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Novo processo da CNH reduz custo em até 80%, veja quanto vai custar na sua cidade

Nova regra do Contran pode reduzir em até 80% o custo da CNH em 2026 ao eliminar aulas obrigatórias em autoescolas. Veja quanto deve custar o processo.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
CNH

O processo para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode passar por uma das maiores transformações das últimas décadas.

A proposta do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), apoiada pelo governo federal, prevê o fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas para quem quiser se habilitar, permitindo que candidatos tenham mais liberdade na preparação para os exames e, principalmente, reduzam de forma significativa o custo total do processo.

A resolução ainda será publicada no Diário Oficial da União (DOU), mas já provoca debates acalorados em todo o país. O governo aponta que a mudança pode reduzir em até 80% o valor da obtenção da habilitação, o que coloca a proposta no centro das discussões sobre mobilidade, educação no trânsito, qualidade da formação de novos condutores e impacto econômico para o setor de autoescolas.

Com valores que chegam hoje a até R$ 5 mil em algumas regiões — total impulsionado especialmente pelas aulas práticas obrigatórias — a mudança promete reestruturar todo o modelo atual. A seguir, entenda quanto pode custar tirar a CNH sem autoescola em 2026, como deve funcionar o novo sistema, o que permanece obrigatório e quais são as controvérsias envolvendo a medida.

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O que muda com a nova resolução do Contran?

Segundo o governo, a principal motivação para a mudança é reduzir gastos e dar autonomia ao cidadão. Com a resolução, o candidato à primeira habilitação não será mais obrigado a frequentar aulas práticas em autoescolas e tampouco as horas teóricas presenciais.

Aulas práticas deixam de ser obrigatórias nas autoescolas

Atualmente, o processo exige 20 horas de aulas práticas, realizadas exclusivamente com instrutores credenciados em autoescolas. Essas horas representam a maior fatia do custo total da CNH. Em Belo Horizonte, por exemplo, um levantamento do Mercado Mineiro aponta que:

  • As aulas práticas custam em média R$ 1.426,
  • O que representa 63,2% do custo total da habilitação.

Com a nova regra, essas horas deixam de ser obrigatórias. O candidato poderá cumprir apenas duas horas de aula, que poderão ser realizadas com instrutores autônomos credenciados, e não necessariamente em autoescolas.

Curso teórico será gratuito e online

As 45 horas obrigatórias de legislação, antes oferecidas pelas autoescolas por valores médios de R$ 322,11, ficarão disponíveis gratuitamente por meio de plataforma digital do Ministério dos Transportes. Isso elimina mais uma parcela significativa do custo.

Exames continuam obrigatórios

Mesmo com a desobrigação das aulas, as taxas do Detran continuam sendo cobradas. Assim, o candidato deve arcar com:

  • Taxa da primeira habilitação
  • Exame médico
  • Exame psicotécnico
  • Prova de legislação
  • Licença de aprendizagem
  • Prova prática de direção

Em Minas Gerais, esses valores somam atualmente R$ 858,53 — e não há sinalização de que serão dispensados ou reduzidos com a mudança.

Quanto vai custar tirar a CNH sem autoescola?

Com a retirada das aulas obrigatórias, o governo federal estima que o processo de habilitação pode ficar até 80% mais barato do que o modelo atual.

Custo atual da CNH

Hoje, dependendo da região, a CNH custa entre R$ 2 mil e R$ 5 mil. Em Belo Horizonte, por exemplo:

  • Custo médio total: R$ 2.255,99
  • Custo máximo encontrado: R$ 2.915

Custo estimado com as novas regras

Considerando que as aulas deixarão de ser obrigatórias e que o curso teórico será gratuito, o futuro candidato deve arcar apenas com:

  • As taxas obrigatórias do Detran
  • Eventualmente, duas horas de aula com instrutor autônomo

Em um cenário realista, o custo total deve ficar:

  • Entre R$ 900 e R$ 1.200 para quem optar por fazer apenas as duas horas obrigatórias
  • Entre R$ 1.200 e R$ 1.500 para quem quiser contratar mais aulas voluntariamente com instrutores independentes

Ou seja: a CNH pode ficar mais barata do que nunca, chegando muito perto dos custos históricos da década de 1990, quando a regulamentação atual ainda não existia.

Como funcionará o instrutor autônomo?

A figura do instrutor autônomo já existe no Brasil, mas sempre operou nos limites da legislação, uma vez que as aulas precisavam ser realizadas dentro de autoescolas credenciadas.

