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Nubank vê avaliações mais cautelosas de grandes bancos

Entenda os motivos que levaram Citi e BofA a rebaixarem as ações do Nubank e como o mercado avalia os riscos e oportunidades da fintech.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
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As ações do Nubank passaram a enfrentar um momento de maior cautela por parte de grandes instituições financeiras globais. Nos últimos dias, tanto o Citigroup quanto o Bank of America revisaram suas recomendações para os papéis da fintech, levantando preocupações sobre crescimento, qualidade do crédito e mudanças na liderança executiva.

Apesar das avaliações mais conservadoras, o mercado segue dividido. Enquanto alguns analistas enxergam riscos crescentes para a companhia, outros acreditam que a recente queda das ações já incorporou boa parte dessas preocupações.

Entender os argumentos de cada lado ajuda investidores e observadores do setor financeiro a compreenderem os desafios que o Nubank enfrenta em sua nova fase de expansão.

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O que mudou na avaliação do Citi

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O Citi rebaixou a recomendação das ações do Nubank de “compra” para “neutra”. Além disso, reduziu o preço-alvo dos papéis de US$ 18 para US$ 13.

A principal preocupação da instituição está relacionada à forte dependência da fintech em produtos de crédito para sustentar seu crescimento e sua rentabilidade.

Segundo a análise, aproximadamente 60% da receita média por cliente ativo (ARPAC) do Nubank está ligada a operações de crédito. Isso significa que uma parcela relevante dos resultados da empresa depende diretamente da capacidade de expandir empréstimos e cartões sem comprometer a qualidade da carteira.

Para o Citi, esse modelo cria um desafio importante: desacelerar a concessão de crédito pode prejudicar o crescimento da receita, mas continuar expandindo rapidamente pode elevar riscos de inadimplência.

O impacto do crédito consignado privado

Outro ponto destacado pelo banco é a expansão do crédito consignado privado no Brasil.

Esse tipo de empréstimo possui desconto direto na folha de pagamento, reduzindo o risco para as instituições financeiras que o oferecem. Porém, à medida que mais trabalhadores comprometem parte da renda com consignados, sobra menos espaço no orçamento para honrar outros compromissos financeiros.

Na avaliação do Citi, isso pode pressionar especialmente produtos considerados mais arriscados, como:

  • Cartões de crédito;
  • Empréstimos pessoais sem garantia;
  • Linhas de crédito destinadas a clientes de menor renda.

Como o Nubank possui forte presença justamente nesses segmentos, o banco considera que a fintech pode estar mais exposta aos efeitos desse movimento.

Redução das projeções de lucro

O Citi também revisou para baixo suas estimativas financeiras para os próximos anos.

As projeções de lucro líquido passaram para:

  • US$ 3,7 bilhões em 2026;
  • US$ 4,4 bilhões em 2027.

Além disso, houve redução nas expectativas para o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), indicador amplamente utilizado para medir a eficiência dos bancos.

O banco agora projeta um ROE sustentável próximo de 25%, abaixo dos 30% estimados anteriormente.

O que o ROE indica para investidores

O ROE mede quanto lucro uma empresa consegue gerar a partir dos recursos investidos pelos acionistas.

Em instituições financeiras, um ROE elevado costuma ser interpretado como sinal de eficiência operacional e capacidade de gerar valor ao longo do tempo.

A redução dessa projeção sugere que o Citi enxerga um cenário de crescimento mais desafiador para o Nubank, especialmente diante da expansão internacional e das mudanças nas condições de crédito.

Por que o Bank of America também reduziu sua recomendação

O Bank of America adotou uma postura ainda mais conservadora.

A instituição rebaixou as ações do Nubank para “underperform”, classificação utilizada quando se espera um desempenho abaixo da média do mercado.

Além disso, reduziu seu preço-alvo de US$ 16 para US$ 10.

Mudanças na liderança preocupam o mercado

Um dos fatores que pesaram na decisão foi a troca do diretor financeiro da companhia.

O americano Rob Livingston assumiu o cargo de CFO em substituição a Guilherme Lago, que ocupava a posição desde 2021.

Embora o BofA reconheça a experiência do executivo — com passagens por empresas como a Visa e a Capital One — o banco considera que o momento da mudança gerou incertezas.

A preocupação aumenta quando observada a quantidade de alterações recentes na alta gestão da fintech.

Nos últimos anos, também deixaram a companhia executivos responsáveis por áreas estratégicas como:

  • Operações;
  • Produtos;
  • Tecnologia;
  • Gestão de risco de crédito.

Para os analistas, mudanças frequentes podem reduzir a previsibilidade da execução da estratégia corporativa.

