O Ministério dos Transportes avalia uma mudança significativa nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A proposta em análise prevê a redução do número mínimo de aulas práticas obrigatórias para apenas duas horas, ambas realizadas no período noturno. A medida surge como uma alternativa à eliminação total da exigência de aulas práticas — pauta defendida pelo ministro Renan Filho.
Governo avalia exigir 2 horas de aula prática noturna para tirar a primeira CNH
Governo estuda reduzir para duas as horas de aula prática obrigatórias para tirar a primeira CNH. Entenda a proposta!
Nova proposta para a formação de motoristas

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Atualmente, o processo para obtenção da CNH categoria B (carros) exige 45 horas de aulas teóricas e 20 horas práticas, conforme as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). No caso das motocicletas, também são requeridas 20 horas de prática.
Com a nova proposta, os candidatos fariam somente duas horas práticas obrigatórias, realizadas à noite, antes de realizar o exame final. A ideia, segundo fontes do Ministério, é simplificar o processo, reduzir custos e permitir maior liberdade ao cidadão na escolha de como se preparar para o teste.
Contexto político e econômico da medida
A discussão sobre a obrigatoriedade das aulas práticas não é nova. O ministro Renan Filho vem defendendo uma reforma no processo de habilitação desde que assumiu o cargo, argumentando que o sistema atual é burocrático e onera desnecessariamente o cidadão.
A bandeira do ministro Renan Filho
Renan Filho tem declarado que o modelo de formação de condutores no Brasil “precisa ser repensado” e que o foco deve estar na qualidade da prova prática e teórica, e não na quantidade de aulas.
Em entrevistas recentes, o ministro afirmou que o objetivo é tornar o processo mais acessível e manter o rigor nos exames, garantindo que apenas motoristas realmente capacitados recebam a habilitação.
Aprovação via Contran ainda em 2025
A proposta deve ser formalizada por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o que dispensa a aprovação do Congresso Nacional. A expectativa do Ministério é que, caso a mudança seja aprovada, as novas regras passem a valer ainda em 2025.
Impacto no setor de autoescolas
A possível redução drástica na carga horária obrigatória já causa preocupação entre as autoescolas e Centros de Formação de Condutores (CFCs). Entidades do setor afirmam que a medida pode reduzir drasticamente a demanda por aulas e impactar milhares de instrutores em todo o país.
Reações das entidades do setor
Para a Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto), a proposta é “radical” e pode comprometer a formação técnica e a segurança viária. Segundo a entidade, a experiência prática supervisionada é fundamental para reduzir o número de acidentes entre novos condutores.
Por outro lado, representantes de movimentos pró-desburocratização argumentam que a mudança estimula a concorrência e reduz monopólios regionais de CFCs, favorecendo o cidadão.
Possibilidade de aulas gratuitas e instrutores autônomos
Paralelamente à discussão sobre a redução das horas práticas, o governo também estuda novos formatos de capacitação para motoristas.
Ensino gratuito e online
O Ministério dos Transportes avalia oferecer aulas teóricas gratuitas e online, disponíveis em plataformas digitais e em escolas públicas. O objetivo é garantir que candidatos de todas as classes sociais possam se preparar adequadamente para os exames.
Instrutores autônomos credenciados
Outra inovação em análise é a autorização para instrutores autônomos, que poderão ministrar aulas fora dos CFCs. Esses profissionais teriam certificação emitida pelo Ministério dos Transportes ou pelos Detrans e poderiam utilizar o veículo do próprio aluno, devidamente identificado.
A proposta prevê também que o instrutor possa atender o candidato em sua cidade ou região, ampliando o acesso à formação em locais onde não há autoescolas.
Situação atual dos motoristas sem habilitação

Dados do Ministério dos Transportes revelam um cenário preocupante: mais de 20 milhões de brasileiros que adquiriram motocicletas não possuem habilitação. Isso representa 54% dos CPFs vinculados à compra desses veículos.
Segundo a pasta, a realidade mostra que muitos cidadãos enfrentam barreiras financeiras e burocráticas para regularizar sua situação, o que contribui para o alto índice de acidentes e informalidade no trânsito.
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A importância de reduzir a informalidade
Ao simplificar o processo de obtenção da CNH, o governo espera que mais pessoas busquem a habilitação legal, aumentando a segurança nas vias e a arrecadação com taxas e exames.
Além disso, o incentivo à formalização pode beneficiar entregadores, agricultores e trabalhadores autônomos, que dependem da habilitação para exercer suas atividades.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. O que o governo está propondo mudar na CNH?
O Ministério dos Transportes estuda reduzir o número mínimo de aulas práticas obrigatórias para duas, realizadas no período noturno.
2. A prova prática vai acabar?
Não. A prova teórica e a prova prática continuam obrigatórias. O que pode mudar é a exigência de aulas antes do exame.
3. Quando a nova regra pode entrar em vigor?
A proposta deve ser formalizada por meio de resolução do Contran e pode começar a valer ainda em 2025.
4. A mudança vale para todas as categorias?
Inicialmente, a proposta é voltada à primeira habilitação nas categorias A (moto) e B (carro).
5. O que acontece com as autoescolas?
Elas poderão continuar oferecendo aulas, mas não serão mais o único caminho obrigatório para obter a CNH. Instrutores autônomos credenciados também poderão atuar.
6. O governo vai oferecer aulas gratuitas?
Sim. Está sendo avaliada a criação de cursos teóricos online e gratuitos, inclusive em escolas públicas.
Considerações finais
A possível redução para apenas duas horas de aulas práticas noturnas marca um dos debates mais importantes sobre mobilidade e acesso à CNH no Brasil. A medida busca equilibrar acessibilidade, segurança e desburocratização, num momento em que o governo tenta modernizar a política de trânsito e ampliar o acesso à habilitação formal.
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