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Por que o Citi diz para ter cautela com o Banco do Brasil?

Citi corta preço-alvo das ações do Banco do Brasil de R$ 27 para R$ 23 e recomenda cautela com lucros incertos e riscos no agronegócio.

Bianca BorgesPor Bianca Borges7 min de leitura
banco do brasil BB

Em relatório divulgado no final de junho de 2025, o banco norte-americano Citi reduziu o preço-alvo das ações do Banco do Brasil (BBAS3) de R$ 27 para R$ 23, mesmo mantendo a recomendação neutra.

A decisão acende um sinal de alerta para investidores e analistas sobre os desafios enfrentados pela instituição financeira, especialmente em relação ao crédito para o setor do agronegócio — que representa 35% da carteira total de empréstimos do banco.

A seguir, analisamos em detalhes os motivos que levaram à decisão do Citi, os riscos associados ao agronegócio, o impacto sobre os lucros projetados e o que isso pode significar para os acionistas e para o mercado de ações brasileiro.

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Avaliação do Citi sobre o Banco do Brasil

banco do brasil
Imagem: Freepik e Canva

Corte no preço-alvo e recomendação neutra

Apesar da manutenção da recomendação neutra, o Citi optou por reduzir o preço-alvo das ações BBAS3 de R$ 27 para R$ 23, representando um potencial de valorização de apenas 6,5%.

Segundo os analistas, esse ajuste reflete preocupações com a visibilidade dos lucros futuros da instituição, além de incertezas macroeconômicas que afetam diretamente um dos principais pilares do portfólio de crédito do banco: o agronegócio.

A equipe responsável pela análise

O relatório foi assinado pelos analistas Gustavo Schroden, Brian Flores, Gabriel Barra e Pedro Gama, que vêm acompanhando de perto a performance do banco e seu posicionamento em setores estratégicos da economia brasileira.

O agronegócio como ponto de atenção

Importância do segmento na carteira de crédito

O agronegócio responde por aproximadamente 35% da carteira de crédito do Banco do Brasil.

Esse número representa um crescimento significativo de 10 pontos percentuais desde 2014, evidenciando a crescente exposição do banco a um setor que, apesar de vital para a economia brasileira, está sujeito a uma série de riscos sazonais, climáticos e econômicos.

Principais produtos e regiões atendidas

A maior parte dos recursos destinados ao agronegócio pelo BB tem como destino investimentos de produtores, com destaque para os segmentos de carne e soja. Regionalmente, o Centro-Oeste lidera como principal beneficiário desses créditos, com cerca de 34% da distribuição, seguido pelo Sudeste.

Empresas de médio e grande porte dominam

Outro ponto relevante é que cerca de 68% dos empréstimos são concedidos a médias e grandes empresas, o que sugere uma concentração de risco em players mais robustos do setor, mas também mais expostos às variações do mercado internacional e às políticas econômicas domésticas.

Riscos identificados pelo Citi

Três fatores de preocupação

Os analistas do Citi identificaram três fatores principais que afetam negativamente o desempenho da carteira de crédito para o agronegócio:

1. Menor produtividade das safras anteriores

A queda na produtividade agrícola nos últimos ciclos gerou pressão sobre o fluxo de caixa de muitos produtores, reduzindo sua capacidade de honrar empréstimos e comprometendo novos financiamentos.

2. Juros elevados e inadimplência (NPLs)

O patamar ainda elevado da taxa básica de juros (Selic) impacta o custo do crédito e eleva a inadimplência (Non-Performing Loans, ou NPLs). Mesmo com expectativas de redução gradual da Selic, o ambiente continua desafiador.

3. Spreads bancários menores

Os spreads — diferença entre o custo de captação do banco e a taxa cobrada nos empréstimos — estão mais baixos, comprimindo a margem de lucro da instituição. Essa combinação de fatores prejudica a rentabilidade da carteira, segundo o Citi.

