O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) lançou uma consulta pública para discutir a regulação das redes sociais no país.
Regulação das redes sociais: consulta pública vai até o dia 17
Consulta pública para regulação das redes sociais no Brasil vai até 17 de junho, com foco em soberania, liberdade de expressão e direitos.
Aberta até o dia 17 de junho de 2025, a iniciativa visa receber contribuições da sociedade sobre uma proposta preliminar que estabelece dez princípios orientadores para a atuação das plataformas digitais que atuam no Brasil.
A consulta é realizada na plataforma Diálogos, espaço dedicado à participação cidadã em temas relacionados à internet.
Leia mais:
Assina Netflix ou outro streaming? Dados de assinantes são vazados
Apple prepara iOS Solarium com transformação visual inédita desde 2013
Contexto da consulta pública

A crescente influência das redes sociais na vida social, política e econômica tem levantado questões sobre a necessidade de uma regulação equilibrada, que respeite direitos fundamentais e assegure a segurança nacional e a soberania do país.
O CGI.br, órgão responsável pela coordenação da internet no Brasil, entende que a participação pública é fundamental para que a regulamentação contemple diferentes visões e necessidades.
Dez princípios que norteiam a proposta
A proposta preliminar elaborada pelo Comitê Gestor da Internet apresenta os seguintes princípios:
- Soberania e segurança nacional: Garantir que as redes sociais operem respeitando a integridade e autonomia do país.
- Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos: Preservar direitos fundamentais, assegurando um ambiente livre e seguro para o usuário.
- Autodeterminação informacional: Permitir que os usuários controlem seus dados e sua presença digital.
- Integridade da informação: Combater a desinformação, notícias falsas e conteúdos nocivos.
- Inovação e desenvolvimento social: Promover a evolução tecnológica e o impacto positivo na sociedade.
- Transparência e prestação de contas: Exigir clareza nas políticas das plataformas e mecanismos de responsabilização.
- Interoperabilidade e portabilidade: Facilitar a integração entre serviços e a migração de dados dos usuários.
- Prevenção de danos e responsabilidade: Adotar medidas para evitar impactos negativos à sociedade.
- Proporcionalidade regulatória: Estabelecer regras equilibradas, sem sobrecarregar os agentes.
- Ambiente regulatório e Governança Multissetorial: Incentivar a participação diversa no desenvolvimento das normas.
Participação da sociedade civil
Em nota, Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, reforça o papel da consulta pública para o avanço da regulação:
“Nosso entendimento é que esses princípios devem equilibrar o poder das plataformas com a responsabilização por efeitos nocivos causados à sociedade, garantindo transparência, proporcionalidade, respeito à diversidade e aos direitos humanos.”
O CGI.br convida cidadãos, empresas, especialistas, ONGs e demais atores sociais a contribuírem com sugestões, críticas e complementações. O documento está aberto para comentários e pode ser acessado e debatido livremente na plataforma Diálogos, fomentando um processo democrático e transparente.
O que está em jogo: desafios das redes sociais no Brasil
Papel das redes sociais no contexto atual
As redes sociais se consolidaram como ferramentas essenciais para a comunicação, o acesso à informação, o debate público e o comércio eletrônico. Porém, o crescimento acelerado trouxe desafios como:
- Propagação de notícias falsas
- Discurso de ódio e violência online
- Violação de privacidade
- Manipulação da opinião pública
- Riscos à segurança nacional
Esses fatores colocam em debate a necessidade de mecanismos regulatórios que não cerceiem a liberdade, mas que assegurem responsabilidade e proteção.
Definição de redes sociais pela proposta
O documento do CGI.br define redes sociais como serviços digitais que possibilitam a criação, publicação, compartilhamento e circulação de conteúdos gerados pelos usuários, além da interação entre pessoas, grupos e perfis públicos.
Esses serviços são, em sua maioria, monetizados por publicidade ou serviços pagos, o que interfere diretamente na dinâmica de conteúdo e na formação de redes de influência.
