A queda da taxa Selic para 13,75% ao ano reduz um pouco o rendimento das aplicações pós-fixadas, mas não tira a renda fixa do centro das atenções. Tesouro Selic, CDB, LCI e LCA continuam oferecendo retornos elevados em termos nominais, sobretudo quando comparados à poupança.
A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em setembro de 2026. O corte de 0,25 ponto percentual deu continuidade ao processo de redução dos juros, depois de a taxa ter chegado a 14% ao ano.
Para o investidor, a pergunta prática é direta: quanto o dinheiro rende agora? A resposta depende do produto, do percentual do CDI oferecido, do prazo, da cobrança de Imposto de Renda e da possibilidade de resgate antecipado.
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Selic a 13,75% não significa ganho líquido de 13,75%

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela influencia o custo do crédito, o controle da inflação e o retorno de grande parte dos investimentos de renda fixa.
Quando o Banco Central reduz a taxa, aplicações ligadas à Selic ou ao CDI passam a acumular rendimentos em ritmo um pouco menor. Isso afeta especialmente o Tesouro Selic e os CDBs, LCIs e LCAs pós-fixados.
Ainda assim, o investidor não deve interpretar os 13,75% como um rendimento líquido garantido. Há pelo menos quatro diferenças importantes:
- o CDI costuma ficar ligeiramente abaixo da Selic;
- a taxa pode mudar novamente durante os 12 meses;
- Tesouro Selic e CDB sofrem cobrança de Imposto de Renda;
- taxas, prazos e condições variam conforme o produto e a instituição.
Por isso, qualquer cálculo para os próximos 12 meses é uma simulação, e não uma promessa de retorno.
Quanto rendem R$ 10 mil com a Selic a 13,75%
Para facilitar a comparação, a simulação considera um investimento único de R$ 10 mil mantido por 12 meses. Foi adotado CDI de 13,65% ao ano, aproximadamente 0,10 ponto percentual abaixo da Selic.
Também foi considerada a alíquota de 17,5% de Imposto de Renda sobre o lucro do Tesouro Selic e dos CDBs, aplicável aos resgates realizados entre 361 e 720 dias. LCI e LCA permanecem isentas de IR para a pessoa física nas condições previstas em lei.
| Investimento | Hipótese usada | Saldo estimado após 12 meses | Ganho estimado |
|---|---|---|---|
| Poupança | 0,5% ao mês, sem projetar a TR | R$ 10.616,78 + TR | R$ 616,78 + TR |
| Tesouro Selic | retorno próximo de 13,65% ao ano | R$ 11.126,13 | R$ 1.126,13 |
| CDB | 100% do CDI | R$ 11.126,13 | R$ 1.126,13 |
| CDB | 105% do CDI | R$ 11.182,43 | R$ 1.182,43 |
| LCI ou LCA | 90% do CDI | R$ 11.228,50 | R$ 1.228,50 |
| LCI ou LCA | 93% do CDI | R$ 11.269,45 | R$ 1.269,45 |
Os números são aproximações. A rentabilidade efetiva muda se a Selic cair novamente, se o percentual contratado for diferente ou se houver custos não considerados. No Tesouro Selic, o preço de compra, o pequeno ágio ou deságio do título e eventuais taxas também influenciam o resultado.
Por que a LCI ou LCA pode render mais mesmo pagando menos CDI
Uma LCI ou LCA a 90% do CDI parece menos rentável que um CDB a 100% do CDI. Porém, a comparação muda quando o imposto entra na conta.
No CDB mantido por pouco mais de um ano, 17,5% do lucro fica com a Receita Federal. Já o rendimento da LCI e da LCA é isento para a pessoa física. Assim, uma letra que pague 90% do CDI pode superar um CDB que pague 100% do CDI no mesmo prazo.
Usando apenas a alíquota de 17,5%, um CDB a 100% do CDI entrega o equivalente a aproximadamente 82,5% do CDI após o imposto. Essa conta simplificada ajuda a comparar ofertas com prazos semelhantes.
Não basta, contudo, escolher a maior taxa. A LCI ou LCA pode exigir que o dinheiro permaneça aplicado até o vencimento, enquanto determinados CDBs oferecem liquidez diária.
Como funciona o rendimento do Tesouro Selic
O Tesouro Selic é um título público federal. Na prática, o investidor empresta dinheiro ao governo e recebe uma remuneração ligada à taxa básica de juros.
O produto é considerado a alternativa de menor risco de crédito em reais porque o pagamento é responsabilidade do Tesouro Nacional. Também costuma ser utilizado para reserva de emergência por permitir o resgate em dias úteis.
Seu rendimento acompanha a Selic acumulada entre a compra e o resgate, acrescida de uma pequena taxa contratada no momento do investimento. O preço pode apresentar oscilações discretas antes do vencimento, mas elas tendem a ser muito menores que as observadas em títulos prefixados ou ligados à inflação.
