O governo federal publicou novas regras para o crédito consignado destinado aos trabalhadores do setor privado que utilizam o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia. Entre as principais mudanças está a criação de um teto para a taxa de juros, fixada em 1,99% ao mês, além da definição de novos limites para o uso dos recursos do fundo nas operações.
Crédito do Trabalhador terá teto de juros de 1,99% no consignado com FGTS
Governo limita os juros do consignado com garantia do FGTS a 1,99% ao mês. Veja quem pode contratar, novas regras e impactos.
As medidas têm como objetivo ampliar o acesso ao crédito com condições mais favoráveis para o trabalhador. Por outro lado, bancos e especialistas do mercado financeiro avaliam que as restrições podem reduzir o interesse de algumas instituições em oferecer esse tipo de empréstimo.
Confira o que muda na prática e como as novas regras podem afetar quem pretende contratar crédito consignado utilizando o FGTS.
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O que mudou no consignado com garantia do FGTS?

As novas portarias regulamentam o uso do FGTS como garantia em operações de crédito consignado para empregados com carteira assinada.
A principal novidade é o estabelecimento de um limite máximo de 1,99% ao mês para os juros cobrados pelas instituições financeiras.
Além disso, permanece válida a regra que limita o Custo Efetivo Total (CET) da operação.
Na prática:
- juros máximos de 1,99% ao mês;
- CET limitado a até 2,99% ao mês;
- novas regras para utilização do FGTS como garantia.
O objetivo é reduzir o custo do crédito para os trabalhadores sem eliminar as garantias oferecidas aos bancos.
Como o FGTS poderá ser usado como garantia?
As novas regras autorizam o trabalhador a utilizar parte dos valores vinculados ao FGTS para reduzir o risco da operação.
Poderão ser utilizados:
- até 10% do saldo disponível no FGTS;
- 100% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa;
- até 35% das verbas rescisórias, quando houver desligamento sem justa causa.
Esses valores funcionam como garantia adicional para a instituição financeira caso ocorram situações previstas nas normas.
As regras mudam conforme a forma de contratação
As condições também variam de acordo com o canal utilizado para contratar o empréstimo.
Contratação pela Carteira de Trabalho Digital
Quem fizer a operação por meio da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) poderá contar com garantias equivalentes a até 100% do valor contratado.
Essa modalidade foi criada para ampliar a segurança das operações realizadas pela plataforma oficial do governo.
Contratação diretamente no banco
Quando o empréstimo for contratado pelos canais próprios das instituições financeiras, a cobertura das garantias será limitada a 50% do valor da operação.
Essa diferença faz parte do novo modelo regulamentado pelo governo.
O que é o Custo Efetivo Total (CET)?
Muitos trabalhadores observam apenas a taxa de juros, mas o CET é um indicador ainda mais importante.
Ele reúne todos os custos envolvidos na contratação do crédito, como:
- juros;
- tarifas;
- seguros, quando houver;
- encargos financeiros.
Pelas regras atuais, o CET não poderá ultrapassar em um ponto percentual a taxa mensal contratada.
Assim, considerando o novo limite de juros, o custo total da operação fica limitado a 2,99% ao mês.
Quem pode contratar esse tipo de crédito?
O consignado com garantia do FGTS é destinado aos trabalhadores da iniciativa privada com vínculo formal de emprego.
Em geral, podem solicitar a modalidade trabalhadores:
- com carteira assinada;
- vinculados ao regime do FGTS;
- que atendam aos critérios definidos pela instituição financeira.
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A análise de crédito continua sendo realizada pelos bancos, que podem estabelecer requisitos adicionais.
Qual é o objetivo da nova regra?
Segundo o governo, a regulamentação busca ampliar o acesso ao crédito com juros menores.
Como existe uma garantia adicional vinculada ao FGTS, a expectativa é que as instituições possam oferecer condições mais vantajosas em comparação a empréstimos pessoais tradicionais.
Outro objetivo é aumentar a concorrência entre os bancos e facilitar o acesso dos trabalhadores ao crédito formal.
Mercado financeiro faz críticas às novas regras
Apesar do benefício esperado para os consumidores, parte do sistema financeiro avalia que o teto de juros poderá reduzir a oferta desse tipo de empréstimo.
Segundo análises divulgadas por instituições financeiras, a taxa máxima de 1,99% ao mês pode não ser suficiente para compensar os custos e riscos envolvidos em determinadas operações.
Especialistas também apontam dúvidas sobre a efetividade das garantias relacionadas ao FGTS, especialmente nos casos em que a inadimplência ocorre sem que haja demissão do trabalhador.
Na avaliação de representantes do setor, bancos de médio porte e fintechs podem encontrar maior dificuldade para operar dentro do novo limite estabelecido.
O trabalhador deve contratar esse crédito?
Mesmo com juros menores, especialistas em educação financeira recomendam cautela antes da contratação.
Alguns cuidados são importantes:
- comparar ofertas entre diferentes instituições;
- verificar o Custo Efetivo Total da operação;
- avaliar se a parcela cabe no orçamento;
- utilizar o crédito para necessidades realmente importantes ou para substituir dívidas mais caras.
O empréstimo consignado costuma apresentar taxas inferiores às do crédito pessoal convencional, mas ainda representa um compromisso financeiro de longo prazo.
O que muda na prática para quem precisa de crédito?

A criação do teto de juros pode tornar o consignado com garantia do FGTS mais acessível para milhares de trabalhadores do setor privado. Ao mesmo tempo, as novas regras estabelecem limites para o uso do fundo como garantia e reforçam a necessidade de transparência no custo das operações.
Embora ainda exista debate sobre os impactos da medida para o mercado financeiro, a expectativa é que o novo modelo amplie as opções de crédito com condições mais favoráveis para quem precisa de recursos, desde que a contratação seja feita com planejamento e atenção às condições oferecidas por cada instituição financeira.
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