A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou neste mês a atualização da antiga lei que regulamenta as profissões de engenharia, agronomia e geociências. O novo texto moderniza regras de registro profissional, amplia conselhos, define atuação de estrangeiros e estabelece prazos automáticos para registros. A proposta segue agora para análise na Comissão de Constituição e Justiça antes de ser votada em Plenário.
Comissão aprova atualização da lei que regula engenheiros e agrônomos
Comissão da Câmara aprova modernização da lei que regula engenheiros, agrônomos e tecnólogos, ampliando conselhos e facilitando registros.
Contexto e relevância da mudança
Histórico da legislação vigente
Desde 1966, a regulamentação das engenharias e agronomia no Brasil está regida pela lei 5.194. Apesar de avanços pontuais ao longo das décadas, a legislação tornou-se incompatível com o dinamismo atual dessas áreas hoje integradas pelo Sistema Confea/CREA.
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Necessidade de atualização
Profissionais e especialistas apontam que as exigências burocráticas e a estrutura relativamente fechada do sistema dificultam o registro e a prática ética. A modernização proposta busca equilibrar a proteção pública com mais agilidade e inclusão no processo profissional.
Principais mudanças no projeto aprovado
Ampliação do número de conselheiros
O conselho federal passará a ter 32 membros, contra 18 anteriores. Desses, 27 serão representantes regionais ou indicados por instituições de ensino e tecnólogos, reforçando diversidade e representatividade.
Mandatos com nova duração
Presidentes do conselho federal e dos regionais terão mandatos de quatro anos, com possibilidade de reeleição, substituindo os mandatos anteriores de três anos com restrição prevista apenas para um único mandato.
Registro de profissionais estrangeiros
O novo texto prevê autorização para engenheiros estrangeiros atuarem no Brasil, desde que haja reciprocidade com seus países de origem. Também é dispensada a exigência de assistente técnico local, reduzindo barreiras burocráticas em projetos internacionais.
Prazos automáticos para registros
O projeto estabelece prazos máximos de 90 dias para profissionais e 45 dias para empresas se regularizarem em âmbito regional. Se esses prazos não forem cumpridos, o registro será concedido automaticamente, sem necessidade de recursos adicionais.
Definição de áreas de atuação
O conselho federal passará a listar com clareza quais atividades são privativas de engenheiros e agrônomos, e quais podem ser compartilhadas com outras categorias regulamentadas, promovendo transparência em fronteiras profissionais.
Fiscalização ampliada
A proposta também prevê que a fiscalização profissional inclua tecnólogos e técnicos de segurança do trabalho, reforçando a supervisão sobre setores complementares à engenharia.
Resolução de conflitos normativos
Em caso de divergências sobre atribuições entre conselhos profissionais, a solução será feita por acordo conjunta, fortalecendo a harmonização normativa.
Impactos esperados na profissão
Maior dinamismo e representatividade
Com conselhos mais variados e renovação de mandatos, espera-se um ambiente institucional mais responsivo, capaz de dialogar com ensino, mercado e sociedade.
Redução da burocracia
Profissionais estrangeiros terão caminho mais claro para registro, e novos prazos automáticos devem agilizar registros sem intervenção burocrática excessiva.
Claridade nos limites de competência
Estabelecer o que é reservado a engenheiros e agrônomos evita disputas com outras áreas técnicas, protege a qualidade profissional e concede mais segurança jurídica.
Inclusão de tecnólogos e técnicos
Ao ampliar o escopo fiscalizatório, a proposta valoriza profissões aliadas à engenharia, promovendo integração sem hierarquia excludente.
Próximas etapas do processo legislativo
Tramitação na Comissão de Constituição
Após aprovação pela Comissão de Finanças, o projeto seguirá à comissão responsável pela análise de constitucionalidade. Caso seja aprovado, seguirá para Plenário da Câmara e, posteriormente, ao Senado.
Debates partidários e setoriais
O projeto tende a gerar debates sobre equilíbrio entre proteção profissional e agilidade burocrática. Instituições de ensino, sindicatos e representações regionais participarão ativamente das discussões.
Possibilidade de emendas
Alterações podem ser sugeridas sobre temas como prazos, exigências técnicas e exigências de comprovação de reciprocidade para estrangeiros, o que pode alterar o alcance da proposta final.
Desafios e pontos controversos
Risco de interferência política
A ampliação do número de conselheiros pode ser vista como aumento da influência política, com possíveis disputas entre bancadas; a proposta tenta mitigar isso com mandatos claros.
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Qualificação versus representatividade
Incluir tecnólogos e representantes regionais fortalece perspectivas técnicas, mas deve ser equilibrado para preservar a qualidade nos conselhos.
Equilíbrio nas fronteiras profissionais
A definição de áreas privativas deve evitar lacunas, garantindo que alguém regulamentado não seja responsabilizado por práticas mal delimitadas.
Avaliação do setor técnico

Confea e entidades regionais
Profissionais da regulamentação percebem a atualização como um passo essencial para modernização, mas alertam para a necessidade de acompanhar a execução concreta das mudanças.
Instituições acadêmicas
As universidades e faculdades que formam engenheiros e agrônomos apoiam maior presença na regulamentação, mas defendem manutenção de critérios técnicos e meritocráticos.
Sociedade civil e usuários
A população, beneficiária de obras, serviços e consultorias técnicas, tende a ganhar com registros mais ágeis e fiscalização mais efetiva, resultando em serviços de melhor qualidade.
Comparativo com outras profissões regulamentadas
Arquitetura e medicina
Esses setores já contam com regras modernas sobre registro e mandatos, e devem servir como referência para balancear representatividade, agilidade e qualidade técnica.
Benefícios potenciais para o mercado
Maior atração de investimentos
Menos burocracia e agilidade no registro atraem empresas estrangeiras, especialmente em setores como infraestrutura e agronegócio.
Incentivo à inovação
Menor rigidez permite que novos nichos tecnológicos sejam ocupados por engenheiros e agrônomos com maior autonomia e suporte técnico.
Conclusão
A aprovação do substitutivo ao projeto de lei que revê a lei de regulamentação das engenharias e agronomia é um marco histórico. A proposta amplia representantes regionais, define mandatos mais longos, regula estrangeiros, reduz burocracia e reforça a fiscalização. Se mantido até o final, o texto promete modernizar o sistema Confea/CREA, valorizando profissionais e fortalecendo o desenvolvimento técnico no Brasil. O próximo passo será sua análise constitucional, com expectativa positiva do setor profissional.
