O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central passou a considerar, em suas discussões, os possíveis efeitos do novo modelo de crédito consignado voltado a trabalhadores com carteira assinada.
Consignado CLT entra na pauta do Copom, mas efeitos seguem indefinidos
Copom avalia crédito consignado CLT, mas impacto na economia ainda é incerto. Saiba mais sobre o assunto.
Apesar da importância da medida para ampliar o acesso ao crédito, o colegiado destaca que os impactos econômicos da iniciativa ainda permanecem incertos, principalmente no que diz respeito à sua influência sobre o mercado financeiro e as decisões de política monetária.
Com um mês de operação, o programa já movimenta bilhões, mas os reflexos de longo prazo ainda são acompanhados com cautela.
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Análise do Copom: dúvidas sobre os impactos do consignado CLT

Durante a reunião do Copom realizada nos dias 6 e 7 de maio, os membros do comitê dedicaram atenção à expansão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado. A ata do encontro revela que a medida foi observada como uma possível mudança estrutural no mercado de crédito brasileiro, mas ainda há muitas incertezas sobre o seu real alcance.
“Ainda há muita incerteza sobre qual será o efeito total do programa, que ainda se encontra em período inicial, então o comitê acompanhará os dados atentamente para refinar os impactos estimados sobre o mercado de crédito e sobre a atividade”, destacou o colegiado.
O Copom decidiu, na mesma reunião, elevar a taxa básica de juros (Selic) para 14,75% ao ano, retornando ao nível vigente entre julho e agosto de 2006. O comitê deixou claro que irá incorporar os possíveis efeitos do consignado CLT nas análises futuras sobre a política monetária.
Medida estrutural e não cíclica, segundo o Banco Central
Na avaliação do Copom, a iniciativa de permitir consignados para celetistas não deve ser entendida como uma medida emergencial ou de curto prazo. Trata-se, segundo os membros do comitê, de uma possível transformação no modo como o crédito é estruturado no Brasil.
Além disso, o Banco Central afirmou que os impactos dessa modalidade de empréstimo serão incorporados na definição do nível de restrição monetária necessária para que a inflação convirja à meta estabelecida.
Dúvidas sobre o alcance real do programa
Mesmo antes da reunião de maio, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia sinalizado a necessidade de cautela na análise dos efeitos do crédito consignado para celetistas. Em março, Galípolo afirmou que os dados ainda estavam sendo consolidados e que seria precipitado fazer qualquer previsão sobre o impacto econômico.
“Há muita dúvida sobre o quanto disso representa um fluxo novo de crédito, quanto representa uma substituição de dívida velha por dívida nova, e também como é que isso vai se desdobrar no tempo”, alertou.
Dinamismo e desaceleração no mercado de crédito
De acordo com o Copom, o mercado de crédito no Brasil vinha demonstrando forte crescimento nos últimos trimestres, impulsionado principalmente pela melhora no mercado de trabalho e pela atividade econômica. No entanto, essa trajetória positiva parece estar passando por um ponto de inflexão.
O comitê apontou que, diante das atuais condições financeiras mais apertadas e do aumento dos prêmios de risco, os bancos estão elevando as taxas de juros, adotando uma postura mais conservadora na concessão de crédito e reduzindo o volume de novas operações.
Como funciona o crédito consignado para celetistas
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Disponível desde 21 de março, o novo modelo de crédito consignado visa oferecer melhores condições de financiamento para trabalhadores com carteira assinada, inclusive rurais, domésticos e microempreendedores individuais (MEIs).
Entre os principais atrativos estão os juros mais baixos em comparação aos empréstimos convencionais e o desconto automático em folha de pagamento, o que reduz significativamente o risco de inadimplência.
Detalhes importantes:
- A margem consignável é de até 35% do salário mensal;
- É possível utilizar até 10% do saldo do FGTS como garantia adicional, além de 100% da multa rescisória em caso de demissão;
- O acesso ao crédito exige consentimento do trabalhador para o uso de dados pessoais, conforme estabelece a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD);
- Desde abril, as operações podem ser feitas diretamente pelos canais digitais dos bancos.
Primeiros resultados: bilhões movimentados em poucas semanas

Apesar de sua recente implementação, o programa já apresenta números expressivos. Segundo dados oficiais, o chamado “Crédito do Trabalhador” já concedeu R$ 10,1 bilhões em empréstimos, beneficiando quase 1,8 milhão de trabalhadores com carteira assinada.
A expectativa é que o número de beneficiários continue crescendo. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) projeta que, nos próximos quatro anos, 19 milhões de celetistas contratem esse tipo de crédito, movimentando mais de R$ 120 bilhões no período.
Com informações de: Metrópoles
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