Com a nova regra, no entanto, esses profissionais serão formalmente habilitados a oferecer treinamento com seu próprio veículo adaptado, desde que:

  • Sejam aprovados em capacitação específica,
  • Possuam certificação para ministrar aulas,
  • Façam parte do cadastro oficial de instrutores,
  • Sigam requisitos de segurança para instrução.

Para os alunos, isso pode representar economia, já que instrutores independentes tendem a cobrar menos do que autoescolas tradicionais por não terem estrutura pesada para manter.

Quanto vai custar a aula com instrutor autônomo?

Ainda não existe definição oficial, mas a expectativa é que os preços variem entre R$ 40 e R$ 80 por hora, dependendo da região.

Isso representa uma queda significativa em relação às aulas tradicionais de autoescola, que hoje custam entre R$ 70 e R$ 120 por hora.

O curso teórico gratuito muda a formação do motorista?

Com o curso online gratuito oferecido pelo Ministério dos Transportes, o governo pretende democratizar o acesso ao conteúdo e reduzir a burocracia no processo de aprendizagem.

Vantagens

  • Eliminaria um dos maiores gargalos financeiros da formação
  • Aumentaria a acessibilidade para pessoas de baixa renda
  • Permitiria que candidatos estudassem no próprio ritmo

Pontos de atenção

Especialistas em segurança no trânsito alertam que a presença do instrutor teórico muitas vezes ajuda na assimilação do conteúdo. Há também o risco de candidatos “decorarem” respostas sem compreender a legislação.

Autoescolas reagem à mudança

Antes mesmo da publicação da resolução no DOU, entidades do setor já se mobilizam para tentar barrar a decisão.

Pressão no Legislativo

A Feneauto (Federação Nacional das Autoescolas do Brasil) recorreu ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), que criou uma Comissão Especial para discutir o Plano Nacional de Formação de Condutores — uma tentativa de manter as autoescolas com papel central na formação dos motoristas.

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Ação no Supremo Tribunal Federal

A CNC (Confederação Nacional do Comércio), que representa o setor em nível nacional, planeja acionar o STF para questionar a constitucionalidade da mudança, alegando:

  • Risco à segurança viária
  • Desvalorização da categoria de instrutores credenciados
  • Impacto econômico severo para milhares de autoescolas

Impacto econômico do setor

O Brasil conta com mais de 12 mil autoescolas em funcionamento. A mudança pode levar ao fechamento de parte desses estabelecimentos, já que a maior fonte de receita — as aulas práticas — deixará de ser obrigatória.

O que diz o governo?

O Ministério dos Transportes defende que:

  • O atual modelo é caro e inacessível para grande parte da população
  • A formação por autoescolas pode continuar existindo, mas deve ser opcional
  • A mudança melhora a concorrência e torna o processo mais democrático

Segundo o governo, o Brasil não pode continuar sendo um dos países em que tirar CNH custa mais caro em comparação a renda média da população.

Quando a mudança começa a valer?

Assim que a resolução for publicada no Diário Oficial da União. A expectativa é que isso ocorra nos próximos dias, mas ainda não há data confirmada oficialmente.

Após a publicação:

  • As regras passam a valer imediatamente ou em prazo estipulado pelo Contran
  • Detrans estaduais terão de se adaptar ao novo sistema
  • Instrutores autônomos serão regulamentados
  • O curso online será disponibilizado gradualmente

Formar motoristas com menos aulas é seguro?

Esse é o principal ponto de controvérsia da mudança. Especialistas divergem:

Argumentos favoráveis

  • A obrigatoriedade não garante qualidade
  • Muitos candidatos aprendem a dirigir fora das autoescolas de qualquer forma
  • Países desenvolvidos permitem instrução com familiares

Argumentos contrários

  • A falta de supervisão pode gerar motoristas menos preparados
  • Instrutores autônomos talvez não tenham estrutura adequada
  • Aulas práticas extensas reduzem índices de acidentes entre novatos

Considerações finais

As novas regras para tirar a CNH sem autoescola representam uma das maiores mudanças na formação de motoristas no Brasil. Ao mesmo tempo em que prometem reduzir até 80% do custo, democratizando o acesso à habilitação, também levantam preocupações sobre a qualidade da formação e o impacto para o setor de autoescolas.

Com valores que podem cair para cerca de R$ 900, a proposta tem grande apelo popular e poderá alterar significativamente o número de motoristas habilitados no país. Ainda assim, o cenário permanece incerto devido à resistência do setor e às possíveis disputas judiciais.

À medida que a resolução for publicada e os detalhes forem divulgados, o país deve acompanhar uma transição que promete redefinir não apenas o custo, mas todo o modelo de formação de condutores.

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Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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