O telefone toca, a ligação é atendida e ninguém responde. Em outras situações, uma gravação oferece um produto que o consumidor nunca procurou ou um suposto atendente tenta obter informações pessoais. Essa rotina, conhecida por milhões de brasileiros, levou as operadoras a investir em sistemas capazes de barrar chamadas antes mesmo que elas cheguem ao celular.
A Claro começou a comunicar aos clientes de telefonia móvel a implantação de seu mecanismo gratuito contra ligações abusivas. Batizada de Claro Chamada Segura, a ferramenta analisa o comportamento dos números que originam grandes volumes de chamadas e pode bloquear aqueles associados a spam, possíveis fraudes ou uso inadequado da rede.
A proteção é ativada automaticamente, sem necessidade de baixar um aplicativo. Clientes que não quiserem participar poderão solicitar a desativação, modelo chamado de opt-out.
A novidade segue diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, e aproxima a Claro da Vivo, que já oferece um serviço semelhante. A TIM também trabalha no desenvolvimento de sua própria solução.
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O que é o Claro Chamada Segura?

O Claro Chamada Segura é um mecanismo criado para identificar e bloquear chamadas consideradas suspeitas ou abusivas antes que elas cheguem ao telefone do cliente.
A análise ocorre dentro da rede da operadora. Isso significa que o consumidor não precisa instalar um aplicativo de terceiros, configurar uma lista de números nem manter o aparelho conectado à internet para receber a proteção.
Quando o sistema identifica uma ligação que atende aos critérios de bloqueio, a chamada pode ser interrompida na própria infraestrutura da Claro. Em muitos casos, o celular do cliente nem chega a tocar.
A operadora informou que a tecnologia foi desenvolvida internamente. Os critérios completos usados para classificar e bloquear os números, entretanto, ainda não foram detalhados publicamente.
O sistema pode considerar padrões como grande quantidade de ligações, baixa proporção de chamadas atendidas, contatos muito curtos e comportamento semelhante ao de centrais automáticas.
Quem terá direito ao bloqueio gratuito?
A regra da Anatel determina que, quando uma operadora adota um mecanismo próprio de bloqueio automático, ele deve ser disponibilizado gratuitamente para toda a sua base de consumidores.
Assim, a proteção deve alcançar clientes da Claro nas principais modalidades de telefonia móvel:
- Pré-pago;
- Controle;
- Pós-pago;
- Planos individuais;
- Planos familiares;
- Linhas elegíveis de pessoas físicas e jurídicas.
O consumidor não precisa contratar um pacote adicional nem pagar mensalidade específica pelo recurso. Também não deve ser obrigado a mudar de plano para permanecer protegido.
A ativação ocorre por padrão. Na prática, o cliente é incluído automaticamente e somente precisa tomar alguma providência se não quiser utilizar o mecanismo.
Dados recentes da Anatel apontavam aproximadamente 279,2 milhões de acessos móveis no Brasil em julho de 2026. Esse número representa o mercado brasileiro como um todo, considerando todas as operadoras, e não apenas os clientes da Claro.
É necessário ativar o serviço?
A princípio, não. A Claro começou a enviar mensagens aos clientes informando que a proteção seria disponibilizada automaticamente.
Esse modelo é conhecido como opt-out. Nele, o consumidor é incluído por padrão, mas mantém o direito de solicitar a retirada quando desejar.
A escolha segue o Despacho Decisório nº 82/2026 da Anatel. A norma exige que a ativação seja feita sem cobrança adicional para toda a base e que o cliente seja avisado previamente sobre o funcionamento e os efeitos da ferramenta.
Quem quiser continuar com a proteção não deverá precisar responder ao SMS nem clicar em um link para confirmar a participação.
Como desativar o bloqueio?
A comunicação enviada pela Claro informa que o cliente poderá pedir a desativação por meio do endereço disponibilizado no SMS.
Antes de acessar qualquer link, é importante conferir cuidadosamente o remetente. Criminosos podem aproveitar a divulgação do serviço para enviar mensagens falsas imitando a operadora.
O cliente que não se sentir seguro deve procurar os canais oficiais da Claro. A solicitação de saída precisa ser simples, gratuita e acessível, conforme as determinações da Anatel.
A operadora também deverá permitir que o consumidor volte a ativar o mecanismo futuramente. O pedido de desativação ou reativação não pode gerar cobrança nem exigir a contratação de outro produto.
