A formalização dos brasileiros que trabalham por conta própria ou empregam outras pessoas alcançou o maior nível desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2025, 35% dos empregadores e trabalhadores por conta própria possuíam CNPJ, contra 33,6% em 2024 e apenas 24% em 2012.
O resultado faz parte do módulo de Características Adicionais do Mercado de Trabalho da PNAD Contínua e mostra uma transformação importante no empreendedorismo brasileiro.
Ao todo, o país tinha 30,6 milhões de empregadores e trabalhadores por conta própria em 2025. O avanço da formalização foi puxado especialmente pelos autônomos, grupo no qual a presença do CNPJ praticamente dobrou desde 2012.
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Formalização chega ao maior nível da série histórica

A proporção conjunta de empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ chegou a 35% em 2025.
Esse foi o maior percentual registrado desde o início da série, em 2012.
Naquele ano, somente 24% dos integrantes desses dois grupos possuíam negócio registrado.
Em 2023, o percentual já havia alcançado 33%. Passou para 33,6% em 2024 e avançou novamente no ano seguinte.
O aumento mostra uma expansão gradual da formalização entre pessoas que trabalham por conta própria, donos de pequenos negócios e empregadores.
Ter CNPJ não significa necessariamente ser Microempreendedor Individual (MEI). O registro pode estar relacionado a diferentes formatos empresariais.
Trabalhadores por conta própria puxam avanço
A principal transformação ocorreu entre os trabalhadores por conta própria.
Em 2012, somente 15% desse grupo possuía CNPJ.
Em 2025, a proporção chegou a 27,1%, maior resultado da série histórica.
Isso significa que mais de um quarto dos autônomos brasileiros já trabalhava por meio de um empreendimento registrado.
O país possuía aproximadamente 26,2 milhões de trabalhadores por conta própria em 2025.
Desse total, cerca de 7,1 milhões tinham CNPJ, segundo os dados derivados da PNAD Contínua.
Apesar do avanço, a maioria dos trabalhadores por conta própria ainda exercia suas atividades sem CNPJ.
Empregadores com CNPJ chegam a 81,1%
Entre quem possui empregados, o grau de formalização é muito mais elevado.
A parcela de empregadores com CNPJ passou de 80% em 2024 para 81,1% em 2025, alta de 1,1 ponto percentual.
Em 2012, o indicador estava em 75,6%.
O resultado de 2025 se aproxima dos maiores níveis registrados anteriormente, como os 82,5% observados em 2015 e os 82,1% de 2016.
Os dados indicam, portanto, uma situação de relativa estabilidade em patamar elevado entre os empregadores.
Isso contrasta com o movimento observado entre trabalhadores por conta própria, cuja formalização continua apresentando uma trajetória mais clara de crescimento ao longo dos anos.
Escolaridade faz grande diferença na formalização
Os dados do IBGE mostram uma associação forte entre nível de escolaridade e presença de CNPJ.
Pela primeira vez na série histórica, mais da metade dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo possuía CNPJ.
A taxa chegou a 50,8% em 2025, depois de ficar em 48,4% no ano anterior.
Entre os trabalhadores por conta própria sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, a realidade era muito diferente.
Somente 11,1% possuíam CNPJ.
A diferença evidencia como escolaridade, acesso à informação e características da atividade profissional podem influenciar a formalização de um negócio.
91,8% dos empregadores com ensino superior têm CNPJ
Entre os empregadores, a relação entre escolaridade e formalização também aparece de maneira clara.
Dos empregadores com ensino superior completo, 91,8% estavam registrados no CNPJ em 2025.
O percentual é muito superior ao observado no conjunto dos trabalhadores por conta própria.
Isso ocorre porque as características de quem emprega outras pessoas tendem a envolver estruturas empresariais mais organizadas e maior necessidade de registro formal.
Ainda assim, existem diferenças expressivas dependendo do setor econômico e da região do país.
Sul lidera formalização de empreendedores
A presença do CNPJ varia bastante entre as regiões brasileiras.
Em 2025, o Sul liderava, com 46,7% dos empregadores e trabalhadores por conta própria registrados.
Sudeste e Centro-Oeste apareciam logo depois, ambos com 41,6%.
Já Norte e Nordeste apresentavam índices bem mais baixos.
| Região | Empregadores e conta própria com CNPJ |
|---|---|
| Sul | 46,7% |
| Sudeste | 41,6% |
| Centro-Oeste | 41,6% |
| Nordeste | 20,1% |
| Norte | 15,6% |
As diferenças regionais permanecem expressivas mesmo depois do avanço da formalização registrado no país.
Centro-Oeste teve uma das maiores evoluções
Quando a comparação é feita com 2012, algumas regiões se destacam pelo ritmo de expansão.
No Centro-Oeste, a proporção conjunta de empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ passou de 27,3% para 41,6%.
No Sudeste, avançou de 30,4% para 41,6%.
Já no Sul, que continua liderando o país, subiu de 35,5% para 46,7%.
Esses resultados mostram que o aumento da formalização ocorreu em diferentes regiões, embora ainda exista uma distância significativa em relação ao Norte e ao Nordeste.
Mulheres apresentam maior taxa de formalização
Outro recorte relevante aparece quando os dados são separados por sexo.
Em 2025, 36,7% das mulheres empregadoras ou trabalhadoras por conta própria possuíam CNPJ, contra 34,2% dos homens.
A diferença também aparece quando são considerados somente os trabalhadores por conta própria.
Entre as mulheres, 29,3% tinham CNPJ. Entre os homens, o percentual era de 25,9%.
Nos empregadores, a distância era ainda maior.
A taxa de registro chegava a 85,8% entre as mulheres e 79% entre os homens.
Segundo o IBGE, a formalização feminina se manteve acima da masculina ao longo da série histórica.
