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Comissão vai avaliar aumento do limite do MEI para R$ 130 mil

Projeto em análise na Câmara pode elevar limite do MEI e permitir até dois empregados. Entenda impactos e próximos passos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
Comissão vai avaliar aumento do limite do MEI para R$ 130 mil

O comando da Câmara dos Deputados confirmou a instalação de uma comissão especial para avaliar a proposta que revisa as regras do Microempreendedor Individual (MEI). A iniciativa, já em tramitação no Congresso, não se limita ao aumento do teto de faturamento: o texto também abre espaço para que esses pequenos negócios possam contratar até dois funcionários, ampliando o modelo atual.

O tema tem grande relevância para milhões de brasileiros que atuam como pequenos empreendedores, especialmente em um cenário de busca por formalização e geração de renda.

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O que prevê o projeto em análise

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/21, originado no Senado, propõe alterações importantes no regime do MEI, que não sofre atualização no teto de faturamento desde 2018.

Aumento do limite de faturamento

Atualmente, o microempreendedor individual pode faturar até R$ 81 mil por ano — o equivalente a uma média mensal de R$ 6.750. Com a proposta, esse teto passaria para R$ 130 mil anuais, elevando a média mensal para aproximadamente R$ 10.833.

Na prática, essa mudança permitiria que negócios em expansão permanecessem enquadrados como MEI por mais tempo, evitando a migração precoce para regimes tributários mais complexos, como o Simples Nacional.

Possibilidade de contratar mais funcionários

Hoje, o MEI pode contratar apenas um empregado com remuneração de até um salário mínimo ou o piso da categoria. O novo texto amplia esse limite para até dois funcionários, o que pode impulsionar a geração de empregos formais.

Essa flexibilização atende a uma demanda recorrente de pequenos empreendedores que enfrentam dificuldades para expandir suas atividades dentro das regras atuais.

Estrutura da comissão especial

Para dar andamento à análise da proposta, foi criada uma comissão especial na Câmara dos Deputados. O deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC) foi indicado como relator do projeto, enquanto a deputada Any Ortiz (Cidadania-RS) assumirá a presidência do colegiado.

Segundo Hugo Motta, a comissão ouvirá representantes de diversos setores da economia, incluindo entidades empresariais, especialistas em tributação e órgãos governamentais. A intenção é promover um debate amplo e técnico antes da votação.

Impacto econômico e fiscal da proposta

A ampliação do limite do MEI envolve um equilíbrio delicado entre estímulo à economia e impacto nas contas públicas.

Geração de emprego e renda

Um dos principais argumentos favoráveis ao projeto é o potencial de geração de empregos. Ao permitir a contratação de dois funcionários, o MEI pode deixar de ser apenas uma alternativa de autoemprego e se transformar em um pequeno gerador de vagas formais.

Além disso, o aumento do limite de faturamento pode incentivar a formalização de trabalhadores que hoje atuam na informalidade, ampliando a base de contribuintes.

Possível impacto na arrecadação

Por outro lado, especialistas apontam que a medida pode ter impacto fiscal relevante. Isso porque o MEI possui carga tributária reduzida e simplificada, com valores fixos mensais que incluem tributos como INSS, ICMS e ISS.

Ao permitir que empresas com faturamento maior permaneçam nesse regime, o governo pode deixar de arrecadar valores mais elevados que seriam cobrados em outros enquadramentos tributários.

Por que o limite do MEI não foi atualizado antes

Desde 2018, quando o teto foi fixado em R$ 81 mil, não houve correção oficial baseada na inflação. Nesse período, o Brasil registrou aumentos significativos nos custos operacionais, incluindo aluguel, energia, insumos e salários.

Na prática, muitos microempreendedores ultrapassam o limite atual não por crescimento real do negócio, mas por efeitos inflacionários. Isso acaba forçando o desenquadramento do MEI e a migração para regimes mais burocráticos.

O que muda na prática para o microempreendedor

Caso o projeto seja aprovado, as mudanças terão impacto direto na rotina dos MEIs.

Mais espaço para crescer sem mudar de regime

Com o novo teto, empreendedores poderão expandir suas vendas sem a preocupação imediata de ultrapassar o limite permitido. Isso traz maior previsibilidade e segurança para o planejamento financeiro.

Ampliação da capacidade operacional

A possibilidade de contratar um segundo funcionário pode aumentar a produtividade do negócio, permitindo atender mais clientes e diversificar serviços.

Redução da informalidade

Ao tornar o regime mais atrativo, a expectativa é que trabalhadores informais passem a considerar a formalização como MEI, especialmente em setores como comércio, serviços e alimentação.

Exemplos práticos no contexto brasileiro

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Para entender melhor o impacto da proposta, considere dois cenários comuns:

Caso 1: pequeno comerciante

Um vendedor de roupas que fatura cerca de R$ 9 mil por mês atualmente ultrapassa o limite anual do MEI. Com a mudança, ele poderia continuar no regime, mantendo a tributação simplificada e reduzindo custos contábeis.

Caso 2: prestador de serviços

Um eletricista que precisa de ajuda para atender à demanda hoje está limitado a apenas um funcionário. Com a nova regra, poderia contratar mais um ajudante, ampliando sua capacidade de atendimento e aumentando a renda.

Próximos passos da proposta

O projeto ainda precisa passar por análise da comissão especial antes de seguir para votação no plenário da Câmara. Se aprovado, será encaminhado ao Senado ou à sanção presidencial, dependendo do estágio da tramitação.

Não há prazo definido para conclusão, mas a sinalização política indica que o tema é tratado como prioritário.

O que dizem especialistas e entidades

Entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) já se posicionaram anteriormente a favor da atualização do limite do MEI, destacando a necessidade de adequação à realidade econômica atual.

Especialistas em direito tributário também defendem a revisão periódica dos limites, para evitar distorções e incentivar o crescimento sustentável dos pequenos negócios.

Vale a pena acompanhar essa mudança?

Para quem já é MEI ou pretende se formalizar, acompanhar a tramitação do projeto é essencial. A eventual aprovação pode representar mais oportunidades de crescimento, redução de custos e maior estabilidade no negócio.

Ao mesmo tempo, é importante estar atento às regras e obrigações do regime, como pagamento mensal do DAS, emissão de notas fiscais e declaração anual de faturamento.

Conclusão

A proposta de aumento do limite de faturamento do MEI e ampliação da contratação de funcionários marca um momento importante para o empreendedorismo no Brasil. A medida busca modernizar o regime, alinhando-o às demandas atuais do mercado.

Embora ainda esteja em fase de discussão, o projeto já mobiliza diferentes setores e levanta debates relevantes sobre crescimento econômico, formalização e equilíbrio fiscal. Para milhões de brasileiros, as mudanças podem representar uma nova fase de oportunidades no mundo dos pequenos negócios.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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