China
Imagem: Prehistorik e Fit Ztudio / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Parceria estratégica consolidada

Durante a entrevista, Qiu destacou que China e Brasil não são apenas parceiros comerciais, mas também “fortes apoiadores e amigos do multilateralismo”. O diplomata lembrou que o Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina, com trocas que superam US$ 150 bilhões anuais, e que Pequim vê em Brasília um aliado estratégico para contrabalançar a influência dos EUA na região.

Integração do Sul Global

O embaixador ressaltou ainda que a China busca aprofundar o diálogo político e econômico com países emergentes, reforçando a narrativa de uma nova ordem internacional baseada em cooperação, soberania e multipolaridade.

Esse discurso é recorrente na política externa chinesa e tem ganhado força diante das recentes sanções aplicadas por Washington a diversos países, entre eles Rússia, Venezuela e agora o Brasil.

Reações no Brasil e no cenário internacional

Governo brasileiro ganha fôlego diplomático

O posicionamento chinês foi recebido como um gesto de solidariedade pelo governo brasileiro, que busca apoio internacional para contestar as sanções. A parceria estratégica com a China fortalece a posição de Brasília, especialmente em fóruns multilaterais.

Washington mantém postura rígida

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Enquanto isso, os EUA mantêm a narrativa de que as sanções são “necessárias” para proteger princípios democráticos e coibir abusos de poder. Analistas avaliam que a postura de Trump visa também pressionar o Brasil em negociações comerciais e em votações na ONU.

Impactos nas relações internacionais

O episódio reforça a polarização entre EUA e China no cenário global. Para especialistas, o Brasil se encontra em uma posição sensível, mas também estratégica, podendo tirar proveito da disputa entre as duas potências para ampliar parcerias e diversificar alianças.

Multilateralismo como bandeira chinesa

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Imagem: rafapress / shutterstock.com

Cooperação em organismos internacionais

A China tem defendido reiteradamente o fortalecimento de organismos multilaterais como a ONU, a Organização Mundial do Comércio (OMC) e os próprios BRICS como alternativas ao que considera uma política de sanções arbitrárias dos EUA.

Para Pequim, as punições unilaterais fragilizam a ordem internacional e criam instabilidade geopolítica, enquanto o diálogo entre países em desenvolvimento pode fortalecer a soberania nacional e o crescimento econômico equilibrado.

Brasil como aliado central no BRICS

No âmbito dos BRICS, o Brasil é considerado peça-chave para consolidar a influência chinesa na América Latina. Com a ampliação do bloco e a criação de mecanismos como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), a China busca oferecer alternativas de financiamento e cooperação econômica fora da órbita de Washington e de instituições como o FMI e o Banco Mundial.

Imagem: Freepik/Slon

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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