A morte de um ente querido é um momento de dor e adaptação, mas também pode trazer desafios práticos, como lidar com questões financeiras que ficaram pendentes. Entre elas, estão recursos que o falecido possuía e que, muitas vezes, passam despercebidos pela família — como saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cotas do PIS/Pasep, seguros de vida e indenizações de auxílio-funeral.
Como recuperar o dinheiro de um parente falecido? Confira
Saiba como identificar e resgatar valores esquecidos de um familiar falecido, como FGTS, PIS/Pasep, seguros de vida e indenizações.
Segundo um levantamento realizado pela Planeje Bem, especializada em planejamento sucessório, herdeiros deixaram de resgatar até R$ 50 mil em média nos seis primeiros meses de 2025. Em boa parte dos casos, a perda financeira ocorre por desconhecimento ou por falta de organização documental.
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O estudo, baseado em mais de cem atendimentos no primeiro semestre, revelou que até 70% dos casos de valores não resgatados envolvem homens — geralmente filhos, netos ou sobrinhos que não participavam da gestão financeira da pessoa falecida.
A diretora executiva da Planeje Bem, Carolina Aparicio, destaca que, após o luto, muitas famílias retomam a rotina e deixam de buscar os benefícios a que têm direito:
“No momento da perda, a atenção se volta para o funeral e as questões imediatas. Depois, a falta de informação e de documentos organizados dificulta a busca pelos valores.”
Quais valores podem ser resgatados por herdeiros
Herdeiros e dependentes legais podem solicitar diferentes tipos de recursos, desde que apresentem a documentação necessária e comprovem o vínculo com o falecido. Entre os mais comuns estão:
FGTS e PIS/Pasep
- FGTS: Pode ser retirado por dependentes ou herdeiros, mesmo se a conta estiver inativa.
- PIS/Pasep: Disponível para quem trabalhou formalmente entre 1971 e 1988. Os valores são pagos mediante solicitação à Caixa Econômica Federal ou ao Banco do Brasil.
Seguros de vida
Podem ser individuais ou coletivos (contratados pela empresa). Para localizar apólices ativas, basta consultar a Superintendência de Seguros Privados (Susep) ou a CNseg. É necessária a apresentação da certidão de óbito e documentos que comprovem o parentesco.
Previdência privada
Planos individuais ou empresariais podem ter valores acumulados. A consulta pode ser feita diretamente com a instituição financeira ou seguradora responsável.
Pensão por morte
Benefício pago pelo INSS a dependentes. A solicitação pode ser feita pelo site ou aplicativo Meu INSS, apresentando documentos como certidão de casamento ou união estável, CPF e certidão de óbito.
Seguro DPVAT
Indenizações por morte em acidentes de trânsito ocorridos até 31 de dezembro de 2023 ainda podem ser solicitadas. O pedido deve ser feito à Caixa Econômica Federal, que administra os pagamentos remanescentes.
Contas bancárias e investimentos
O Sistema de Valores a Receber do Banco Central (valoresareceber.bcb.gov.br) permite consultar, com o CPF do falecido, saldos esquecidos em contas bancárias e investimentos.
Como identificar valores esquecidos
Para evitar que recursos sejam perdidos, é fundamental realizar uma busca estruturada.
Contato com empresas e sindicatos
Procure o RH de todas as empresas onde o falecido trabalhou e o sindicato da categoria para verificar possíveis benefícios, seguros coletivos e previdências.
Consulta ao Banco Central
No site valoresareceber.bcb.gov.br, é possível verificar se existem saldos esquecidos em bancos, cooperativas de crédito e consórcios.
Pesquisa de seguros de vida
No portal da CNseg, insira os dados do falecido para saber se havia apólices vigentes.
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Solicitação de pensão no INSS
O benefício pode ser requerido de forma online no Meu INSS, sem necessidade de ir presencialmente a uma agência, desde que os documentos estejam corretos.
Documentos necessários para o resgate

Os documentos básicos que geralmente são solicitados incluem:
- Certidão de óbito;
- Documentos pessoais do falecido (CPF, RG);
- Documentos do solicitante (CPF, RG);
- Comprovante de vínculo (certidão de casamento, nascimento ou escritura pública de união estável);
- Procuração ou alvará judicial (quando necessário).
Em alguns casos, principalmente para saldos em bancos ou previdências privadas, pode ser exigida a certidão de inventariante ou decisão judicial que autorize o saque.
Obstáculos mais comuns e como superá-los
A principal dificuldade enfrentada pelas famílias é a falta de informações organizadas sobre a vida financeira do falecido. Para contornar isso:
- Reúna todos os documentos encontrados;
- Consulte extratos bancários e declarações de Imposto de Renda antigas;
- Converse com colegas de trabalho, amigos e familiares próximos que possam saber sobre apólices ou investimentos;
- Utilize ferramentas oficiais, como os sites do Banco Central, INSS e CNseg.
Outro entrave é o prazo para solicitar determinados benefícios. Em alguns casos, como o seguro de vida, o pagamento pode prescrever após cinco anos. Já para o FGTS e PIS/Pasep, os valores permanecem disponíveis por tempo indeterminado, mas a burocracia pode aumentar com o passar dos anos.
Organização é a chave
Especialistas recomendam que, ainda em vida, as pessoas deixem uma lista organizada de contas, contratos e benefícios para facilitar a vida dos herdeiros. O planejamento sucessório não é um tabu, mas uma forma de proteger o patrimônio e evitar que recursos importantes se percam.
Como lembra Carolina Aparicio:
“Dinheiro esquecido é patrimônio que poderia estar ajudando a família. Informação e organização são essenciais para evitar que esses valores se percam no tempo.”
Imagem: kenchiro168 / Shutterstock.com