Como o bloqueio acontece sem instalar um aplicativo?
Para compreender a diferença, imagine o caminho percorrido por uma ligação. Antes de chegar ao aparelho do destinatário, ela passa pela infraestrutura das empresas de telecomunicações.
É durante esse percurso que a ferramenta pode analisar o comportamento do número de origem. Se a chamada for classificada como abusiva pelos critérios adotados, a rede impede que ela avance até o celular.
Um aplicativo antispam comum atua depois que a ligação já chegou ao aparelho. Ele consulta uma base de dados e mostra um alerta na tela, como “spam”, “venda” ou “possível fraude”. Dependendo da configuração, também pode silenciar ou rejeitar o contato.
No serviço da operadora, o bloqueio pode acontecer antes dessa etapa. Por isso, o telefone nem sempre toca e o usuário pode não visualizar a tentativa na lista convencional de chamadas.
O serviço funciona em qualquer celular?
Como a filtragem acontece na rede, a proteção não depende de um smartphone avançado. Em princípio, ela pode funcionar até mesmo em aparelhos simples, desde que a linha esteja incluída na solução.
Também não é necessário manter os dados móveis ligados. A análise não ocorre dentro do telefone, mas na infraestrutura da operadora.
Isso representa uma vantagem para idosos, crianças e pessoas que não têm familiaridade com aplicativos de segurança.
Quais chamadas podem ser bloqueadas?
O foco da ferramenta não é impedir toda ligação feita por uma empresa. O objetivo é reconhecer padrões associados a chamadas em massa, possíveis fraudes e uso abusivo do serviço telefônico.
Uma central que dispara milhares de ligações, mas tem poucas chamadas atendidas, pode apresentar um comportamento suspeito. O mesmo vale para números que realizam contatos repetidos de duração muito curta.
Entre os elementos que podem ser considerados pelas operadoras estão:
- Volume de chamadas originadas;
- Quantidade de contatos de curtíssima duração;
- Tempo médio das ligações;
- Proporção de chamadas efetivamente atendidas;
- Frequência das tentativas;
- Atividade econômica relacionada ao número;
- Comportamentos associados a fraudes;
- Uso automatizado ou irregular da rede.
A Anatel não definiu um número único de chamadas a partir do qual o bloqueio deve ocorrer. Cada operadora pode desenvolver sua tecnologia e estabelecer critérios próprios, desde que siga as salvaguardas e obrigações previstas pela agência.
No caso da Claro, ainda não foram apresentados publicamente todos os parâmetros usados pelo sistema.
Toda chamada de telemarketing será bloqueada?
Não. O Claro Chamada Segura não deve ser entendido como uma garantia de que nenhuma oferta comercial chegará ao telefone.
O mecanismo procura identificar chamadas abusivas a partir de padrões técnicos. Uma empresa que realiza poucas ligações, utiliza números diferentes ou não demonstra comportamento massivo pode escapar do filtro.
Além disso, nem toda chamada indesejada é necessariamente classificada como abusiva. Uma ligação comercial feita dentro das regras pode não preencher os critérios de bloqueio automático.
Por outro lado, o sistema pode alcançar chamadas que não seriam barradas pela plataforma Não Me Perturbe, como determinados disparos fraudulentos ou operações massivas realizadas por empresas não participantes do cadastro.
As duas ferramentas podem ser usadas de forma complementar.
Qual é a diferença para o Não Me Perturbe?
O Não Me Perturbe depende de um cadastro feito pelo consumidor. A plataforma permite bloquear ofertas de serviços de telecomunicações e de crédito consignado realizadas pelas empresas participantes.
Depois da solicitação, o bloqueio pode levar até 30 dias para ser efetivado. A medida não impede toda espécie de contato empresarial.
Continuam permitidas, por exemplo, ligações relacionadas a:
- Cobranças;
- Confirmação de dados;
- Prevenção a fraudes;
- Retenção de pedido de portabilidade;
- Contatos que não sejam ofertas comerciais abrangidas;
- Empresas e segmentos que não participam da plataforma.
Já o Claro Chamada Segura atua automaticamente sobre padrões de chamadas massivas considerados abusivos. O cliente não precisa cadastrar previamente o número para receber essa proteção.
