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Brasil busca desenvolver rede de comunicação quântica para proteção de dados

Comunicação quântica ganha força no Brasil com projeto da Anatel e IME para reforçar segurança digital e proteção de dados.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
Brasil busca desenvolver rede de comunicação quântica para proteção de dados

O Brasil começou a estruturar uma nova etapa no desenvolvimento de tecnologias estratégicas voltadas à proteção de dados e à defesa digital. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Instituto Militar de Engenharia (IME) anunciaram uma parceria para criar a chamada Rede Quandanga, iniciativa que busca desenvolver pesquisas e aplicações em comunicação quântica no país.

O projeto representa um movimento importante diante do crescimento das ameaças cibernéticas globais e da necessidade de proteger infraestruturas críticas, como redes de energia, sistemas bancários, telecomunicações e serviços públicos digitais.

A primeira reunião oficial para discutir a implementação da rede ocorreu em maio e reuniu representantes técnicos e estratégicos das duas instituições. O objetivo central foi alinhar a construção de uma infraestrutura experimental permanente dedicada a testes avançados de segurança digital.

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O que é a Rede Quandanga

comunicão quântica
Imagem: Freepik

A Rede Quandanga será uma plataforma experimental voltada ao estudo e desenvolvimento de tecnologias de comunicação quântica. A estrutura física deverá funcionar em Brasília, permitindo pesquisas contínuas em métodos modernos de criptografia e transmissão segura de dados.

Entre as tecnologias estudadas estão:

Distribuição quântica de chaves (QKD)

A QKD, sigla para Quantum Key Distribution, é considerada uma das tecnologias mais promissoras da segurança digital moderna. Ela utiliza princípios da física quântica para criar chaves criptográficas praticamente impossíveis de serem interceptadas sem que a tentativa seja detectada.

Na prática, isso significa que qualquer invasão durante a transmissão gera alterações perceptíveis no sistema, aumentando significativamente o nível de proteção das informações.

Especialistas apontam que essa tecnologia poderá ser essencial para governos, bancos, forças armadas e empresas que lidam com dados extremamente sensíveis.

Criptografia pós-quântica (PQC)

Outro foco do projeto é a chamada criptografia pós-quântica. O conceito ganhou relevância nos últimos anos devido ao avanço dos computadores quânticos, que futuramente poderão quebrar sistemas tradicionais de criptografia usados atualmente na internet.

A PQC busca criar algoritmos resistentes a esse novo cenário tecnológico. Diversos países já aceleram pesquisas nessa área para evitar vulnerabilidades futuras em sistemas financeiros, militares e governamentais.

Brasil ainda está atrás de potências tecnológicas

Em comunicado oficial, a Anatel reconheceu que o Brasil ainda ocupa uma posição limitada no desenvolvimento de tecnologias quânticas quando comparado a países como Estados Unidos, China e membros da União Europeia.

Essas nações já investem bilhões de dólares em programas de computação quântica, comunicação segura e proteção de infraestrutura crítica.

Nos últimos anos, governos estrangeiros passaram a tratar a tecnologia quântica como uma questão estratégica de soberania nacional. Isso ocorre porque o domínio dessas ferramentas pode influenciar desde a segurança militar até a competitividade econômica.

Nesse contexto, a parceria entre Anatel e IME surge como uma tentativa de acelerar o desenvolvimento tecnológico brasileiro e reduzir a dependência de soluções estrangeiras.

Como a rede brasileira deve funcionar

O sistema experimental utilizará principalmente conexões por fibra óptica de longa distância para transmissão segura de dados. Além disso, os pesquisadores também pretendem testar a tecnologia conhecida como FSO (Free Space Optics).

O que é comunicação óptica em espaço livre

A FSO permite transmitir dados utilizando feixes de luz pelo ar, sem necessidade de cabos físicos. A tecnologia funciona de forma semelhante às fibras ópticas, mas usando o espaço aberto como meio de comunicação.

Esse modelo pode ser útil em locais onde a instalação de infraestrutura tradicional é mais difícil ou cara.

Entre as possíveis aplicações estão:

  • comunicação militar;
  • transmissão segura em áreas remotas;
  • integração entre prédios governamentais;
  • redes de emergência;
  • sistemas críticos de defesa.

A expectativa é que o Brasil utilize a combinação entre fibras ópticas e comunicação óptica sem fio para criar uma infraestrutura mais resiliente contra ataques digitais e falhas operacionais.

