Se existe uma certeza no mundo dos negócios, é a de que novas incertezas surgirão. Essa afirmação, feita por Vivian Sesto, Head de Ações Comerciais da XP Empresas, resume com precisão o motivo pelo qual toda empresa, principalmente as de pequeno porte, deve estruturar um colchão financeiro — uma reserva que oferece segurança em tempos de crise e oportunidades em tempos de estabilidade.
O papel da reserva de emergência e do caixa no crescimento estratégico do negócio
Vivian Sesto, da XP Empresas, explica como o colchão financeiro é essencial para a sobrevivência e o crescimento de pequenas empresas.
Em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo, apresentado pela jornalista Mariana Amaro, Vivian compartilhou sua visão sobre a importância de uma gestão estratégica do caixa, destacando práticas que, se aplicadas corretamente, podem fazer a diferença entre o fracasso e a continuidade de um negócio.
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O que é colchão financeiro e por que ele é vital
Reserva de caixa como primeira linha de defesa
Segundo Vivian, o primeiro passo para proteger a empresa de crises é garantir uma reserva de caixa. Essa reserva, que deve cobrir entre 3 e 6 meses dos custos fixos mensais da empresa, funciona como um seguro de sobrevivência. “Toda empresa deve avaliar seus custos fixos mensais e reservar de 3 a 6 meses desse valor na conta PJ”, explica.
Essa prática evita que, diante de uma crise econômica, política ou sanitária — como tantas vividas recentemente no Brasil — a empresa precise interromper operações ou recorrer a crédito caro e de curto prazo.
Benefícios além da proteção
Mas o colchão financeiro vai além de uma simples medida defensiva. Ele também representa liberdade de ação. Com dinheiro em caixa, o empreendedor pode negociar melhores condições com fornecedores, aproveitar oportunidades de investimento, ou até adquirir concorrentes fragilizados em momentos de baixa no mercado. “Com uma reserva mínima, a empresa se estrutura para proteger o presente e desenhar o futuro”, afirma Vivian.
Pequenas empresas: as que mais precisam, mas menos se preparam
A realidade das PMEs no Brasil
Segundo dados citados por Vivian Sesto, pequenas e médias empresas representam aproximadamente 95% dos CNPJs ativos no país. No entanto, grande parte delas ainda não possui estrutura financeira consolidada ou sequer uma equipe dedicada à gestão de caixa.
A ausência de uma área financeira formalizada e a sobrecarga do empreendedor dificultam a adoção de práticas estratégicas. “Será que você recontrataria as pessoas que estão hoje com você? Está feliz com quem escolheu para caminhar ao seu lado?”, provoca Vivian, ao questionar a qualidade das equipes e o alinhamento entre liderança e colaboradores.
A pirâmide da gestão empresarial
Vivian sugere a adoção de uma “pirâmide de negócios”, modelo que divide a empresa em três camadas: base (operação), meio (tática) e topo (estratégia). A operação garante que o dia a dia funcione; a tática cuida da execução planejada; e a estratégia é papel exclusivo do empreendedor.
“É papel do dono pensar no futuro e tomar decisões estratégicas. Por isso, ele precisa se perguntar: será que estou acumulando funções que me impedem de ocupar essa posição?”, alerta.
Ter processos claros e uma divisão de tarefas bem estruturada permite que o empreendedor se dedique a construir uma base sólida e pensar no crescimento do negócio.
Do caixa mínimo ao caixa estratégico

Política de investimento: um guia para decisões
Após a formação do colchão financeiro, o próximo passo recomendado por Vivian é a criação de uma política de investimento para o caixa. Isso significa definir onde e como os recursos serão aplicados, respeitando a sazonalidade da empresa, a liquidez necessária e o perfil de risco dos sócios.
Essa política funciona como um manual que guia as decisões financeiras, evita ruídos entre sócios e garante transparência nas escolhas. “O que é conservador para um, pode parecer arriscado para outro. Ter um documento claro evita conflitos”, explica.
Elementos que devem constar na política
Uma política de investimento bem elaborada deve conter:
- Prazos de resgate dos investimentos
- Tipos de ativos permitidos
- Rentabilidade esperada
- Instituições financeiras autorizadas
- Perfil de risco aceito pela empresa
Esses critérios garantem que o dinheiro da empresa esteja protegido e rendendo de forma compatível com suas necessidades operacionais.
Caixa do giro: eficiência no curto prazo
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Mesmo para empresas que ainda não conseguiram acumular reservas robustas, é possível melhorar a gestão do “caixa do giro” — aquele destinado às despesas rotineiras.
Vivian alerta que muitas empresas, por falta de orientação, acabam aplicando esse dinheiro em soluções que geram impostos desnecessários. “Ao aplicar recursos de curto prazo em produtos com resgate inferior a 30 dias, a empresa paga IOF e IR sobre a rentabilidade”, explica. Isso reduz o rendimento e encarece a operação.
Ela destaca que existem alternativas no mercado que evitam esse tipo de tributação, mesmo com liquidez imediata. Basta procurar orientação profissional e entender as opções disponíveis.
Profissionalização desde o início
Caixa bem gerido não é luxo, é necessidade
Vivian reforça que a eficiência financeira não deve ser exclusividade de grandes empresas. Pelo contrário: quanto menor a empresa, maior o impacto de decisões acertadas ou equivocadas.
“É um erro pensar que isso é coisa só de empresa grande. Quanto mais cedo o empreendedor internalizar essas práticas, maiores serão as chances de crescimento sustentável”, destaca.
A combinação de proteção (colchão financeiro) com estratégia (política de investimentos e gestão eficiente do giro) transforma o caixa de uma simples reserva de emergência para uma verdadeira alavanca de crescimento.
Ter dinheiro parado é desperdício
Outra crença que Vivian combate é a ideia de que dinheiro parado é sinônimo de segurança. “Ter dinheiro parado não é sinônimo de segurança, e sim de desperdício. Já ter uma política clara e alinhada com os sócios transforma o caixa em alavanca de crescimento”, conclui.
Boas práticas para começar hoje

Passo a passo para estruturar um colchão financeiro:
- Levante os custos fixos mensais da empresa, incluindo salários, aluguel, energia, fornecedores estratégicos e tecnologia.
- Defina uma meta de reserva, entre 3 e 6 vezes esse valor.
- Abra uma conta PJ separada, destinada exclusivamente à reserva de emergência.
- Automatize aportes mensais, mesmo que pequenos, até alcançar a meta.
- Elabore uma política de investimento, com regras claras e participação dos sócios.
- Revisite a política regularmente, ajustando conforme o crescimento da empresa ou mudanças no cenário econômico.
- Busque orientação especializada, especialmente em momentos de maior liquidez ou necessidade de diversificação.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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