Soberania digital e proteção da democracia
Um dos principais focos da regulação é a defesa da soberania nacional, que envolve a proteção contra interferências externas e o respeito às leis brasileiras.
Além disso, o documento destaca a importância da regulação para a preservação da democracia, assegurando um ambiente de informação saudável e plural.
Princípios detalhados da proposta de regulação
Soberania e segurança nacional
Este princípio destaca a necessidade de que plataformas estejam alinhadas às legislações brasileiras e atuem para evitar ameaças à segurança do país, seja por meio de conteúdos que incitam violência, interferência estrangeira ou outros riscos.
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
A proposta reforça que a regulação deve garantir o direito fundamental à liberdade de expressão, sem promover censura indevida, preservando também a privacidade dos usuários e os direitos humanos em geral.
Autodeterminação informacional
Os usuários devem ter controle sobre seus dados pessoais, com garantias de consentimento claro e possibilidade de gestão sobre as informações compartilhadas nas plataformas.
Integridade da informação
O combate à desinformação e a conteúdos que podem causar danos sociais é uma prioridade, com mecanismos para identificar, sinalizar e reduzir a propagação de informações falsas.
Inovação e desenvolvimento social
A regulação deve incentivar o avanço tecnológico e o uso positivo das redes para o desenvolvimento social, educação e inclusão digital.
Transparência e prestação de contas
As plataformas precisam ser claras sobre suas políticas, algoritmos, moderação de conteúdo e devem prestar contas à sociedade e às autoridades competentes.
Interoperabilidade e portabilidade
Garantir que os usuários possam migrar seus dados e usar diferentes serviços integrados facilita a concorrência e o controle pelo usuário.
Prevenção de danos e responsabilidade
As empresas devem agir proativamente para prevenir impactos negativos como cyberbullying, discurso de ódio e outras formas de abuso.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Proporcionalidade regulatória
A regulação deve ser equilibrada, evitando sobrecarga para os agentes e garantindo eficácia.
Ambiente regulatório e Governança Multissetorial
O processo de elaboração e implementação das regras deve envolver diversos setores da sociedade, promovendo governança inclusiva e democrática.
Como participar da consulta pública
Passo a passo para contribuições
A consulta está disponível até 17 de junho de 2025 na plataforma Diálogos, onde qualquer pessoa pode:
- Ler a proposta preliminar
- Enviar comentários, sugestões e críticas
- Dialogar com outros participantes
- Acompanhar a evolução do processo
Importância da participação cidadã
A participação ativa da sociedade é fundamental para que a regulação reflita os valores e as necessidades da população, equilibrando direitos, segurança e inovação.
Perspectivas para a regulação das redes sociais no Brasil

Caminho para legislação futura
As contribuições da consulta pública servirão como base para a formulação de uma política pública e eventuais leis que disciplinem as atividades das plataformas digitais no país.
Desafios e oportunidades
O processo deve enfrentar desafios como a rápida evolução tecnológica, interesses econômicos e políticos diversos, além da complexidade técnica do tema. Por outro lado, representa uma oportunidade para o Brasil ser referência em governança digital, proteção de direitos e fomento à inovação.
Comparação internacional
Diversos países vêm adotando regulações específicas para as redes sociais, como a Lei de Serviços Digitais da União Europeia (DSA) e iniciativas nos Estados Unidos. O Brasil busca um modelo equilibrado, com participação multissetorial e respeito à diversidade cultural.
Considerações finais
A consulta pública sobre a regulação das redes sociais promovida pelo CGI.br até 17 de junho de 2025 representa um marco no debate digital brasileiro.
A definição de princípios claros e participativos é um passo decisivo para garantir que as plataformas digitais funcionem de forma responsável, respeitando a soberania, promovendo direitos humanos e assegurando um ambiente saudável e inovador para os usuários.
A sociedade tem até o prazo final para contribuir e ajudar a construir o futuro da internet no Brasil, com transparência, diversidade e equilíbrio entre liberdade e segurança.