Imposto e taxa de custódia reduzem o valor final
O Tesouro Selic segue a tabela regressiva do Imposto de Renda:
- até 180 dias: 22,5% sobre o rendimento;
- de 181 a 360 dias: 20%;
- de 361 a 720 dias: 17,5%;
- acima de 720 dias: 15%.
O imposto incide somente sobre o lucro, não sobre o valor investido. Se uma aplicação de R$ 10 mil gerar R$ 1 mil de rendimento, a tributação será calculada sobre esses R$ 1 mil.
Também existe a taxa de custódia da B3. No Tesouro Selic, há isenção sobre os primeiros R$ 10 mil mantidos por CPF; a cobrança alcança apenas o que superar esse limite, conforme as regras vigentes. A instituição financeira ainda pode cobrar uma taxa própria, embora muitas corretoras ofereçam taxa zero.
Se o resgate ocorrer antes de 30 dias, também há Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) regressivo sobre o rendimento. A cobrança diminui diariamente e zera no 30º dia.
CDB pode pagar mais, mas é preciso avaliar o banco
O Certificado de Depósito Bancário, ou CDB, é emitido por bancos para captar dinheiro. Em troca, a instituição remunera o investidor por um período definido.
Nos CDBs pós-fixados, o rendimento geralmente aparece como um percentual do CDI. Um produto a 100% do CDI acompanha integralmente essa referência; outro a 105% paga 5% a mais que a variação do indicador, e não cinco pontos percentuais adicionais.
Com CDI hipotético de 13,65% ao ano, um CDB a 105% do CDI teria rentabilidade bruta aproximada de 14,33% ao ano caso a taxa permanecesse constante. Depois do IR de 17,5% sobre o lucro, R$ 10 mil chegariam a cerca de R$ 11.182,43 em 12 meses.
Liquidez e segurança fazem diferença
Um CDB com liquidez diária permite solicitar o resgate antes do vencimento. Esse tipo é útil para a reserva de emergência, desde que a instituição informe claramente quando o dinheiro ficará disponível.
CDBs com taxas mais altas podem exigir permanência até o vencimento. Sacar antes pode ser impossível ou depender de venda no mercado secundário, sem garantia de preservar a rentabilidade prometida.
O CDB conta com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitado o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ contra a mesma instituição ou conglomerado. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em garantias recebidas a cada período de quatro anos.
Essa proteção não elimina a necessidade de avaliar o emissor. Além disso, o limite inclui o valor aplicado e os rendimentos acumulados.
LCI e LCA ganham força por causa da isenção
A Letra de Crédito Imobiliário, LCI, financia atividades ligadas ao setor imobiliário. A Letra de Crédito do Agronegócio, LCA, direciona recursos ao agronegócio.
Para o investidor, ambas funcionam de maneira parecida. O banco emite o título, define prazo e remuneração e devolve o dinheiro conforme as condições contratadas.
A principal vantagem continua sendo a isenção de Imposto de Renda sobre o rendimento para pessoas físicas. Isso explica por que uma LCI ou LCA com percentual menor do CDI pode entregar mais dinheiro líquido que um CDB.
Na simulação, uma LCI ou LCA a 93% do CDI faria R$ 10 mil chegarem a aproximadamente R$ 11.269,45 depois de 12 meses. Como não há IR, o rendimento bruto coincide com o líquido, desconsideradas outras condições da oferta.
O ponto de atenção é a liquidez. Muitas letras possuem carência ou só permitem o resgate no vencimento. Antes de aplicar, o investidor precisa conferir por quanto tempo o dinheiro ficará indisponível.
LCI e LCA também estão entre os produtos cobertos pelo FGC, dentro dos mesmos limites aplicáveis aos CDBs.
Poupança muda com a queda da Selic?
Enquanto a Selic permanecer acima de 8,5% ao ano, a regra básica da poupança continua sendo de 0,5% ao mês mais Taxa Referencial, a TR. Portanto, a redução de 14% para 13,75% não altera diretamente a fórmula.
Sem considerar a TR, R$ 10 mil passariam para aproximadamente R$ 10.616,78 em 12 meses. O saldo efetivo será maior porque a TR deve ser acrescentada, mas o índice varia e não pode ser conhecido antecipadamente com precisão.
A poupança não cobra Imposto de Renda da pessoa física e tem cobertura do FGC. Também oferece facilidade de resgate, mas possui uma particularidade: o rendimento é creditado na chamada data de aniversário. Quem retirar o dinheiro antes dessa data perde a remuneração daquele ciclo mensal sobre o valor sacado.
Mesmo com a TR, a poupança tende a render menos que investimentos pós-fixados competitivos enquanto os juros permanecerem elevados.
Corte da Selic deve fazer a renda fixa perder atratividade?
A queda reduz o retorno futuro, mas não transforma a renda fixa em uma alternativa ruim. Uma taxa de 13,75% ao ano ainda é alta, especialmente para quem busca previsibilidade, liquidez ou menor oscilação.
