O cenário do mercado de trabalho para graduados em ensino superior no Brasil tem se tornado cada vez mais preocupante. Um recente estudo realizado pelo Instituto Semesp apontou que os formados em determinadas áreas enfrentam taxas alarmantes de desemprego e dificuldades em se inserir no mercado.
Confira quais são os cursos com mais formados sem emprego ou trabalhando fora de sua área
Estudo revela quais cursos têm a maior taxa de formados sem emprego. Descubra os números alarmantes e o cenário do mercado de trabalho para graduados
A pesquisa foi conduzida entre 9 de agosto e 1 de setembro de 2024, e entrevistou 5.681 graduados do ensino superior. A maior parte dos respondentes (75,7%) se formou nos últimos cinco anos, com predominância de alunos da rede privada (96,4%) e do ensino presencial (88%).
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Desemprego entre Graduados
Os resultados do estudo revelam que 12,7% dos formados estão sem ocupação. Em contrapartida, 87,3% dos graduados estão empregados, principalmente sob o regime CLT ou PJ. A pesquisa destacou os cursos com as maiores taxas de formados sem emprego, conforme tabela abaixo:
| Curso | Taxa de Emprego (%) |
| História | 31,6 |
| Relações Internacionais | 29,4 |
| Serviço Social | 28,6 |
| Radiologia | 27,8 |
| Enfermagem | 24,5 |
| Química | 22,2 |
| Nutrição | 22,0 |
| Logística | 18,9 |
| Agronomia | 18,2 |
| Estética e Cosmética | 17,5 |
Análise dos Resultados
Os dados indicam que o curso de História apresenta a maior taxa de desemprego entre os formados, com quase um em cada três graduados sem trabalho. A lista continua com Relações Internacionais e Serviço Social, áreas que também têm mostrado dificuldades significativas para inserir seus egressos no mercado de trabalho.

Egressos Trabalhando Fora da Área de Formação
A pesquisa também investigou quantos graduados estão empregados em áreas diferentes daquelas em que se formaram. Aproximadamente 25,9% dos formados atuam em setores distintos de sua formação, o que indica uma desconexão entre a educação recebida e as oportunidades disponíveis.
Cursos com Alta Proporção de Egressos Fora da Área
Os cursos com mais formados atuando fora da sua área de formação incluem:
| Curso | Proporção (%) |
| Engenharia Química | 55,2 |
| Relações Internacionais | 52,9 |
| Radiologia | 44,4 |
| Engenharia de Produção | 42,4 |
| Processos Gerenciais | 41,2 |
| Gestão de Pessoas/RH | 40,5 |
| Jornalismo | 40,4 |
| Biologia | 40,0 |
| Química | 38,9 |
| História | 36,8 |
Reflexões sobre a Realidade do Mercado
A situação dos engenheiros químicos é alarmante, com mais da metade dos formados atuando em áreas que não exigem suas habilidades específicas. O mesmo padrão se observa em Relações Internacionais, que, apesar de ser uma área tradicionalmente valorizada, enfrenta um mercado de trabalho saturado.
Egressos em Atividades sem Exigência de Curso Superior
Outro dado preocupante da pesquisa foi a identificação de formados que exercem funções que não exigem diploma universitário. Aproximadamente 4,7% dos entrevistados estão nessa situação, e o curso de Processos Gerenciais apresentou a maior proporção, como mostrado na tabela a seguir:
| Curso | Proporção (%) |
| Processos Gerenciais | 17,6 |
| Serviço Social | 16,7 |
| Gestão Comercial | 12,9 |
| Engenharia Mecânica | 11,9 |
| Logística | 11,3 |
| História | 10,5 |
| Design | 10,0 |
| Engenharia Elétrica | 9,7 |
| Moda | 8,3 |
| Economia | 8,0 |
Consequências da Formação em Áreas Sem Exigência
A realidade de egressos atuando em funções que não exigem formação superior levanta questões sobre a adequação dos currículos e a qualidade do ensino oferecido. É necessário refletir sobre a formação acadêmica e sua relevância para o mercado de trabalho atual.
Profissionais que Atuaram na Área de Formação
Apesar das dificuldades enfrentadas, uma parte considerável dos graduados consegue atuar em sua área de formação. Entre os que estão empregados, 69,3% estão exercendo atividades relacionadas ao que estudaram.
Os cursos da área da saúde se destacam nesse aspecto, com médicos, farmacêuticos e dentistas apresentando taxas elevadas de atuação no campo profissional correspondente à sua formação.
Ranking dos Cursos com Maior Proporção de Egressos na Área
| Curso | Proporção (%) |
| Medicina | 92,0 |
| Farmácia | 80,4 |
| Odontologia | 78,8 |
| Gestão da Tecnologia da Informação | 78,4 |
| Ciência da Computação | 76,7 |
| Medicina Veterinária | 76,6 |
| Design | 75,0 |
| Relações Públicas | 75,0 |
| Arquitetura e Urbanismo | 74,6 |
| Publicidade e Propaganda | 73,5 |
O Impacto da Formação na Carreira
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Os dados mostram que as profissões ligadas à saúde apresentam uma inserção mais direta no mercado, evidenciando a importância da formação técnica e prática durante a graduação. Essa realidade sugere que cursos que oferecem experiências práticas, como estágios e laboratórios, podem aumentar as chances de sucesso na inserção profissional.
Salários e Oportunidades
A pesquisa também coletou informações sobre a remuneração dos formados. A média salarial varia significativamente de acordo com a área de atuação e a relação com a formação.
Comparativo Salarial
| Categoria | Salário Médio (R$) |
| Atuando na área de formação | 4.494 |
| Atuando fora da área | 3.523 |
| Atividades que não exigem diploma | 2.712 |
| Presencial | 4.204 |
| Ensino a Distância | 3.422 |
| Com pós-graduação | 5.924 |
| Apenas ensino superior | 4.113 |
Análise dos Dados Salariais
Os dados mostram que os formados que atuam na sua área de formação tendem a ter salários significativamente mais altos do que aqueles que trabalham fora do seu campo de estudo. Além disso, a média salarial de quem possui pós-graduação supera a de quem possui apenas o ensino superior, indicando a importância de investimentos em educação continuada.

Considerações Finais
O estudo do Instituto Semesp revela um panorama preocupante para muitos graduados em áreas como História, Relações Internacionais e Serviço Social, que enfrentam altas taxas de desemprego e dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
Em contraste, os profissionais da saúde têm mostrado um desempenho mais positivo, com alta taxa de atuação em suas áreas de formação.
É fundamental que instituições de ensino e formuladores de políticas públicas considerem esses dados ao planejar estratégias de melhoria no ensino e na formação profissional, buscando alinhar a oferta educacional às necessidades do mercado.
Imagem: Pedro Ignacio/Shutterstock.com