Comércio possui alta presença de CNPJ
Os resultados também variam conforme a atividade econômica.
Considerando empregadores e trabalhadores por conta própria conjuntamente, o comércio apresentou a maior taxa de registro no CNPJ em 2025, com 49,8%.
Os serviços vieram em seguida, com 40,3%.
Na outra ponta estavam setores como construção e agropecuária.
A construção tinha 18,8% dos trabalhadores independentes e empregadores com CNPJ, enquanto agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura registravam apenas 8,6%.
Apesar das diferenças, todos os grandes grupos apresentaram expansão da formalização na comparação com 2012.
Serviços concentram maior número de empreendedores
Além da taxa de CNPJ, os dados mostram onde estão concentrados os trabalhadores independentes e empregadores brasileiros.
Os serviços reuniam cerca de 14 milhões de pessoas, equivalentes a 45,7% do total desses grupos.
O comércio aparecia em segundo lugar, com aproximadamente 6,4 milhões, ou 20,9%.
Depois vinham:
- construção, com 12,8%;
- agricultura, com 12%;
- indústria geral, com 8,5%.
Serviços e comércio, juntos, respondiam por aproximadamente dois terços dos empregadores e trabalhadores por conta própria no país.
Cooperativas perdem participação entre empreendedores
Enquanto o CNPJ ganhou espaço, a associação a cooperativas apresentou movimento contrário ao longo da série histórica.
Dos 30,6 milhões de empregadores e trabalhadores por conta própria existentes em 2025, apenas 4,7% eram associados a cooperativas de trabalho ou produção.
Isso corresponde a aproximadamente 1,4 milhão de pessoas.
Em 2012, a participação era de 6,3%.
Portanto, a formalização empresarial aumentou, mas a participação em estruturas cooperativas perdeu espaço proporcionalmente.
Sul também lidera participação em cooperativas
A Região Sul possuía a maior proporção de empreendedores associados a cooperativas.
Em 2025, 7,8% dos empregadores e trabalhadores por conta própria da região eram cooperativados.
O Norte aparecia em seguida, com 5,2%.
Centro-Oeste tinha 4,2%, enquanto Nordeste e Sudeste registravam 4% cada.
Apesar de continuar na liderança, o Sul também apresentou redução quando comparado a períodos anteriores.
Sindicalização permanece em nível baixo
O levantamento do IBGE também analisou a associação dos trabalhadores brasileiros a sindicatos.
Em 2025, 8,8% da população ocupada estava sindicalizada, praticamente o mesmo percentual registrado em 2024, de 8,9%.
O contingente permaneceu próximo de 9,1 milhões de trabalhadores.
A estabilidade recente contrasta com uma queda expressiva no longo prazo.
Em 2012, 16,1% dos trabalhadores brasileiros eram associados a algum sindicato.
Isso significa que a taxa atual está pouco acima da metade do nível observado no início da série.
Trabalhadores com ensino superior se sindicalizam mais
Assim como ocorre com o CNPJ, a escolaridade também aparece associada à sindicalização.
Em 2025, trabalhadores com ensino superior completo tinham a maior taxa de associação sindical, de 13,5%.
Já aqueles com ensino fundamental completo e médio incompleto registravam apenas 5,6%.
Entre os 9,1 milhões de sindicalizados, 38,2% possuíam ensino superior completo.
O resultado mostra que transformações na escolaridade e na composição das ocupações também ajudam a mudar o perfil das organizações de trabalhadores.
O que significa ter CNPJ para o trabalhador por conta própria?

O crescimento do CNPJ indica maior formalização das atividades econômicas, mas não significa que todos os trabalhadores estejam na mesma situação.
Um profissional autônomo pode possuir CNPJ como MEI, microempresa ou por meio de outra natureza jurídica.
O registro pode facilitar emissão de notas fiscais, abertura de conta empresarial, acesso a determinados mercados e contratação de serviços financeiros.
Dependendo da forma escolhida, também existem obrigações tributárias, declarações e contribuições que precisam ser mantidas em dia.
Por isso, abrir um CNPJ não deve ser tratado apenas como uma formalidade.
É necessário avaliar qual enquadramento corresponde à atividade exercida e quais custos e responsabilidades acompanham a empresa.
CNPJ também pode ampliar proteção previdenciária
A formalização pode trazer efeitos sobre a proteção social quando envolve o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes.
No caso do MEI, por exemplo, parte do pagamento mensal do Documento de Arrecadação do Simples Nacional é destinada ao INSS.
O recolhimento regular pode permitir acesso a benefícios previdenciários conforme as regras aplicáveis, como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária e salário-maternidade.
É importante, porém, não confundir a mera existência de um CNPJ com garantia automática de cobertura previdenciária.
É necessário que as contribuições exigidas estejam sendo efetivamente recolhidas.
Formalização avança, mas maioria dos autônomos segue sem CNPJ
Os dados de 2025 mostram uma evolução importante do empreendedorismo formal brasileiro.
O percentual conjunto de empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ alcançou 35%, maior patamar desde 2012.
Entre os autônomos, o indicador também chegou ao recorde de 27,1%, enquanto entre empregadores ficou em 81,1%.
Ao mesmo tempo, os números revelam desafios.
A maioria dos trabalhadores por conta própria ainda não possui CNPJ, a formalização continua muito menor nas regiões Norte e Nordeste e trabalhadores menos escolarizados apresentam taxas bastante inferiores.
O retrato do IBGE indica, portanto, um país com mais empreendedores formalizados, mas com diferenças expressivas conforme escolaridade, atividade econômica e região.
A tendência mais clara está entre os trabalhadores por conta própria: em pouco mais de uma década, a parcela com CNPJ passou de 15% para 27,1%, o maior nível já registrado pela pesquisa.
