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Comissão aprova atualização da lei que regula engenheiros e agrônomos

Comissão da Câmara aprova modernização da lei que regula engenheiros, agrônomos e tecnólogos, ampliando conselhos e facilitando registros.

Julia FernandesPor Julia Fernandes5 min de leitura
Lei

A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou neste mês a atualização da antiga lei que regulamenta as profissões de engenharia, agronomia e geociências. O novo texto moderniza regras de registro profissional, amplia conselhos, define atuação de estrangeiros e estabelece prazos automáticos para registros. A proposta segue agora para análise na Comissão de Constituição e Justiça antes de ser votada em Plenário.

Contexto e relevância da mudança

Histórico da legislação vigente

Desde 1966, a regulamentação das engenharias e agronomia no Brasil está regida pela lei 5.194. Apesar de avanços pontuais ao longo das décadas, a legislação tornou-se incompatível com o dinamismo atual dessas áreas hoje integradas pelo Sistema Confea/CREA.

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Necessidade de atualização

Profissionais e especialistas apontam que as exigências burocráticas e a estrutura relativamente fechada do sistema dificultam o registro e a prática ética. A modernização proposta busca equilibrar a proteção pública com mais agilidade e inclusão no processo profissional.

Principais mudanças no projeto aprovado

Ampliação do número de conselheiros

O conselho federal passará a ter 32 membros, contra 18 anteriores. Desses, 27 serão representantes regionais ou indicados por instituições de ensino e tecnólogos, reforçando diversidade e representatividade.

Mandatos com nova duração

Presidentes do conselho federal e dos regionais terão mandatos de quatro anos, com possibilidade de reeleição, substituindo os mandatos anteriores de três anos com restrição prevista apenas para um único mandato.

Registro de profissionais estrangeiros

O novo texto prevê autorização para engenheiros estrangeiros atuarem no Brasil, desde que haja reciprocidade com seus países de origem. Também é dispensada a exigência de assistente técnico local, reduzindo barreiras burocráticas em projetos internacionais.

Prazos automáticos para registros

O projeto estabelece prazos máximos de 90 dias para profissionais e 45 dias para empresas se regularizarem em âmbito regional. Se esses prazos não forem cumpridos, o registro será concedido automaticamente, sem necessidade de recursos adicionais.

Definição de áreas de atuação

O conselho federal passará a listar com clareza quais atividades são privativas de engenheiros e agrônomos, e quais podem ser compartilhadas com outras categorias regulamentadas, promovendo transparência em fronteiras profissionais.

Fiscalização ampliada

A proposta também prevê que a fiscalização profissional inclua tecnólogos e técnicos de segurança do trabalho, reforçando a supervisão sobre setores complementares à engenharia.

Resolução de conflitos normativos

Em caso de divergências sobre atribuições entre conselhos profissionais, a solução será feita por acordo conjunta, fortalecendo a harmonização normativa.

Impactos esperados na profissão

Maior dinamismo e representatividade

Com conselhos mais variados e renovação de mandatos, espera-se um ambiente institucional mais responsivo, capaz de dialogar com ensino, mercado e sociedade.

Redução da burocracia

Profissionais estrangeiros terão caminho mais claro para registro, e novos prazos automáticos devem agilizar registros sem intervenção burocrática excessiva.

Claridade nos limites de competência

Estabelecer o que é reservado a engenheiros e agrônomos evita disputas com outras áreas técnicas, protege a qualidade profissional e concede mais segurança jurídica.

Inclusão de tecnólogos e técnicos

Ao ampliar o escopo fiscalizatório, a proposta valoriza profissões aliadas à engenharia, promovendo integração sem hierarquia excludente.

Próximas etapas do processo legislativo

Tramitação na Comissão de Constituição

Após aprovação pela Comissão de Finanças, o projeto seguirá à comissão responsável pela análise de constitucionalidade. Caso seja aprovado, seguirá para Plenário da Câmara e, posteriormente, ao Senado.

Debates partidários e setoriais

O projeto tende a gerar debates sobre equilíbrio entre proteção profissional e agilidade burocrática. Instituições de ensino, sindicatos e representações regionais participarão ativamente das discussões.

Possibilidade de emendas

Alterações podem ser sugeridas sobre temas como prazos, exigências técnicas e exigências de comprovação de reciprocidade para estrangeiros, o que pode alterar o alcance da proposta final.

Desafios e pontos controversos

Risco de interferência política

A ampliação do número de conselheiros pode ser vista como aumento da influência política, com possíveis disputas entre bancadas; a proposta tenta mitigar isso com mandatos claros.

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Qualificação versus representatividade

Incluir tecnólogos e representantes regionais fortalece perspectivas técnicas, mas deve ser equilibrado para preservar a qualidade nos conselhos.

Equilíbrio nas fronteiras profissionais

A definição de áreas privativas deve evitar lacunas, garantindo que alguém regulamentado não seja responsabilizado por práticas mal delimitadas.

Avaliação do setor técnico

Lei
Imagem: Freepik

Confea e entidades regionais

Profissionais da regulamentação percebem a atualização como um passo essencial para modernização, mas alertam para a necessidade de acompanhar a execução concreta das mudanças.

Instituições acadêmicas

As universidades e faculdades que formam engenheiros e agrônomos apoiam maior presença na regulamentação, mas defendem manutenção de critérios técnicos e meritocráticos.

Sociedade civil e usuários

A população, beneficiária de obras, serviços e consultorias técnicas, tende a ganhar com registros mais ágeis e fiscalização mais efetiva, resultando em serviços de melhor qualidade.

Comparativo com outras profissões regulamentadas

Arquitetura e medicina

Esses setores já contam com regras modernas sobre registro e mandatos, e devem servir como referência para balancear representatividade, agilidade e qualidade técnica.

Benefícios potenciais para o mercado

Maior atração de investimentos

Menos burocracia e agilidade no registro atraem empresas estrangeiras, especialmente em setores como infraestrutura e agronegócio.

Incentivo à inovação

Menor rigidez permite que novos nichos tecnológicos sejam ocupados por engenheiros e agrônomos com maior autonomia e suporte técnico.

Conclusão

A aprovação do substitutivo ao projeto de lei que revê a lei de regulamentação das engenharias e agronomia é um marco histórico. A proposta amplia representantes regionais, define mandatos mais longos, regula estrangeiros, reduz burocracia e reforça a fiscalização. Se mantido até o final, o texto promete modernizar o sistema Confea/CREA, valorizando profissionais e fortalecendo o desenvolvimento técnico no Brasil. O próximo passo será sua análise constitucional, com expectativa positiva do setor profissional.

Julia Fernandes

Autor

Julia Fernandes

Júlia Fernandes é redatora do portal Seu Crédito Digital, onde compartilha conteúdos atualizados sobre economia, finanças pessoais, benefícios sociais, oportunidades para o cidadão e as principais notícias que impactam o dia a dia dos brasileiros. Gaúcha, comunicadora nata e apaixonada por escrever com empatia, Júlia combina informação com sensibilidade e leveza, sempre buscando ajudar o leitor a tomar decisões mais conscientes e informadas.

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