O Brasil está prestes a vivenciar uma das mudanças mais significativas na história da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O Ministério dos Transportes estuda implementar um novo modelo de formação de condutores que, além de permitir exames práticos em carros automáticos e elétricos, também promete reduzir drasticamente os custos para quem deseja se habilitar.
Nova regra cria CNH específica para dirigir carros automáticos
Descubra como a nova CNH para carros automáticos pode reduzir custos em até 80%. Veja mudanças e impactos. Leia mais agora.
A proposta está em análise pela Casa Civil e deverá ser regulamentada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Caso aprovada, poderá entrar em vigor já em 2025.
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O que muda na CNH com a nova proposta

Exames práticos em carros automáticos
A principal mudança seria a possibilidade de realizar o exame de direção diretamente em veículos automáticos. Até hoje, todos os candidatos precisam treinar e ser avaliados em carros de câmbio manual.
- Quem optar pela CNH exclusiva para automáticos só poderá dirigir esse tipo de veículo.
- Se o motorista for flagrado conduzindo um carro manual, cometerá infração gravíssima, com multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e retenção do veículo.
Provas teóricas mais acessíveis
O exame teórico continuaria sendo realizado nos Detrans, mas os candidatos poderiam estudar de forma autônoma, por EAD ou material digital oficial. Isso elimina a obrigatoriedade de frequentar aulas presenciais em autoescolas.
Fim da carga horária mínima nas aulas práticas
Hoje, o candidato à CNH precisa cumprir 20 horas mínimas de aulas práticas em autoescolas credenciadas. Pela nova regra, essa obrigatoriedade deixaria de existir.
O aluno poderia treinar:
- Por conta própria, em veículo particular;
- Com instrutores autônomos credenciados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran);
- Ou ainda optar pelas autoescolas tradicionais, caso deseje.
Impacto no custo da CNH
Redução de até 80%
Atualmente, o valor médio para tirar a CNH no Brasil pode ultrapassar R$ 3 mil. Com a nova flexibilização, a expectativa é que o custo caia para algo entre R$ 750 e R$ 1 mil.
Segundo o ministro dos Transportes, Renan Filho, o objetivo é democratizar o acesso à habilitação, garantindo que mais brasileiros possam se tornar motoristas legalizados sem enfrentar barreiras financeiras.
CNH automática: como funcionará na prática
Limitação do direito de dirigir
A CNH obtida na categoria automática será restrita a veículos com esse tipo de transmissão.
- O motorista poderá conduzir carros automáticos ou elétricos.
- Para migrar para a categoria convencional, deverá realizar novo exame em veículo manual.
Sem impacto para motoristas já habilitados
Quem já possui a CNH tradicional não será afetado. No entanto, poderá solicitar a migração para a categoria automática, caso prefira.
Críticas e preocupações
Posição das autoescolas
Entidades que representam autoescolas afirmam que a mudança pode aumentar o risco de acidentes, já que a exigência de aulas presenciais garante maior preparo do condutor.
Segundo elas, a retirada da carga mínima de treinamento pode resultar em motoristas menos experientes nas ruas.
Resposta do governo
O Ministério dos Transportes afirma que o processo continuará seguro, pois a prova prática será mantida com rigor.
Além disso, o modelo segue práticas já aplicadas em países como:
- Estados Unidos;
- Canadá;
- Inglaterra;
- Japão.
Nestes locais, a flexibilização da formação não comprometeu a segurança no trânsito.
Comparativo internacional
Em diversos países, o processo de habilitação é mais simples e barato:
- Estados Unidos: o candidato pode treinar com familiares e apenas realizar o exame final no órgão de trânsito.
- Canadá: existe progressão por etapas, com licenças provisórias antes da definitiva.
- Inglaterra: instrutores autônomos são amplamente utilizados, e os exames podem ser feitos em carros automáticos.
- Japão: a CNH automática é comum, já que grande parte da frota utiliza esse tipo de câmbio.
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Benefícios esperados
Democratização da CNH
O alto custo da habilitação é uma barreira para milhões de brasileiros. Com a redução de até 80%, mais pessoas poderão se legalizar e conduzir de forma segura.
Incentivo a veículos elétricos
Ao permitir a realização de provas em carros elétricos, o governo busca estimular a adoção de tecnologias sustentáveis e acompanhar as transformações do setor automotivo.
Flexibilidade no aprendizado
Com o fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas, os candidatos terão maior liberdade para escolher como e com quem treinar, o que pode se ajustar melhor à realidade financeira e de tempo de cada pessoa.
Desafios e próximos passos

Regulamentação pelo Contran
Apesar do avanço no projeto, a proposta ainda precisa ser aprovada pelo Contran, que deverá estabelecer as regras detalhadas para a aplicação.
Adaptação do mercado de autoescolas
Caso a medida seja aprovada, o setor de autoescolas terá de se reinventar, oferecendo novos pacotes de serviços e parcerias com instrutores independentes.
Fiscalização
Será necessário reforçar os sistemas de fiscalização eletrônica e presencial para garantir que motoristas habilitados apenas para automáticos não utilizem veículos manuais.
Conclusão
A criação da CNH específica para carros automáticos representa uma mudança histórica na forma como os brasileiros obtêm o direito de dirigir. Com redução de custos, flexibilização do aprendizado e incentivo à modernização da frota, a medida promete impactar tanto os motoristas quanto o mercado de formação.
Ainda que haja resistência por parte das autoescolas, a tendência internacional e os benefícios econômicos indicam que o modelo poderá se consolidar em breve no Brasil. Se aprovada em 2025, a nova regra marcará o início de uma era mais acessível e inclusiva para a habilitação no país.
Imagem: Freepik e Canva
