O comunicado oficial de que o Banco de Brasília (BRB) aprovou, por unanimidade, a compra de 58% do capital total do Banco Master no último dia 28 de março gerou grande repercussão no mercado financeiro e além dele. O movimento chama atenção tanto por envolver cifras relevantes quanto pelo potencial impacto sobre os produtos financeiros em circulação, especialmente os atrelados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Investidores em alerta: veja como a aquisição do Banco Master pelo BRB afeta seus rendimentos
A compra do Banco Master pelo BRB gera dúvidas no mercado. Saiba o que muda para investidores e como ficam os produtos com cobertura do FGC.
A transação ainda está sujeita à análise do Banco Central (BC), que pode levar até 360 dias para dar sua decisão, além da obrigatória aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Ao mesmo tempo, o BRB segue com a diligência dos ativos do Banco Master, processo essencial para definir quais elementos integrarão, de fato, a aquisição.
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BRB e Banco Master: encontros no Banco Central

Reuniões recentes realizadas no Banco Central, que incluíram representantes tanto do BRB quanto do Banco Master, mostram que as tratativas estão avançando. Ainda não há uma definição final, mas o mercado acompanha com atenção os passos de ambos os bancos.
E os investidores? Como ficam os produtos financeiros?
Uma das principais dúvidas dos investidores é como a compra do Banco Master pelo BRB afetará a cobertura do FGC sobre produtos financeiros já adquiridos, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs).
O que garante o FGC?
O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada sem fins lucrativos, criada para proteger investidores em casos de quebra de instituições financeiras. Ele cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira em produtos como:
- CDBs
- LCIs
- LCAs
- RDBs (Recibo de Depósito Bancário)
- Letras Hipotecárias (LHs)
- Letras de Crédito de Desenvolvimento (LCDs)
Essa proteção é vital para a segurança do investidor de varejo.
FGC continua valendo após a fusão?
Sim, mas com ressalvas. Segundo comunicado do próprio FGC, os títulos emitidos até a data da publicação da aprovação da operação no Diário Oficial da União continuarão tendo cobertura até o vencimento. Já no caso de depósitos em conta corrente, poupança, conta-salário ou pensão, a cobertura é mantida apenas por 60 dias após a aprovação oficial.
Haverá prejuízo aos investidores?
Para Guilherme Bier Barcelos, sócio do RMM Advogados, não. Segundo ele, o objetivo do BRB ao adquirir ativos do Banco Master é justamente garantir liquidez e evitar o acionamento do FGC.
“Como o Master emitia CDBs com remuneração maior, atraiu muitos recursos. Para evitar uma crise de liquidez, resolveu negociar ativos com o BRB, que passaria a assumir responsabilidade proporcional”, explica Barcelos.
Quais ativos entrarão no acordo?
A negociação prevê a compra de 58% do capital total do Banco Master e 49% das ações com direito a voto. Mas nem todos os ativos da instituição serão absorvidos.
Dos cerca de R$ 63 bilhões em ativos totais, apenas R$ 30 bilhões devem fazer parte do acordo. O restante — incluindo o Banco Master de Investimentos e o Banco Voiter (antigo Indusval) — poderá ser desmembrado ou vendido separadamente.
Por que o BRB quer comprar o Banco Master?

Estratégia de crescimento e aumento da rentabilidade
O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que a operação visa ampliar a rentabilidade do banco distrital. Além disso, espera-se uma queda no custo de captação para o Master sob nova gestão, o que pode torná-lo mais competitivo.
O Banco Master, embora tenha registrado lucro de R$ 1 bilhão em 2024 — o dobro de 2023 —, tem dificuldades para manter sua operação bancária tradicional lucrativa. A venda de ativos é uma forma de oxigenar o caixa e evitar riscos sistêmicos.
O foco: crédito com garantias e perfil previsível
O BRB está de olho em operações com crédito consignado, crédito empresarial com garantias sólidas e contratos em moeda estrangeira. São setores com menor inadimplência e maior previsibilidade, o que se alinha à estratégia do banco.
CDBs do Banco Master: o atrativo dos altos rendimentos
Entre janeiro e março de 2025, os CDBs do Banco Master chamaram atenção no mercado, prometendo rentabilidade de até 120% do CDI — bem acima do praticado por grandes bancos, que oferecem, em média, 100% do CDI.
Esses títulos, com prazos curtos e alta rentabilidade, se tornaram atrativos para investidores que buscam rendimento elevado com prazos mais reduzidos. No entanto, essa estratégia também aumenta o risco de liquidez da instituição emissora.
Comparativo de rentabilidade: CDBs mais rentáveis do período
Abaixo, alguns exemplos dos títulos emitidos:
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- CDBs com rendimento de IPCA + 9,43% com vencimento em até 12 meses
- Títulos atrelados ao DI com até 1,84% de adicional
- Produtos do Banco Master prometendo até 120% do CDI
Esse cenário de alta atratividade é um dos elementos que acendeu o alerta do mercado quanto à sustentabilidade da operação do Master, principalmente se a captação de recursos superasse sua capacidade de pagamento.
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Avaliar o prazo e emissor
Quem já possui CDBs ou outros produtos do Banco Master deve verificar:
- A data de vencimento
- O tipo de produto (CDB, LCI, LCA, etc.)
- Se o valor está dentro do limite de R$ 250 mil por CPF
Se o investimento foi feito antes da aprovação formal do negócio pelo BC, a cobertura do FGC continua válida até o vencimento, sem alterações.
Diversificar é sempre a melhor estratégia
A operação entre BRB e Banco Master evidencia, mais uma vez, a importância da diversificação. Concentrar grandes valores em um único emissor — mesmo com promessas de alta rentabilidade — pode representar um risco elevado.
Além disso, é essencial acompanhar o noticiário financeiro e, se necessário, buscar apoio de um assessor de investimentos.
O futuro do Master e o papel do BRB
A compra do Banco Master pode marcar uma guinada estratégica no setor bancário brasileiro, com o BRB se consolidando como um banco de médio porte mais competitivo e preparado para novos desafios. No entanto, a operação ainda depende de diversos trâmites regulatórios e da evolução das negociações com o Banco Central e o Cade.
Aos investidores, resta acompanhar de perto os desdobramentos e tomar decisões informadas, com base no perfil de risco e nos objetivos de cada aplicação.
Conclusão
A compra do Banco Master pelo BRB representa um movimento estratégico importante no setor bancário, com impactos que vão além das instituições envolvidas. Para os investidores, especialmente os que aplicaram em CDBs do Banco Master, é essencial acompanhar de perto a aprovação da operação e manter atenção às regras do FGC. Apesar das incertezas, a operação pode trazer mais solidez ao mercado, desde que conduzida com transparência e responsabilidade.
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