Uma ferramenta, portanto, não substitui a outra. O consumidor pode permanecer com a proteção da operadora e também cadastrar sua linha no Não Me Perturbe.
O serviço é igual ao identificador de spam do celular?
Não exatamente. Alguns aparelhos Android e iPhones oferecem recursos próprios para identificar ou silenciar chamadas desconhecidas. Aplicativos de telefone e soluções externas também mantêm bancos de dados alimentados por denúncias dos usuários.
Esses recursos normalmente atuam no aparelho. A ligação chega à linha, mas pode ser identificada, silenciada ou rejeitada conforme a configuração escolhida.
O serviço da Claro atua na rede. A análise acontece antes de a chamada alcançar o telefone, sem depender do sistema operacional ou de uma ferramenta instalada pelo cliente.
O consumidor pode usar os dois tipos de proteção ao mesmo tempo. Ainda assim, é recomendável revisar as configurações do celular para evitar que contatos legítimos sejam silenciados por engano.
A ferramenta pode bloquear uma ligação importante?
Nenhum sistema automático é completamente livre de erros. Uma empresa legítima que realiza um grande volume de ligações pode apresentar características parecidas com as de uma operação abusiva.
Por essa razão, a Anatel determinou a criação de salvaguardas. Números vinculados a serviços essenciais e de utilidade pública, como segurança pública, bombeiros, defesa civil e serviços de saúde, devem receber tratamento protegido.
Empresas ou instituições que tenham seus números bloqueados também poderão contestar a decisão. A operadora deverá manter um canal específico para analisar esses pedidos.
Segundo as regras da Anatel, a prestadora terá até dez dias corridos para responder ou efetuar o desbloqueio quando concluir que o número não se enquadra nos critérios ou merece um tratamento diferenciado.
Para o consumidor, o principal cuidado é observar se ligações esperadas deixaram de chegar. Quem aguarda contato de uma empresa, hospital, laboratório, escola ou processo seletivo pode informar um número alternativo ou pedir que o contato seja feito também por mensagem ou e-mail.
Por que a Anatel criou regras para esses sistemas?
As ligações abusivas se transformaram em um problema nacional. Desde 2022, a Anatel adota medidas para reduzir contatos em massa, robocalls e chamadas de curta duração.
Robocall é o nome usado para ligações realizadas automaticamente por sistemas. Muitas dessas chamadas servem apenas para verificar se uma linha está ativa e se alguém atende. Depois, o número pode ser incluído em outras campanhas comerciais ou tentativas de fraude.
Desde junho de 2024, a agência considera chamadas curtas aquelas com duração de até seis segundos, independentemente de o desligamento ocorrer na origem ou no destino.
De acordo com o balanço divulgado pela Anatel, as ações adotadas nos últimos anos evitaram mais de 248 bilhões de chamadas aos consumidores. Também foram realizados mais de 1.200 bloqueios de empresas e aplicados quase R$ 40 milhões em multas.
O Despacho Decisório nº 82/2026 estabeleceu regras comuns para mecanismos próprios criados pelas operadoras. O objetivo é permitir inovação, mas impedir cobranças adicionais, tratamento discriminatório ou bloqueios sem possibilidade de contestação.
O que muda em relação ao serviço da Vivo?
A Vivo oferece uma solução semelhante, o Vivo Anti Spam, que analisa as chamadas na rede e bloqueia ligações consideradas inconvenientes. O serviço está disponível gratuitamente nas linhas móveis da operadora e também dispensa a instalação de aplicativos.
A entrada da Claro amplia esse modelo no mercado brasileiro. Em vez de apenas indicar na tela que uma ligação pode ser spam, as prestadoras passam a impedir determinados contatos antes que o aparelho toque.
A TIM também desenvolve uma ferramenta para enfrentar chamadas abusivas. A tendência é que os mecanismos antispam passem a fazer parte da infraestrutura das principais operadoras.
Cada empresa, no entanto, pode utilizar tecnologia e critérios diferentes. Uma ligação bloqueada na rede de uma prestadora não será necessariamente barrada por outra.
O bloqueio elimina o risco de golpes por telefone?
Não. O mecanismo reduz a exposição, mas não garante que todas as chamadas fraudulentas serão identificadas.
Criminosos mudam constantemente de número e de estratégia. Eles também podem realizar um volume menor de contatos para evitar os padrões reconhecidos pelos sistemas automáticos.
