Mesmo com as altas taxas de inflação nos últimos anos, o Armazém do Campo, pertencente ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), consegue manter os preços dos produtos alimentícios de uma forma justa aos consumidores.
Como o MST consegue vender produtos por preços menores?
Rede de produtos orgânicos do MST gera renda aos trabalhadores rurais e fornece a alimentos naturais à população. Saiba mais!
No ano de 2020, por exemplo, o arroz orgânico era vendido por R$ 6 no Armazém do Campo, enquanto o arroz comum custava, em média, R$ 8 nos supermercados do país. A rede varejista tem como foco democratizar o acesso aos alimentos orgânicos.
Segundo o coordenador do Armazém do Campo, Ademar Ludwig, o segredo para precificar os produtos do MST é baseado na produção dos alimentos e “não de uma commodity”. Nesse sentido, é possível seguir uma estabilidade e, então, vender as mercadorias por preços mais baixos.
Avanços na agroecologia e cooperativismo
O MST é o maior produtor de arroz orgânico do país. No entanto, muitas pessoas ainda rotulam o movimento apenas pela ocupação às terras e à luta pela reforma agrária.
Vale ressaltar que as causas que originaram o MST ainda perduram. Ao longo dos 39 anos de existência, foram mais de 400 mil famílias que conquistaram assentamentos em 23 estados do Brasil e no Distrito Federal.
Porém, a organização busca avançar na agroecologia e no cooperativismo. Nesse sentido, a produção e comercialização do Armazém do Campo não conta apenas com membros do MST. Há a participação de ribeirinhos, quilombolas e diversos outros grupos da agricultura familiar, totalizando cerca de mil organizações.
Armazém do Campo e a geração de renda
No início do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o MST produzia alimentos orgânicos para a merenda em diversas escolas do país. No entanto, o movimento sentiu a necessidade de profissionalizar a produção e, consequentemente, comercializar os alimentos semeados nos assentamentos para geração de renda.
Dessa forma, o MST realiza, desde 2016, feiras orgânicas em diversas cidades do Brasil. Foi assim que surgiu o Armazém do Campo. Atualmente, existem 39 unidades de comercialização, em que se incluem 25 lojas físicas. Os estabelecimentos estão espalhados em 36 municípios brasileiros, entre capitais e cidades do interior.
Mercado Digital
O Armazém do Campo também possui loja online. As vendas realizadas no portal são de acessórios (como bonés e ecobags) para todo o Brasil. Já os produtos alimentícios são comercializados para São Paulo e região. Além disso, também há a venda de hortifrutis pelo Whatsapp.
Os canais online contribuem com 20% a 25% das vendas, sendo que o lucro obtido pelo Armazém do Campo vai para os trabalhadores rurais.
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Pontos de distribuição e sazonalidade
Outro segredo por trás dos preços dos alimentos está na logística e disponibilidade dos produtos conforme a estação do ano. Desse modo, a rede prioriza a produção local, o que facilita o transporte de alimentos. Existem três centros de distribuição nas regiões Sul e Sudeste, localizados nas cidades de Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte.
No entanto, o coordenador do Armazém do Campo entende que, na sociedade atual, a sazonalidade não é respeitada na indústria alimentícia. Como forma de enfrentar essa cultura de consumo, a rede aposta na diversificação dos alimentos.
“A gente se esforça para ter tomate o ano todo, mas por causa da logística aumenta-se o valor, e a filosofia do orgânico também é ter um preço mais fixo”, explicou Ludwig ao portal IstoÉ Dinheiro.
Imagem: Reprodução/ Instagram @armazemdocampo.sp
