Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Comissão vai avaliar aumento do limite do MEI para R$ 130 mil

O comando da Câmara dos Deputados confirmou a instalação de uma comissão especial para avaliar a proposta que revisa as regras do Microempreendedor Individual (MEI). A iniciativa, já em tramitação no Congresso, não se limita ao aumento do teto de faturamento: o texto também abre espaço para que esses pequenos negócios possam contratar até dois […]

Avatar de Juliana Peixoto Juliana Peixoto · · 6 min de leitura
mei 073 2

O comando da Câmara dos Deputados confirmou a instalação de uma comissão especial para avaliar a proposta que revisa as regras do Microempreendedor Individual (MEI). A iniciativa, já em tramitação no Congresso, não se limita ao aumento do teto de faturamento: o texto também abre espaço para que esses pequenos negócios possam contratar até dois funcionários, ampliando o modelo atual.

O tema tem grande relevância para milhões de brasileiros que atuam como pequenos empreendedores, especialmente em um cenário de busca por formalização e geração de renda.

Leia mais:

Luz do Povo: critérios definem desconto na tarifa de energia

O que prevê o projeto em análise

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/21, originado no Senado, propõe alterações importantes no regime do MEI, que não sofre atualização no teto de faturamento desde 2018.

Aumento do limite de faturamento

Atualmente, o microempreendedor individual pode faturar até R$ 81 mil por ano — o equivalente a uma média mensal de R$ 6.750. Com a proposta, esse teto passaria para R$ 130 mil anuais, elevando a média mensal para aproximadamente R$ 10.833.

Na prática, essa mudança permitiria que negócios em expansão permanecessem enquadrados como MEI por mais tempo, evitando a migração precoce para regimes tributários mais complexos, como o Simples Nacional.

Possibilidade de contratar mais funcionários

Hoje, o MEI pode contratar apenas um empregado com remuneração de até um salário mínimo ou o piso da categoria. O novo texto amplia esse limite para até dois funcionários, o que pode impulsionar a geração de empregos formais.

Essa flexibilização atende a uma demanda recorrente de pequenos empreendedores que enfrentam dificuldades para expandir suas atividades dentro das regras atuais.

Estrutura da comissão especial

Para dar andamento à análise da proposta, foi criada uma comissão especial na Câmara dos Deputados. O deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC) foi indicado como relator do projeto, enquanto a deputada Any Ortiz (Cidadania-RS) assumirá a presidência do colegiado.

Segundo Hugo Motta, a comissão ouvirá representantes de diversos setores da economia, incluindo entidades empresariais, especialistas em tributação e órgãos governamentais. A intenção é promover um debate amplo e técnico antes da votação.

Impacto econômico e fiscal da proposta

A ampliação do limite do MEI envolve um equilíbrio delicado entre estímulo à economia e impacto nas contas públicas.

Geração de emprego e renda

Um dos principais argumentos favoráveis ao projeto é o potencial de geração de empregos. Ao permitir a contratação de dois funcionários, o MEI pode deixar de ser apenas uma alternativa de autoemprego e se transformar em um pequeno gerador de vagas formais.

Além disso, o aumento do limite de faturamento pode incentivar a formalização de trabalhadores que hoje atuam na informalidade, ampliando a base de contribuintes.

Possível impacto na arrecadação

Por outro lado, especialistas apontam que a medida pode ter impacto fiscal relevante. Isso porque o MEI possui carga tributária reduzida e simplificada, com valores fixos mensais que incluem tributos como INSS, ICMS e ISS.

Ao permitir que empresas com faturamento maior permaneçam nesse regime, o governo pode deixar de arrecadar valores mais elevados que seriam cobrados em outros enquadramentos tributários.

Por que o limite do MEI não foi atualizado antes

Desde 2018, quando o teto foi fixado em R$ 81 mil, não houve correção oficial baseada na inflação. Nesse período, o Brasil registrou aumentos significativos nos custos operacionais, incluindo aluguel, energia, insumos e salários.

Na prática, muitos microempreendedores ultrapassam o limite atual não por crescimento real do negócio, mas por efeitos inflacionários. Isso acaba forçando o desenquadramento do MEI e a migração para regimes mais burocráticos.

O que muda na prática para o microempreendedor

Caso o projeto seja aprovado, as mudanças terão impacto direto na rotina dos MEIs.

Mais espaço para crescer sem mudar de regime

Com o novo teto, empreendedores poderão expandir suas vendas sem a preocupação imediata de ultrapassar o limite permitido. Isso traz maior previsibilidade e segurança para o planejamento financeiro.

Ampliação da capacidade operacional

A possibilidade de contratar um segundo funcionário pode aumentar a produtividade do negócio, permitindo atender mais clientes e diversificar serviços.

Redução da informalidade

Ao tornar o regime mais atrativo, a expectativa é que trabalhadores informais passem a considerar a formalização como MEI, especialmente em setores como comércio, serviços e alimentação.

Exemplos práticos no contexto brasileiro

Para entender melhor o impacto da proposta, considere dois cenários comuns:

Caso 1: pequeno comerciante

Um vendedor de roupas que fatura cerca de R$ 9 mil por mês atualmente ultrapassa o limite anual do MEI. Com a mudança, ele poderia continuar no regime, mantendo a tributação simplificada e reduzindo custos contábeis.

Caso 2: prestador de serviços

Um eletricista que precisa de ajuda para atender à demanda hoje está limitado a apenas um funcionário. Com a nova regra, poderia contratar mais um ajudante, ampliando sua capacidade de atendimento e aumentando a renda.

Próximos passos da proposta

O projeto ainda precisa passar por análise da comissão especial antes de seguir para votação no plenário da Câmara. Se aprovado, será encaminhado ao Senado ou à sanção presidencial, dependendo do estágio da tramitação.

Não há prazo definido para conclusão, mas a sinalização política indica que o tema é tratado como prioritário.

O que dizem especialistas e entidades

Entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) já se posicionaram anteriormente a favor da atualização do limite do MEI, destacando a necessidade de adequação à realidade econômica atual.

Especialistas em direito tributário também defendem a revisão periódica dos limites, para evitar distorções e incentivar o crescimento sustentável dos pequenos negócios.

Vale a pena acompanhar essa mudança?

Para quem já é MEI ou pretende se formalizar, acompanhar a tramitação do projeto é essencial. A eventual aprovação pode representar mais oportunidades de crescimento, redução de custos e maior estabilidade no negócio.

Ao mesmo tempo, é importante estar atento às regras e obrigações do regime, como pagamento mensal do DAS, emissão de notas fiscais e declaração anual de faturamento.

Conclusão

A proposta de aumento do limite de faturamento do MEI e ampliação da contratação de funcionários marca um momento importante para o empreendedorismo no Brasil. A medida busca modernizar o regime, alinhando-o às demandas atuais do mercado.

Embora ainda esteja em fase de discussão, o projeto já mobiliza diferentes setores e levanta debates relevantes sobre crescimento econômico, formalização e equilíbrio fiscal. Para milhões de brasileiros, as mudanças podem representar uma nova fase de oportunidades no mundo dos pequenos negócios.

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.