Por isso, os cuidados básicos continuam necessários:
- Não informe senhas ou códigos recebidos por SMS;
- Não instale aplicativos indicados por desconhecidos;
- Não faça transferências durante uma ligação;
- Não confie apenas no número exibido na tela;
- Desligue e procure o canal oficial da empresa;
- Desconfie de ameaças e pedidos urgentes;
- Não permita acesso remoto ao celular;
- Evite confirmar dados pessoais desnecessariamente.
Bancos e operadoras não pedem que o cliente transfira dinheiro para uma “conta segura”. Esse tipo de solicitação é um sinal clássico de fraude.
Recebeu um SMS da Claro? Veja os cuidados
A própria ativação do serviço pode virar pretexto para golpes. Uma mensagem falsa pode afirmar que o cliente precisa confirmar o bloqueio, atualizar o cadastro ou pagar uma pequena taxa para manter a proteção.
O consumidor deve lembrar que o serviço é gratuito e sua ativação ocorre automaticamente. Não é necessário informar senha bancária, número completo do cartão ou código de segurança.
Antes de clicar em qualquer endereço:
- Confira o remetente;
- Observe se há erros de português;
- Não instale arquivos;
- Não forneça dados financeiros;
- Procure a informação nos canais oficiais da Claro;
- Em caso de dúvida, não acesse o link.
Se o cliente não quiser participar, poderá buscar o atendimento da operadora em vez de usar um link recebido por mensagem.
Vale a pena manter o serviço ativado?
Para a maioria dos consumidores, a proteção pode ser útil. Ela é gratuita, funciona diretamente na rede e não exige instalação ou configuração constante.
O principal benefício é reduzir interrupções causadas por chamadas repetitivas. Também pode diminuir a exposição a tentativas de fraude realizadas em grande escala.
O ponto de atenção é a possibilidade de um contato legítimo ser classificado incorretamente. Quem depende frequentemente de ligações originadas por centrais, como pacientes aguardando exames ou candidatos esperando contato de empresas, deve acompanhar outros canais de comunicação.
Como a participação pode ser desativada, cada cliente poderá avaliar o comportamento da ferramenta no dia a dia. Se nenhuma chamada importante for afetada, manter o recurso ligado tende a oferecer uma camada adicional de proteção.
O que o cliente da Claro deve fazer agora?
Quem deseja usar o Claro Chamada Segura não precisa contratar o serviço nem baixar um aplicativo. A ativação será feita automaticamente pela operadora, com comunicação prévia ao cliente.
Depois disso, basta observar se houve redução nas ligações repetitivas. Também vale manter o cadastro no Não Me Perturbe e usar os recursos de identificação disponíveis no próprio aparelho.
O serviço não acabará sozinho com todas as chamadas indesejadas, mas representa uma mudança importante: parte do problema passa a ser enfrentada dentro da rede, antes que o telefone toque.
Perguntas frequentes

O Claro Chamada Segura é gratuito?
Sim. O mecanismo deve ser disponibilizado sem cobrança adicional aos clientes móveis da Claro.
Preciso instalar algum aplicativo?
Não. A filtragem ocorre diretamente na rede da operadora e não depende de um aplicativo instalado no celular.
O serviço será ativado automaticamente?
Sim. Os clientes serão incluídos por padrão. Quem não quiser utilizar a ferramenta poderá solicitar a desativação.
Clientes pré-pagos também terão acesso?
A regra da Anatel determina que a solução adotada pela operadora seja oferecida gratuitamente para toda a base de consumidores, sem limitar a proteção aos planos pós-pagos.
O celular deixará de receber todas as ligações de telemarketing?
Não. A ferramenta procura bloquear chamadas identificadas como massivas ou abusivas. Algumas ofertas comerciais ainda poderão chegar ao aparelho.
O serviço substitui o Não Me Perturbe?
Não. O Não Me Perturbe bloqueia ofertas das empresas e dos setores participantes após o cadastro do consumidor. O serviço da Claro analisa padrões abusivos diretamente na rede.
É possível desativar a proteção?
Sim. O consumidor pode optar por não utilizar o mecanismo. A solicitação deve ser simples, acessível e gratuita.
Uma ligação legítima pode ser bloqueada?
Existe essa possibilidade, embora as regras estabeleçam salvaguardas e canais de contestação. Serviços essenciais e de utilidade pública devem receber proteção especial.
