O interesse em investir no Brasil permanece. Contudo, a empresa Softbank decidiu reorganizar as finanças e ser mais cuidadosa com os investimentos. O head de operações no Brasil, Alex Szapiro, conclui que foi um erro cobrar crescimento acelerado das startups nas quais investiu.
Alex assumiu o cargo no início de 2021, deixando seu antigo posto na Amazon. À época de sua contratação, o presidente do fundo e diretor de operações do Softbank, Marcelo Claure, afirmou que Alex tinha um know-how muito rico para lidar com as operações no Brasil.
Startups demoram a dar retorno
Esperar um crescimento acelerado das startups foi um erro na medida em que há a compreensão de que se trata de um investimento de longo prazo. “Essa é uma indústria de muito longo prazo. Para a gente poder falar de sucesso ou de fracasso, vão demorar alguns anos”, reflete Szapiro.
Desde 2019, o Softbank criou dois fundos para investimentos em negócios da América Latina, totalizando cerca de US$ 8 bilhões. Segundo a empresa, o retorno para o primeiro fundo foi de 85%, o que animou consideravelmente os acionistas.
Os fundos contemplavam 48 empresas em 2021, incluindo 15 “unicórnios” latino-americanos, dentre os quais se destacam Inter, Gympass, MadeiraMadeira, QuintoAndar e Rappi. No entanto, em 2022, contabiliza-se que quase 90 startups compõem o portfólio do Softbank.
Segundo Szapiro, em entrevista exclusiva ao Journal Brazil, um dos diferenciais do Softbank foi realizar algo diferente do que o mercado costumava fazer. Ainda assim, “houve muitas coisas inovadoras e, quando você inova, você faz coisas certas e outras que você têm que mudar no caminho”, argumenta o head de operações.
Demissão em massa pelo mundo e prejuízo milionário
A empresa já demitiu cerca de 25% de seus funcionários, sendo que 10 dos funcionários latino-americanos estão inclusos nesse grupo.
A crise é resultado de diversos fatores, ainda mais considerando previsão de falência de 15 empresas apoiadas pelo fundo do Softbank. Além disso, houve uma perda significativa na venda de ações, como foi o caso da Kahoot. Em suma, os investimentos na marca superaram US$ 215 milhões e a mesma fatia de ações foi vendida por US$ 152 milhões.
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