No Líbano, somente neste ano, mais de uma dúzia de bancos sofreram tentativas peculiares de roubo. Isso porque o objetivo dos assaltantes era pegar seu próprio dinheiro, detido pelo governo libanês por causa da crise econômica que vive o país. Os cidadãos do Líbano estão proibidos por lei de fazerem saques superiores a 400 dólares (R$ 2.140) por mês.
Cidadãos deste país roubaram bancos para recuperar o próprio dinheiro
Cidadãos do Líbano roubaram bancos para recuperar o próprio dinheiro; o país vive crise econômica grave desde 2019.
Em vídeo divulgado pela BBC, uma mulher libanesa aparece com uma arma de brinquedo enquanto invade um banco em busca do próprio dinheiro. Os clientes, sem saberem se tratar de uma arma falsa, se desesperam. A mulher, Sali Hafiz, conseguiu retirar 13 mil dólares da conta da família, mas, após a fuga, se entregou à polícia.
Em entrevista, Hafiz conta que sua irmã está com câncer e precisa de dinheiro para tratamentos urgentes. Ela pediu desculpas por ter assustado as pessoas e alegou que o roubo foi resultado de um ato desesperado. Ela reconhece que cometeu um crime, mas vê no drama familiar que vive uma justificativa para o assalto. “Como isso se compara ao desespero, à raiva e à tristeza que sinto todos os dias por saber que minha irmã está morrendo?”, questiona.
A crise dos bancos no Líbano
O Líbano passa por uma crise financeira severa desde o ano de 2019. Foi por conta da situação econômica frágil pela qual passa o país que os libaneses tiveram seu dinheiro preso no banco. O valor que os cidadãos podem retirar mensalmente não deve ultrapassar os 400 dólares (R$ 2.140).
O presidente do conselho do Blom Bank, Saad Azhari, disse à BBC que o uso da violência e da força para obter dinheiro deve ser condenado em qualquer situação. Ele ainda ressaltou que o Líbano é um Estado de direito e que a necessidade do cumprimento das leis não pode ser ignorada. Ainda assim, ele admite entender o sentimento de revolta da população.
Eu consigo entender a raiva deles. E também estamos irritados com a situação. Em primeiro lugar, sem dúvidas, a responsabilidade é dos políticos deste país.
Saad Azhari, presidente do conselho do Blom Bank
Imagem: RomanR/shutterstock.com
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