O efeito também não acontece de uma só vez em todos os produtos. Títulos prefixados e ligados ao IPCA contratados anteriormente seguem suas regras. Já os pós-fixados passam a acompanhar o novo nível de juros diariamente.
Se o Banco Central fizer novos cortes, Tesouro Selic, CDBs e letras pós-fixadas renderão progressivamente menos. Por outro lado, títulos prefixados adquiridos com taxas elevadas podem se valorizar no mercado, embora também apresentem risco de perda se forem vendidos antes do vencimento.
Por que os juros subiram nos Estados Unidos
Na mesma semana da decisão brasileira, o Federal Reserve elevou a faixa dos juros americanos em 0,25 ponto percentual, para 3,75% a 4% ao ano. Os dois bancos centrais, portanto, caminharam em direções opostas.
Juros mais altos nos Estados Unidos tornam os títulos americanos mais atraentes e podem aumentar a procura global por dólares. Para países emergentes, isso pode pressionar o câmbio e dificultar cortes mais rápidos de juros.
Não existe uma relação automática em que uma alta americana impeça qualquer redução da Selic. O Banco Central brasileiro observa um conjunto mais amplo de fatores, incluindo inflação, atividade econômica, expectativas, contas públicas e comportamento do real.
Para quem investe em renda fixa no Brasil, a mensagem é que o caminho da Selic ainda pode mudar. Uma piora do câmbio ou da inflação pode reduzir o espaço para novos cortes; uma desaceleração consistente dos preços pode permitir a continuidade do ciclo.
Qual investimento escolher com a Selic em 13,75%
A melhor aplicação não é necessariamente a que mostra o maior saldo na tabela. O produto precisa combinar com o prazo e a finalidade do dinheiro.
Para reserva de emergência
Tesouro Selic e CDB com liquidez diária são opções comuns. O investidor deve conferir o horário de resgate, o prazo de liquidação e a segurança da instituição.
Dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento não deve ficar preso em uma LCI ou LCA sem liquidez.
Para um objetivo com data definida
CDB, LCI e LCA com vencimento alinhado à data do objetivo podem oferecer taxas melhores. É indispensável confirmar se haverá possibilidade de resgate antecipado e quais serão as consequências.
Para comparar CDB com LCI ou LCA
Compare sempre o rendimento líquido. Um CDB pode anunciar percentual maior do CDI e terminar com saldo menor por causa do imposto.
Também verifique prazo, liquidez, emissor e cobertura do FGC. Uma diferença pequena de rentabilidade pode não compensar deixar o dinheiro preso por muito mais tempo.
O que o investidor deve fazer agora
Quem já possui aplicações pós-fixadas não precisa correr para resgatar apenas porque a Selic caiu 0,25 ponto percentual. O corte reduz um pouco a velocidade do rendimento, mas resgates antecipados podem gerar imposto maior, perda de condições contratadas ou dificuldade para encontrar produto equivalente.
Antes de investir ou trocar de aplicação, vale seguir quatro passos:
- Definir quando o dinheiro será usado.
- Separar a reserva de emergência dos objetivos de médio e longo prazo.
- Comparar rentabilidade líquida, liquidez, risco e garantia.
- Ler as condições do produto antes de confirmar a aplicação.
Com a Selic em 13,75%, ainda há boas oportunidades na renda fixa. A escolha mais adequada depende menos de perseguir a maior taxa e mais de encontrar o equilíbrio entre retorno, segurança e disponibilidade do dinheiro.
Perguntas frequentes sobre a Selic a 13,75%

Quanto rendem R$ 10 mil no Tesouro Selic em um ano?
Em uma simulação com retorno próximo de 13,65% ao ano e IR de 17,5% sobre o lucro, R$ 10 mil chegariam a aproximadamente R$ 11.126,13. O resultado real depende da trajetória da Selic e das condições do título.
Quanto rende um CDB a 105% do CDI?
Com CDI constante em 13,65% ao ano, um CDB a 105% teria retorno bruto aproximado de 14,33%. Após IR de 17,5% sobre o lucro, R$ 10 mil resultariam em cerca de R$ 11.182,43 em 12 meses.
LCI e LCA ainda são isentas de Imposto de Renda?
Sim. Pelas regras vigentes, os rendimentos de LCI e LCA continuam isentos de IR para pessoas físicas. O investidor deve verificar as condições e a legislação aplicáveis na data da contratação.
A poupança rende menos quando a Selic cai para 13,75%?
A fórmula não muda enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano. Nesse cenário, a poupança continua rendendo 0,5% ao mês mais TR.
É melhor investir em CDB ou LCI?
Depende da taxa líquida, do prazo e da liquidez. A LCI pode render mais por ser isenta de IR, mas um CDB com liquidez diária pode ser mais adequado para dinheiro que precisa permanecer acessível.
A renda fixa é garantida pelo governo?
Somente títulos públicos, como o Tesouro Selic, são obrigações do Tesouro Nacional. CDB, LCI e LCA são emitidos por instituições financeiras e podem contar com a cobertura do FGC dentro dos limites estabelecidos.