IME já realizou testes com fibra óptica

O Instituto Militar de Engenharia já possui experiência prática no setor. Segundo informações divulgadas pelas instituições, o IME montou um laboratório experimental com cerca de 40 quilômetros de fibra óptica.

Os pesquisadores conseguiram transmitir mensagens criptografadas usando chaves quânticas, demonstrando que o país já possui capacidade técnica inicial para avançar no segmento.

Embora os testes ainda estejam em fase experimental, eles representam um passo importante para a criação de uma rede nacional mais sofisticada no futuro.

Projeto também quer fortalecer indústria nacional

Além da segurança digital, a iniciativa possui impacto econômico e industrial. O projeto prevê integração com encriptadores desenvolvidos no Brasil, estimulando empresas nacionais de tecnologia e telecomunicações.

Essa estratégia pode trazer benefícios importantes:

Desenvolvimento de mão de obra especializada

A comunicação quântica exige profissionais altamente qualificados em áreas como:

  • física;
  • engenharia;
  • telecomunicações;
  • cibersegurança;
  • ciência da computação.

Com isso, universidades e centros de pesquisa brasileiros poderão ampliar programas de formação voltados ao setor.

Redução da dependência tecnológica externa

Hoje, grande parte dos equipamentos avançados de segurança digital utilizados no Brasil depende de fabricantes estrangeiros.

O fortalecimento da indústria nacional pode reduzir riscos estratégicos, aumentar a autonomia tecnológica e estimular novos investimentos em inovação.

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Crescimento das ameaças cibernéticas acelera corrida tecnológica

O avanço do crime digital tem pressionado governos e empresas a modernizar sistemas de segurança. Nos últimos anos, ataques virtuais afetaram hospitais, bancos, órgãos públicos e grandes companhias em diversos países.

No Brasil, os riscos também cresceram. Vazamentos de dados, golpes digitais e invasões a sistemas públicos passaram a ocorrer com maior frequência.

A tendência é que o cenário fique ainda mais complexo com o avanço da inteligência artificial e da computação quântica.

Especialistas alertam que tecnologias atuais de criptografia poderão se tornar vulneráveis nas próximas décadas, principalmente diante da capacidade de processamento que computadores quânticos prometem atingir.

Por isso, diversos países iniciaram uma corrida global para desenvolver sistemas de proteção mais avançados antes que as ameaças se tornem realidade em larga escala.

Anatel destaca relevância estratégica da parceria

Segundo a Anatel, a parceria com o IME também fortalece a atuação brasileira em debates internacionais sobre padronização tecnológica.

A agência destacou que o projeto possui relação direta com:

  • segurança de redes;
  • proteção de infraestruturas críticas;
  • inovação regulatória;
  • cooperação internacional;
  • participação em organismos globais de telecomunicações.

O objetivo é posicionar o Brasil de forma mais competitiva em discussões estratégicas ligadas ao futuro das comunicações digitais.

GPS quântico também entra no radar tecnológico

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Além da comunicação quântica, outra tecnologia começa a chamar atenção de pesquisadores e governos: o chamado GPS quântico.

Diferentemente do sistema tradicional, que depende de satélites, o GPS quântico promete oferecer navegação extremamente precisa utilizando sensores avançados baseados em propriedades da física quântica.

A tecnologia pode funcionar mesmo em ambientes onde sinais de satélite enfrentam interferências ou bloqueios.

Entre as aplicações previstas estão:

  • aviação;
  • operações militares;
  • transporte marítimo;
  • veículos autônomos;
  • exploração subterrânea;
  • missões espaciais.

Embora ainda esteja em desenvolvimento em vários países, especialistas acreditam que o GPS quântico poderá revolucionar os sistemas de navegação nas próximas décadas.

Comunicação quântica deve ganhar espaço nos próximos anos

A criação da Rede Quandanga marca o início de uma nova fase para o setor tecnológico brasileiro. Ainda que o projeto esteja em estágio inicial, ele demonstra que o país busca acompanhar mudanças consideradas estratégicas para a economia digital e a segurança nacional.

O avanço da computação quântica deverá transformar áreas como internet, bancos, telecomunicações, defesa e inteligência artificial. Nesse cenário, investir em proteção de dados deixou de ser apenas uma questão tecnológica e passou a ser também um tema de soberania.

A expectativa é que novos investimentos, parcerias acadêmicas e iniciativas governamentais ampliem a participação brasileira nesse mercado ao longo dos próximos anos.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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