O Conselho Monetário Nacional (CMN) prepara um novo aperto nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em meio às liquidações bilionárias envolvendo instituições ligadas ao Banco Master. A movimentação ocorre após mudanças já aprovadas em janeiro e sinaliza que o governo e o Banco Central pretendem reforçar a governança e a transparência do sistema de garantias bancárias.
FGC mais rígido? Veja o que o governo planeja mudar após liquidações de bancos
Após rombo bilionário ligado ao Master, CMN quer rever regras do FGC. Entenda o que pode mudar.
O debate ganhou força depois que o FGC teve que arcar com mais de R$ 40 bilhões apenas no caso Master, elevando o total estimado de reembolsos para cerca de R$ 51,8 bilhões considerando outras instituições associadas ao conglomerado.
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O que mudou nas regras do FGC em janeiro
Em janeiro, o CMN aprovou alterações no estatuto social e no regulamento do FGC. Entre os principais pontos:
Ampliação de suporte em situações adversas
Passou a ser possível ampliar o suporte à transferência de controle ou de ativos e passivos de instituições associadas, desde que o Banco Central do Brasil reconheça uma situação conjuntural adversa.
Na prática, isso dá mais instrumentos para evitar colapsos desordenados e proteger depositantes.
Proteção jurídica à administração do Fundo
O estatuto passou a prever cobertura de despesas ou responsabilidades decorrentes de atos regulares de gestão praticados de boa-fé pela administração do FGC. A mudança alinha o Brasil ao Core Principle 5 – Legal Protection da International Association of Deposit Insurers (IADI).
Esse alinhamento busca reforçar a segurança jurídica dos gestores e reduzir riscos de judicialização.
Pagamentos mais rápidos e transparentes
O pacote também modernizou etapas operacionais, com:
- Regras mais claras para envio e correção de informações
- Maior transparência sobre instrumentos cobertos por instituição
- Esclarecimento sobre limites e atualização de valores
- Prazo máximo de três dias para início dos pagamentos após recebimento formal da base de dados do liquidante
Essa última mudança é especialmente relevante para investidores que aguardam ressarcimento.
O “efeito Master” e o impacto no sistema
O endurecimento das regras ocorre após a liquidação do Banco Master e de outras sete instituições ligadas ao grupo do banqueiro Daniel Vorcaro.
Os números estimados são expressivos:
- Banco Master: R$ 40,6 bilhões
- Outras instituições ligadas: total aproximado de R$ 51,8 bilhões
Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro afirmou que o modelo de negócios do banco era “100% baseado no FGC”, defendendo que a estratégia estava dentro das regras vigentes.
A declaração acendeu alertas no mercado sobre possível uso intensivo do sistema de garantias como parte central da estratégia de captação.
O que pode mudar agora
O diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, afirmou em evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) que a autarquia avalia incluir novas revisões nas regras do FGC ainda este ano ou no início de 2027.
Entre os temas em discussão:
- Revisão de regras estruturais do Fundo
- Definição de regras para distribuição de títulos
- Maior transparência na remuneração de intermediários
O Banco Central está colhendo sugestões de instituições financeiras para construir uma proposta que seja técnica e, ao mesmo tempo, bem recebida pelo mercado.
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Pressão do Ministério Público junto ao TCU
O Tribunal de Contas da União (TCU) também entrou no debate. O Ministério Público junto ao Tribunal enviou ofício ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, solicitando revisão dos critérios de gestão e utilização do FGC.
Na avaliação do subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, o modelo atual pode ter permitido distorções e comprometido a confiança no sistema.
O argumento central é que o FGC deve atuar como mecanismo de proteção sistêmica — e não como peça estrutural de modelos de negócios altamente dependentes da garantia.
O que isso significa para investidores
Para o correntista comum, nada muda no curto prazo: o limite de cobertura continua em R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição.
No entanto, a revisão pode impactar:
- Estratégias de captação de bancos médios
- Remuneração de CDBs e outros títulos
- Nível de risco assumido por investidores
Um eventual endurecimento pode reduzir práticas consideradas agressivas de captação, mas também pode alterar a dinâmica de juros oferecidos por instituições menores.
O FGC continua sólido?
Segundo dados públicos, o FGC possui cerca de R$ 125 bilhões em patrimônio. Mesmo com desembolsos bilionários recentes, o Fundo segue operando dentro de sua função institucional.
Ainda assim, o episódio Master é considerado o maior teste da história recente do mecanismo de garantia brasileiro.
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(Foto: Adobe Stock)
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