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Como o MST consegue vender produtos por preços menores?

Rede de produtos orgânicos do MST gera renda aos trabalhadores rurais e fornece a alimentos naturais à população. Saiba mais!

Januária VargasPor Januária Vargas3 min de leitura
produtos alimentícios do MST

Mesmo com as altas taxas de inflação nos últimos anos, o Armazém do Campo, pertencente ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), consegue manter os preços dos produtos alimentícios de uma forma justa aos consumidores. 

No ano de 2020, por exemplo, o arroz orgânico era vendido por  R$ 6 no Armazém do Campo, enquanto o arroz comum custava, em média, R$ 8 nos supermercados do país. A rede varejista tem como foco democratizar o acesso aos alimentos orgânicos. 

Segundo o coordenador do Armazém do Campo, Ademar Ludwig, o segredo para precificar os produtos do MST é baseado na produção dos alimentos e “não de uma commodity”. Nesse sentido, é possível seguir uma estabilidade e, então, vender as mercadorias por preços mais baixos. 

Avanços na agroecologia e cooperativismo

O MST é o maior produtor de arroz orgânico do país. No entanto, muitas pessoas ainda rotulam o movimento apenas pela ocupação às terras e à luta pela reforma agrária. 

Vale ressaltar que as causas que originaram o MST ainda perduram. Ao longo dos 39 anos de existência, foram mais de 400 mil famílias que conquistaram assentamentos em 23 estados do Brasil e no Distrito Federal. 

Porém, a organização busca avançar na agroecologia e no cooperativismo. Nesse sentido, a produção e comercialização do Armazém do Campo não conta apenas com membros do MST. Há a participação de ribeirinhos, quilombolas e diversos outros grupos da agricultura familiar, totalizando cerca de mil organizações. 

Armazém do Campo e a geração de renda

No início do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o MST produzia alimentos orgânicos para a merenda em diversas escolas do país. No entanto, o movimento sentiu a necessidade de profissionalizar a produção e, consequentemente, comercializar os alimentos semeados nos assentamentos para geração de renda.

Dessa forma, o MST realiza, desde 2016, feiras orgânicas em diversas cidades do Brasil. Foi assim que surgiu o Armazém do Campo. Atualmente, existem 39 unidades de comercialização, em que se incluem 25 lojas físicas. Os estabelecimentos estão espalhados em 36 municípios brasileiros, entre capitais e cidades do interior. 

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O Armazém do Campo também possui loja online. As vendas realizadas no portal são de acessórios (como bonés e ecobags) para todo o Brasil. Já os produtos alimentícios são comercializados para São Paulo e região. Além disso, também há a venda de hortifrutis pelo Whatsapp.

Os canais online contribuem com 20% a 25% das vendas, sendo que o lucro obtido pelo Armazém do Campo vai para os trabalhadores rurais. 

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Pontos de distribuição e sazonalidade

Outro segredo por trás dos preços dos alimentos está na logística e disponibilidade dos produtos conforme a estação do ano.  Desse modo, a rede prioriza a produção local, o que facilita o transporte de alimentos. Existem três centros de distribuição nas regiões Sul e Sudeste, localizados nas cidades de Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte.  

No entanto, o coordenador do Armazém do Campo entende que, na sociedade atual, a sazonalidade não é respeitada na indústria alimentícia. Como forma de enfrentar essa cultura de consumo, a rede aposta na diversificação dos alimentos. 

“A gente se esforça para ter tomate o ano todo, mas por causa da logística aumenta-se o valor, e a filosofia do orgânico também é ter um preço mais fixo”, explicou Ludwig ao portal IstoÉ Dinheiro. 

Imagem: Reprodução/ Instagram @armazemdocampo.sp

Januária Vargas

Autor

Januária Vargas

Jornalista, graduada pelo Centro Universitário UNA, com 10 anos de experiência em produção de textos e assessoria de comunicação. Atualmente, estuda Nutrição & Saúde Integrativa e trabalha como redatora do portal Seu Crédito Digital.

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