Projeções revistas de lucro

Com base nessas incertezas, o Citi reduziu em 12% a projeção de lucro do Banco do Brasil para 2025 e em 14% para 2026. Mesmo com sinais de melhora na produtividade agrícola, a recuperação da rentabilidade do segmento só deve ocorrer mais consistentemente no fim de 2026, alertam os analistas.

O contexto macroeconômico brasileiro

Inflação e juros ainda em foco

Embora a inflação esteja desacelerando, o Banco Central ainda adota uma postura cautelosa com relação aos cortes na Selic. Essa manutenção dos juros em patamar elevado continua dificultando a concessão de crédito, em especial para o setor agrícola, fortemente dependente de financiamento.

Pressões fiscais e cenário político

Além disso, o ambiente fiscal segue desafiador, com o governo tentando cumprir metas ambiciosas dentro do novo arcabouço fiscal. Qualquer instabilidade nas contas públicas pode afetar a percepção de risco e o apetite por crédito.

Volatilidade do mercado internacional

A dependência do Brasil de exportações agrícolas também o torna vulnerável a choques externos — como conflitos geopolíticos, variações nos preços das commodities e mudanças nas políticas comerciais de grandes economias, como China e Estados Unidos.

O que significa recomendação neutra?

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A recomendação neutra do Citi indica que, embora a ação não seja considerada um risco iminente, também não apresenta atrativos suficientes para compra no momento. Ou seja, o banco não enxerga, neste cenário, um catalisador forte o bastante para justificar um movimento de alta significativo no papel.

Comparação com outras instituições financeiras

Na análise setorial, o Banco do Brasil continua sendo uma das instituições com valuation mais barato entre os grandes bancos brasileiros.

No entanto, os riscos do setor e as incertezas quanto à lucratividade reduzem seu apelo frente a concorrentes como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), que possuem carteiras mais diversificadas e menor exposição ao agronegócio.

Repercussão no mercado e comportamento das ações

Reação dos investidores

Após o anúncio do corte no preço-alvo, o papel BBAS3 registrou leve recuo na bolsa, refletindo a cautela dos investidores. A ação, que vinha operando próxima aos R$ 22, mostrou resistência em superar a barreira dos R$ 23, sugerindo que o mercado já precificava parte das incertezas apontadas pelo Citi.

Volume de negociações e fluxo estrangeiro

Apesar da recomendação neutra, o volume de negociações segue robusto, com presença de investidores institucionais e estrangeiros, que veem no papel uma opção de renda variável ainda atrativa frente aos juros elevados da renda fixa.

Perspectivas para investidores e acionistas

Imagem: Google Maps
Imagem: Google Maps

O que fazer com ações do BBAS3?

Para quem já possui ações do Banco do Brasil, a recomendação é de cautela e monitoramento constante dos indicadores operacionais e do setor agrícola. A capacidade de reação do banco frente aos desafios macroeconômicos e climáticos será decisiva para preservar sua lucratividade e valor de mercado.

Vale a pena comprar agora?

Para novos investidores, o atual momento exige uma análise aprofundada do perfil de risco. O valuation atrativo pode representar uma oportunidade de entrada no longo prazo, desde que o investidor esteja disposto a enfrentar eventuais oscilações até 2026.

O papel dos dividendos

O Banco do Brasil tem histórico consistente de distribuição de dividendos, o que pode compensar parte da cautela no curto prazo. Ainda assim, a manutenção dessa política dependerá da saúde financeira da instituição nos próximos trimestres.

Conclusão

O corte no preço-alvo das ações BBAS3 pelo Citi reforça a necessidade de prudência dos investidores frente às incertezas no agronegócio, que hoje responde por mais de um terço da carteira de crédito do Banco do Brasil.

Embora o valuation do papel seja considerado atrativo, os desafios operacionais e macroeconômicos podem limitar o desempenho no curto e médio prazo. Para quem investe ou pretende investir, o momento é de cautela, análise profunda e foco no longo prazo.

Acompanhar os desdobramentos desse cenário será essencial para tomar decisões financeiras conscientes. Fique atento aos próximos resultados trimestrais do banco e às atualizações das agências de análise.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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