Os preços dos combustíveis registraram queda nos postos brasileiros na última semana de abril, enquanto o gás de cozinha voltou a subir. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável pelo monitoramento oficial do setor no país.
Gasolina, etanol e diesel recuam; GLP sobe, diz ANP
Gasolina, etanol e diesel recuam no Brasil, enquanto GLP sobe. Veja preços atualizados e o que explica as mudanças nos combustíveis.
A movimentação reforça um cenário de volatilidade, influenciado por fatores internacionais — como o preço do petróleo — e por medidas adotadas pelo governo federal para conter os impactos ao consumidor.
Gasolina recua, mas ainda está acima do período pré-crise
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O preço médio da gasolina caiu 0,72% entre os dias 26 de abril e 2 de maio, chegando a R$ 6,67 por litro no país.
Apesar da leve redução, o combustível ainda está 6,21% mais caro do que no período anterior à escalada internacional dos preços do petróleo.
Onde a gasolina está mais cara?
A variação regional continua significativa, refletindo logística, impostos estaduais e concorrência local.
Estados com gasolina mais cara:
- Roraima: R$ 7,74
- Acre: R$ 7,49
- Rondônia: R$ 7,28
Estados com gasolina mais barata:
- Distrito Federal: R$ 6,27
- Minas Gerais: R$ 6,37
- Maranhão: R$ 6,42
Entre as capitais, Boa Vista lidera com o maior preço, enquanto São Luís apresenta o menor valor médio.
Diesel registra queda mais intensa na semana
O diesel teve uma redução mais expressiva: queda de 1,53%, com o litro sendo vendido, em média, a R$ 7,10.
Ainda assim, o combustível acumula alta de 17,74% em relação ao período anterior à crise internacional, evidenciando o impacto persistente no transporte e na cadeia produtiva.
Variação regional do diesel
Mais caro:
- Acre: R$ 8,02
- Alagoas: R$ 7,86
- Bahia: R$ 7,79
Mais barato:
- Minas Gerais: R$ 6,87
- Espírito Santo: R$ 6,89
- Paraíba: R$ 6,91
A diferença de preços afeta diretamente o custo do frete e, consequentemente, o valor final de produtos no varejo.
Etanol tem a maior queda percentual entre os combustíveis
O etanol apresentou recuo de 2,14%, com preço médio de R$ 4,56 por litro — sendo o combustível com maior queda proporcional no período analisado.
Diferente da gasolina e do diesel, o etanol está 1,51% mais barato do que antes da crise internacional.
Onde o etanol compensa mais
O etanol segue mais competitivo em estados com forte produção agrícola, especialmente no Centro-Oeste e Sudeste.
Mais barato:
- São Paulo: R$ 4,29
- Mato Grosso do Sul: R$ 4,38
- Mato Grosso: R$ 4,53
Mais caro:
- Rondônia: R$ 5,68
- Pernambuco: R$ 5,64
- Sergipe: R$ 5,61
Na prática, o etanol tende a valer a pena quando custa até 70% do valor da gasolina — regra amplamente adotada no mercado.
Gás de cozinha sobe e pesa no orçamento das famílias
Na contramão dos combustíveis líquidos, o GLP (gás de cozinha) subiu 0,24% na semana, com preço médio de R$ 114,88 por botijão de 13 kg.
O produto acumula alta de 4,56% em relação ao período anterior à crise internacional, pressionando especialmente famílias de baixa renda.
Diferença de preços do botijão no Brasil
Mais caro:
- Roraima: R$ 142,27
- Tocantins: R$ 133,58
- Amapá: R$ 128,76
Mais barato:
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- Rio de Janeiro: R$ 103,52
- Espírito Santo: R$ 104,19
- Pernambuco: R$ 104,74
A diferença regional ultrapassa R$ 40, evidenciando desigualdades logísticas e tributárias.
Por que os preços estão variando?
A principal explicação está no cenário internacional. A valorização do barril de petróleo — acima de US$ 100 — elevou os custos globais de energia.
Além disso, conflitos geopolíticos impactam diretamente a oferta e a demanda, refletindo nos preços internos.
No Brasil, fatores como câmbio, impostos estaduais (ICMS) e custos de distribuição também influenciam diretamente o valor final ao consumidor.
Medidas do governo para conter os preços
O governo federal tem adotado uma série de ações para tentar reduzir os impactos no bolso da população:
Subsídios e incentivos diretos
- Subvenção de R$ 1,20 por litro para diesel importado
- Subsídio de R$ 0,80 por litro para diesel nacional
- Apoio à importação de GLP com custo de R$ 850 por tonelada
Outras medidas
- Linha de crédito de R$ 9 bilhões para o setor aéreo
- Fiscalização mais rígida contra aumentos abusivos
- Proposta de uso de lucros do petróleo para reduzir tributos
Essas ações seguem práticas adotadas em momentos de crise energética e buscam estabilizar o mercado interno.
O que esperar?
A tendência de curto prazo depende principalmente do cenário internacional. Caso o preço do petróleo continue elevado, a pressão sobre os combustíveis pode retornar.
Por outro lado, políticas públicas e eventuais reduções tributárias podem ajudar a conter novas altas.
Para o consumidor, a recomendação é acompanhar os preços semanalmente — prática facilitada pelos relatórios públicos da ANP — e avaliar alternativas, como o uso do etanol quando mais vantajoso.
Considerações finais
A queda nos preços da gasolina, do diesel e do etanol traz um alívio momentâneo ao consumidor brasileiro, mas o cenário ainda exige cautela. O aumento do gás de cozinha mostra que a inflação energética segue pressionando o orçamento das famílias.
A combinação entre fatores internacionais e políticas internas continuará sendo determinante para o comportamento dos preços nas próximas semanas.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
