Pedir o desligamento de uma empresa é um momento delicado para qualquer profissional. A maneira como isso é feito pode impactar a reputação do trabalhador e até mesmo futuras oportunidades no mercado de trabalho. Mas será que é possível pedir demissão imediata e sair da empresa no mesmo dia?
Tem como pedir demissão imediata? Entenda
Descubra se é possível pedir demissão imediata, quais são os direitos do trabalhador e as consequências de não cumprir o aviso prévio.
A resposta é sim, mas essa decisão traz consequências tanto para o empregado quanto para o empregador. Neste artigo, vamos esclarecer quais são os direitos do trabalhador ao pedir demissão, as diferenças entre rescisão indireta, pedido de demissão e demissão em comum acordo, além de orientar sobre o processo correto para sair do emprego sem comprometer sua carreira.
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O que é a rescisão indireta?

A rescisão indireta ocorre quando o trabalhador pede o desligamento porque a empresa descumpriu suas obrigações contratuais. Isso pode acontecer em situações como:
- Assédio moral, sexual ou físico;
- Atraso recorrente de salário;
- Falta de pagamento de benefícios obrigatórios;
- Condições de trabalho inadequadas ou inseguras.
Quando a rescisão indireta é reconhecida pela Justiça do Trabalho, o empregado tem direito a todas as verbas rescisórias, como se tivesse sido demitido sem justa causa.
Direitos do trabalhador na rescisão indireta
Caso o empregado consiga comprovar que houve falhas da empresa que justificam a rescisão indireta, ele terá direito a:
- Saque do FGTS com a multa rescisória de 40%;
- Aviso prévio indenizado, caso não trabalhe os 30 dias finais;
- Seguro-desemprego, caso se encaixe nos critérios;
- Salário proporcional, 13º e férias vencidas ou proporcionais.
Pedido de demissão com aviso prévio
O modelo mais comum de desligamento ocorre quando o trabalhador comunica à empresa sua decisão com 30 dias de antecedência, cumprindo o aviso prévio.
Como funciona o aviso prévio?
O objetivo do aviso prévio é permitir que a empresa tenha tempo para encontrar um substituto para o cargo. Durante esse período, o trabalhador continua exercendo suas funções normalmente ou, em alguns casos, pode ser dispensado do cumprimento pelo empregador.
Se o funcionário optar por não cumprir o aviso prévio, a empresa pode descontar o valor correspondente ao período não trabalhado do seu salário.
Demissão em comum acordo
Desde a Reforma Trabalhista de 2017, o empregador e o empregado podem decidir, em conjunto, pela rescisão do contrato de trabalho. Essa modalidade traz vantagens para ambas as partes, evitando fraudes e garantindo direitos ao trabalhador.
Direitos na demissão em comum acordo
O funcionário recebe:
- 50% do aviso prévio indenizado (caso não cumpra);
- Saque de até 80% do FGTS;
- Multa de 20% sobre o saldo do FGTS (ao invés dos 40% da demissão sem justa causa);
- Salário proporcional e férias.
É possível pedir demissão imediata?
Sim! O funcionário pode pedir demissão e sair da empresa no mesmo dia. No entanto, ele perde alguns direitos trabalhistas importantes, como o aviso prévio remunerado e o saque do FGTS.
O ideal é que o profissional analise bem a situação antes de tomar essa decisão. Algumas empresas aceitam negociar a liberação do aviso prévio, enquanto outras exigem que o funcionário cumpra esse período ou descontem os dias não trabalhados.
Quais são os direitos do trabalhador na demissão imediata?

Mesmo sem cumprir o aviso prévio, o colaborador ainda tem direito a:
- Salário proporcional aos dias trabalhados no mês;
- 13º proporcional aos meses trabalhados no ano;
- Férias vencidas (caso existam), com acréscimo de 1/3 sobre o valor;
- Férias proporcionais, caso não tenha completado um ano na empresa.
Por outro lado, ao pedir demissão imediata, o funcionário perde:
- O aviso prévio indenizado, caso não cumpra os 30 dias;
- O direito ao saque do FGTS e à multa de 40%;
- O seguro-desemprego, pois esse benefício é concedido apenas em casos de demissão sem justa causa.
Como pedir demissão imediata corretamente?
Se a decisão já foi tomada, é essencial seguir alguns passos para manter uma boa relação com a empresa e evitar transtornos.
1. Entenda a legislação trabalhista
Antes de pedir demissão, leia a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para entender quais são seus direitos e deveres. Se houver dúvidas, busque auxílio de um advogado trabalhista ou do setor de Recursos Humanos da empresa.
2. Planeje financeiramente
Como a demissão imediata não dá direito ao seguro-desemprego nem ao saque do FGTS, é essencial ter uma reserva financeira antes de tomar essa decisão.
3. Comunique sua decisão ao chefe
O ideal é agendar uma reunião para comunicar a saída pessoalmente. A conversa deve ser objetiva e profissional, evitando conflitos desnecessários.
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4. Formalize o pedido por escrito
A carta de demissão deve ser clara e objetiva, incluindo:
- Data do pedido;
- Nome da empresa e do empregador;
- Justificativa (caso queira mencionar);
- Informação sobre o cumprimento ou não do aviso prévio;
- Assinatura do colaborador.
5. Verifique se há necessidade de rescisão indireta
Caso tenha sofrido alguma irregularidade na empresa, pode ser interessante consultar um advogado para avaliar se a rescisão indireta pode ser aplicada.
Dúvidas frequentes sobre demissão imediata

Posso pedir demissão a qualquer momento?
Sim, o trabalhador pode pedir demissão quando quiser. No entanto, precisa considerar as consequências e perdas financeiras envolvidas.
Preciso justificar o motivo do meu pedido de demissão?
Não. A lei não exige que o colaborador explique o motivo da saída.
A empresa pode me obrigar a cumprir o aviso prévio?
Se o empregado não quiser cumprir o aviso, a empresa pode descontar o valor correspondente do seu salário, conforme o artigo 487 da CLT.
O que acontece se eu pedir demissão e sair no mesmo dia?
Você perde o direito ao aviso prévio remunerado, ao saque do FGTS e ao seguro-desemprego. Além disso, a empresa pode descontar o aviso prévio da rescisão.
Conclusão
Pedir demissão imediata é um direito do trabalhador, mas pode trazer impactos financeiros importantes. Antes de tomar essa decisão, é essencial avaliar a situação, conversar com a empresa e, se possível, negociar um acordo que minimize as perdas.
A transparência e o respeito na comunicação são fundamentais para manter uma boa relação profissional e garantir que o desligamento ocorra da melhor forma possível.
Imagem: fizkes / Shutterstock.com
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