Qualidade dos ativos e margens sob pressão

O Bank of America também demonstrou preocupação com a deterioração dos indicadores de crédito.

Entre os fatores observados estão:

  • Aumento das provisões para perdas;
  • Pressão sobre margens ajustadas ao risco;
  • Menor visibilidade sobre o crescimento dos lucros futuros.

Mesmo reconhecendo a força da marca Nubank, sua ampla base de clientes e o baixo custo de aquisição, o banco entende que a relação entre risco e retorno ficou menos favorável.

Por que alguns analistas continuam otimistas com o Nubank

Apesar das revisões negativas, nem todos os especialistas compartilham da mesma visão.

O Bradesco BBI mantém uma avaliação mais positiva sobre a fintech.

Segundo seus analistas, a queda acumulada das ações nos últimos meses pode ter sido excessiva e já refletiria boa parte dos riscos apontados pelo mercado.

A visão dos investidores otimistas

Os analistas favoráveis ao Nubank destacam alguns argumentos:

  • Forte crescimento da base de clientes;
  • Elevada capacidade de monetização;
  • Marca consolidada no setor financeiro digital;
  • Espaço para expansão de produtos;
  • Potencial de crescimento internacional.

Na avaliação do Bradesco BBI, a reação negativa à troca do CFO pode ter sido exagerada, especialmente considerando a experiência do novo executivo.

Além disso, parte do aumento das provisões seria explicada por fatores sazonais e não necessariamente por uma deterioração estrutural da carteira de crédito.

A aposta na expansão internacional

Outro tema que divide opiniões é a estratégia de crescimento fora da América Latina.

O Nubank tem sinalizado interesse em ampliar sua presença internacional, com foco inicial nos Estados Unidos.

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Para alguns investidores, essa movimentação representa uma oportunidade relevante de expansão.

Para outros, trata-se de um projeto que exige investimentos elevados e pode pressionar resultados no curto prazo.

O desafio será equilibrar crescimento e rentabilidade enquanto a empresa busca conquistar espaço em mercados altamente competitivos.

O que diz o Morgan Stanley

O Morgan Stanley mantém uma visão mais construtiva sobre o futuro da fintech.

Após reuniões com executivos da empresa e investidores nos Estados Unidos, o banco destacou que o Nubank acredita entrar nos próximos anos com mais oportunidades de crescimento do que possui atualmente.

A administração da companhia sustenta que o aumento recente das provisões está relacionado principalmente ao crescimento da operação e à composição da carteira, e não a um problema estrutural de qualidade dos ativos.

Além disso, o banco destaca que o mercado brasileiro ainda oferece amplo potencial de monetização.

O diferencial competitivo do Nubank

Mesmo diante das preocupações recentes, o modelo de negócios da fintech continua sendo apontado como uma de suas principais vantagens competitivas.

Entre os diferenciais mais frequentemente citados estão:

  • Estrutura operacional enxuta;
  • Forte presença digital;
  • Baixo custo de aquisição de clientes;
  • Escalabilidade tecnológica;
  • Capacidade de atender clientes de massa com rentabilidade.

Esse modelo permitiu ao Nubank desafiar bancos tradicionais e conquistar milhões de clientes em poucos anos.

O que os investidores devem observar daqui para frente

Nubank
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Os próximos trimestres serão decisivos para confirmar qual das visões prevalecerá no mercado.

Entre os principais indicadores que devem ser acompanhados estão:

Evolução da inadimplência

A qualidade da carteira de crédito continuará sendo um dos fatores mais observados pelos analistas.

Crescimento da rentabilidade

A capacidade de manter margens saudáveis enquanto amplia a concessão de crédito será fundamental.

Resultados da expansão internacional

Os investimentos fora da América Latina precisarão demonstrar potencial de retorno consistente.

Estabilidade da liderança

Após diversas mudanças na alta administração, o mercado buscará sinais de continuidade e previsibilidade na gestão.

Conclusão

O rebaixamento das ações do Nubank por Citi e Bank of America evidencia que o mercado passou a enxergar riscos maiores na trajetória da fintech, especialmente em relação ao crédito, à rentabilidade e às mudanças na liderança.

Por outro lado, instituições como Bradesco BBI e Morgan Stanley continuam destacando a força da marca, o potencial de crescimento e a capacidade da empresa de expandir sua monetização no Brasil e em novos mercados.

O cenário atual mostra que o Nubank permanece como uma das empresas mais observadas do setor financeiro latino-americano, mas agora sob um escrutínio maior quanto à sua capacidade de equilibrar crescimento acelerado e sustentabilidade de resultados no longo prazo.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

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Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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