As férias são um dos principais direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), oferecendo ao trabalhador um período de descanso após 12 meses de serviço. No entanto, muitos optam por transformar parte dessas férias em uma renda extra. Esse processo é legal e previsto na legislação, sendo conhecido como abono de férias ou abono pecuniário.
Como o abono de férias funciona? E como solicitar?
Descubra como funciona o abono de férias, quem tem direito, como solicitar, prazos e se vale a pena vender parte do período de descanso em troca de dinheiro extra.
Neste artigo, vamos detalhar como o abono de férias funciona em 2025, quem pode solicitá-lo, como fazer o pedido corretamente e quais são as vantagens e desvantagens dessa escolha.
Leia mais:
Como funciona o pagamento de férias? Entenda
O que é o abono de férias?

Conceito legal
O abono de férias está previsto no artigo 143 da CLT, e permite ao trabalhador converter até 1/3 do período de férias em pagamento adicional. Isso significa que o empregado pode “vender” até 10 dos 30 dias de férias a que tem direito.
Artigo 143 da CLT:
“É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes.”
Exemplo prático
Um trabalhador com 30 dias de férias pode optar por vender 10 dias. Assim, ele descansará por 20 dias e receberá o valor referente aos 10 dias “vendidos”, acrescido de 1/3 constitucional.
Quem tem direito ao abono de férias?
Trabalhadores regidos pela CLT
O direito ao abono é garantido a todos os trabalhadores com carteira assinada que tenham completado o período aquisitivo de 12 meses de trabalho em uma mesma empresa.
Regras para solicitar
Para usufruir do benefício, o trabalhador precisa:
- Estar com vínculo empregatício ativo
- Ter completado 12 meses de trabalho (período aquisitivo)
- Fazer o pedido até 15 dias antes do fim do período aquisitivo
Importante para servidores públicos
Servidores e empregados públicos não seguem obrigatoriamente as mesmas regras da CLT. Cada órgão ou regime estatutário pode ter normas próprias para a concessão do abono.
Como solicitar o abono de férias?

Passo a passo para pedir o abono
1. Verifique o período aquisitivo
Antes de tudo, o trabalhador deve ter completado 12 meses de contrato. Somente após esse período é que o direito às férias e ao abono é adquirido.
2. Formalize o pedido
O pedido deve ser feito por escrito ao setor de Recursos Humanos, até 15 dias antes de encerrar o período aquisitivo. Isso é essencial para garantir a legalidade do processo.
3. Aguarde a concessão das férias
A empresa tem até 12 meses após o período aquisitivo (período concessivo) para conceder as férias. A partir daí, o pagamento do abono deve ser feito até dois dias antes do início do descanso.
4. Receba o valor
O trabalhador receberá:
- O salário normal das férias (20 dias, no exemplo)
- O adicional de 1/3 constitucional
- O valor dos 10 dias vendidos
Cálculo do abono de férias
Como calcular o valor do abono?
Se um funcionário ganha R$ 3.000,00 mensais e opta por vender 10 dias de férias, o cálculo será:
- Valor do abono (10 dias): R$ 1.000,00
- 1/3 constitucional sobre o abono: R$ 333,33
Total bruto do abono: R$ 1.333,33
O pagamento é feito junto com o valor das férias restantes.
Abono de férias sofre descontos?
Sim. O valor correspondente aos dias vendidos sofre descontos de INSS e Imposto de Renda, conforme a faixa salarial do trabalhador. No entanto, o 1/3 constitucional é isento dessas deduções.
Exemplo:
- Abono bruto: R$ 1.000,00 → Sujeito a INSS e IR
- 1/3 constitucional: R$ 333,33 → Isento
Diferença entre abono de férias e férias proporcionais
Férias proporcionais
São aquelas recebidas em rescisão contratual, referentes ao tempo trabalhado e não convertido em descanso.
Abono de férias
É um direito de quem está ativo na empresa, sendo opcional e solicitado antes da concessão das férias.
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Vantagens e desvantagens do abono de férias
Principais vantagens
- Renda extra legal sem necessidade de empréstimos
- Possibilidade de usar o valor para quitar dívidas ou investir
- O valor é garantido por lei, sem depender da aprovação da empresa
Principais desvantagens
- Menos dias de descanso podem prejudicar a saúde e o rendimento profissional
- Incidência de INSS e IR sobre o valor principal
- Em caso de demissão, os dias vendidos não são restituídos
Quando vale a pena vender parte das férias?
O abono de férias pode ser vantajoso para:
- Quem precisa de um reforço financeiro imediato
- Trabalhadores com planejamentos financeiros urgentes
- Quem consegue manter o bem-estar com menos dias de descanso
O que diz a CLT sobre o pagamento?

Segundo o artigo 145 da CLT, o pagamento das férias — incluindo o abono — deve ser feito até dois dias antes do início do período de gozo.
O não cumprimento desse prazo pode resultar em penalidades para o empregador.
Novidade: empréstimo consignado privado para CLT
Além do abono, uma nova alternativa para reforçar a renda do trabalhador CLT surgiu com as novas regras do consignado privado.
O que é o consignado privado?
É um tipo de empréstimo com desconto direto na folha de pagamento, disponível mesmo sem convênio formal com a empresa. Ou seja, qualquer trabalhador CLT pode contratar, desde que atenda a certos critérios.
Requisitos:
- Ter vínculo ativo
- Receber remuneração no mês vigente
- Ter margem consignável disponível (35% do salário líquido)
Vantagens:
- Juros mais baixos que outras modalidades
- Parcelamento de até 96 meses
- Comparação de ofertas de diferentes instituições financeiras
- Contratação 100% online pela CTPS Digital
Esse modelo pode ser uma solução alternativa para quem precisa de valores superiores ao abono ou deseja alongar o prazo de pagamento com menores impactos no orçamento mensal.
Considerações finais
O abono de férias é uma excelente alternativa para quem deseja reforçar o orçamento sem abrir mão completamente do descanso. Com previsão legal clara, facilidade de solicitação e pagamento antecipado, é um benefício importante que precisa ser compreendido e planejado com atenção.
Antes de tomar a decisão, o ideal é avaliar as finanças pessoais, o momento profissional e a necessidade real de descanso. Em muitos casos, os dias de folga podem ser mais valiosos do que o valor imediato no bolso.
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