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Parceria entre CNH e Starlink impulsiona avanços tecnológicos no setor espacial

A CNH Industrial anunciou parceria com a Starlink para conectar máquinas agrícolas à internet via satélite no Brasil, com foco em produtividade.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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A revolução digital no campo ganhou um novo impulso com o anúncio da parceria entre a CNH Industrial, responsável pelas marcas Case IH e New Holland, e a Starlink, empresa de internet via satélite da SpaceX, liderada pelo bilionário Elon Musk.

A aliança, oficializada em 15 de maio de 2025, promete ampliar o acesso à conectividade em regiões rurais brasileiras, facilitando o uso de tecnologias agrícolas avançadas.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Expansão da internet no campo: um novo salto para o agro

A parceria busca solucionar um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a ausência de internet de qualidade nas zonas rurais. Com a integração da Starlink ao portfólio da CNH, agricultores poderão contar com conexão de alta velocidade e baixa latência mesmo em locais remotos, potencializando a utilização de tecnologias de agricultura de precisão e sistemas de monitoramento em tempo real.

Conectividade estratégica para impulsionar a produção

De acordo com Stefano Pampalone, diretor comercial de Agricultura da CNH, a parceria representa uma revolução na maneira como os produtores interagem com as tecnologias do campo.

“Estamos entusiasmados em oferecer aos nossos clientes acesso à conectividade via satélite líder do setor, permitindo que eles maximizem o potencial do nosso portfólio completo de tecnologias de precisão, mesmo nos ambientes rurais mais desafiadores”, afirmou.

A integração com o FieldOps: monitoramento em tempo real

Um dos destaques do acordo é a integração da Starlink com a plataforma digital FieldOps, um sistema que já auxilia agricultores no monitoramento em tempo real do desempenho e da localização de máquinas agrícolas.

A conectividade via satélite permitirá que dados sejam enviados de forma praticamente instantânea, melhorando a tomada de decisão no campo. A proposta é que, mesmo em áreas sem sinal de telefonia, os produtores consigam acessar mapas, coordenar operações e fazer diagnósticos de forma remota.

Inteligência artificial no controle de ervas daninhas

Além do FieldOps, a parceria também contempla o uso da rede Starlink na plataforma FieldXplorer, desenvolvida em conjunto pela CNH e a agtech brasileira BemAgro. Essa ferramenta utiliza drones e inteligência artificial para gerar mapas de prescrição de pulverização, capazes de distinguir áreas com ervas daninhas e culturas produtivas.

Graças à internet via satélite, esses mapas podem ser enviados às máquinas agrícolas em tempo real, acelerando o processo de pulverização e promovendo uma aplicação mais precisa de defensivos agrícolas. Isso resulta em ganhos de produtividade e sustentabilidade, ao reduzir desperdícios e impactos ambientais.

Concorrência no setor: a “guerra nas estrelas” do agronegócio

A parceria entre CNH e Starlink marca mais um capítulo na corrida por conectividade no setor agrícola, frequentemente apelidada de “guerra nas estrelas do agro”. O movimento de aproximação das empresas do agronegócio com a Starlink não é novo: em janeiro de 2024, a montadora John Deere, principal concorrente da CNH, anunciou um acordo semelhante.

A John Deere passou a oferecer kits portáteis com antenas acopladas às suas máquinas, que captam o sinal da Starlink e transmitem dados operacionais em tempo real. A estratégia tornou-se um diferencial competitivo relevante, especialmente para grandes propriedades em áreas remotas do país.

CNH também mantém acordo com a Intelsat

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Imagem: Freepik e Canva

Mesmo com a novidade, a CNH informou que mantém sua parceria pré-existente com a Intelsat, uma das maiores operadoras globais de telecomunicações por satélite. Essa parceria havia sido anunciada em maio de 2024, durante a Agrishow em Ribeirão Preto (SP).

Diferente da Starlink, que utiliza exclusivamente satélites de órbita terrestre baixa (LEO), a Intelsat atua com uma rede híbrida de satélites LEO e geoestacionários (GEO). Na prática, essa diversidade oferece maior redundância e cobertura, o que pode ser vantajoso em determinadas regiões e aplicações.

A CNH declarou, na época, que o Brasil seria o primeiro país a receber a tecnologia da Intelsat, seguido por outros países da América Latina, América do Norte, Europa, Ásia e Austrália.

A Starlink e o domínio na conectividade rural

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Lançada com o objetivo de conectar o mundo todo à internet por meio de uma constelação de satélites de baixa órbita, a Starlink já conta com mais de 5.000 satélites em operação ao redor do planeta. Sua cobertura tem sido especialmente eficaz em regiões afastadas dos grandes centros urbanos, o que a tornou popular no setor agrícola e entre comunidades isoladas.

No Brasil, a empresa já conquistou milhares de clientes rurais que, antes da chegada da Starlink, não conseguiam manter uma conexão estável para suas operações. Com velocidades médias superiores a 100 Mbps e latência reduzida, o sistema se mostra ideal para aplicações em tempo real, como o gerenciamento de máquinas, uso de sensores e integração com plataformas em nuvem.

Outros players também disputam o mercado rural

Além de CNH, John Deere, Starlink e Intelsat, outras empresas tentam ocupar espaço nesse segmento em rápida expansão. Entre os principais nomes estão:

  • Claro, Vivo e TIM: operadoras de telefonia que oferecem soluções com redes LTE e 5G rurais;
  • Datora e Elsys: companhias brasileiras que operam conectividade via satélite;
  • Hughes: subsidiária da americana EchoStar, com presença crescente no Brasil, oferecendo alternativas ao sistema da Starlink.

Essa multiplicidade de opções impulsiona a competitividade e a inovação, mas também impõe desafios técnicos, como interoperabilidade entre plataformas, manutenção de equipamentos em áreas remotas e custo de implantação para pequenos produtores.

E os pequenos produtores, como ficam?

Embora as grandes propriedades agrícolas sejam as mais beneficiadas inicialmente por essas tecnologias, há uma tendência de popularização progressiva dos sistemas de conectividade no campo. Com o tempo, espera-se que as soluções se tornem mais acessíveis, principalmente através de programas de fomento à inovação agrícola e linhas de crédito específicas.

Iniciativas como o Plano Safra, fomentado pelo Governo Federal, e linhas de financiamento do BNDES voltadas à aquisição de tecnologia rural podem acelerar esse processo.

Perspectivas para o futuro da conectividade rural

Imagem: Canva e Freepik

A conectividade via satélite representa um salto estratégico para o agronegócio brasileiro, permitindo avanços que vão desde o controle de pragas até a automação completa da lavoura. A integração de dados em tempo real com plataformas digitais, sensores e inteligência artificial transforma a maneira como o campo é gerido — e impacta diretamente a produtividade, os custos e a sustentabilidade.

Com a entrada da Starlink como parceira da CNH e o fortalecimento de outras operadoras satelitais no país, o setor tende a se tornar ainda mais dinâmico. O Brasil, que já lidera mundialmente em produção de soja, milho, café e proteína animal, avança também rumo à liderança em agricultura digital.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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