Dados recentes da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) revelam que o consumo da bebida sofreu uma retração de 5,13% entre janeiro e abril de 2025. A tendência se intensificou em abril, quando a queda foi de impressionantes 16% em relação ao mesmo período de 2024.
Alta nos preços faz consumo de café despencar; entenda a situação
Consumo de café no Brasil cai 5,13% entre janeiro e abril de 2025, pressionado por inflação recorde e alta internacional da commodity. Veja mais!
Segundo a Abic, essa é a maior retração já registrada desde o início do Plano Real, em 1994. O fenômeno surpreende especialmente pelo perfil historicamente estável do consumo de café no país.
Inflação e alta internacional impulsionam a crise

Um dos principais fatores para a retração é o aumento expressivo no preço do café moído, cuja inflação acumulada chegou a 80,2% em um ano, conforme dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O gráfico a seguir demonstra a evolução dos preços:
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| Mês/ano | Variação acumulada (%) |
|---|---|
| Abr/2024 | 10,3% |
| Jul/2024 | 35,8% |
| Out/2024 | 56,7% |
| Jan/2025 | 70,5% |
| Abr/2025 | 80,2% |
Além do impacto direto no bolso do consumidor, a disparada nos preços gera mudanças nos hábitos de consumo.
O papel do Brasil no mercado global de café
O Brasil é o segundo maior consumidor mundial de café, atrás apenas dos Estados Unidos. Internamente, o varejo responde por até 78% da demanda, de acordo com a Abic.
Com isso, qualquer oscilação no consumo brasileiro tem repercussões significativas na cadeia produtiva global. A atual queda no consumo interno, portanto, preocupa exportadores, produtores e comerciantes em todo o mundo.
Impactos no setor e mudanças nos hábitos de consumo
Abic alerta para risco de mudança permanente no consumo
A Abic expressou preocupação com a possibilidade de alteração permanente nos hábitos de consumo. O receio é que, uma vez substituído o café por outras bebidas, como chás ou energéticos, o consumidor dificilmente retorne ao padrão anterior, mesmo que os preços voltem a cair.
Esse fenômeno é ainda mais grave em produtos considerados inelásticos, como o café, cuja demanda historicamente resiste a variações de preço.
Consumo doméstico e hábitos culturais
O café ocupa papel central na cultura brasileira, presente no cotidiano de milhões de pessoas. A queda abrupta no consumo sugere um abalo relevante nesse padrão cultural, motivado, sobretudo, pela pressão econômica.
Colheita abaixo do esperado e estoques em baixa
Estoques globais atingem menor nível em 25 anos
Atualmente, os estoques mundiais de café se encontram em cerca de 20,9 milhões de sacas, o menor nível registrado nas últimas 25 safras, segundo levantamento da Organização Internacional do Café (OIC).
Esse quadro se deve à combinação de safras ruins, estoques reduzidos e uma demanda global que, até recentemente, se mantinha aquecida.
Previsão negativa para a safra brasileira em 2025
A colheita brasileira de 2025 deve ficar abaixo das expectativas, conforme projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Entre os motivos estão:
- Prolongadas estiagens no final de 2024.
- Aumento de custos com insumos.
- Redução na área plantada em algumas regiões.
Embora se espere uma melhora na safra de 2026, especialistas indicam que mesmo uma colheita excepcional não será suficiente para recompor os estoques globais no curto prazo.
Pressão financeira sobre as empresas e medidas solicitadas
Dificuldade para repassar custos
As empresas do setor cafeeiro enfrentam grande dificuldade para repassar os custos elevados aos consumidores, sob o risco de reduzir ainda mais a demanda.
Essa situação pressiona os balanços financeiros de produtores, torrefadores e comerciantes, que convivem com margens cada vez mais apertadas.
Setor pede apoio ao governo via Funcafé
O objetivo é oferecer fôlego financeiro às empresas até que o mercado se estabilize.
O setor reivindica, especificamente:
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- Ampliação das linhas de crédito.
- Juros subsidiados.
- Extensão de prazos para pagamento.
O Dia Nacional do Café e as perspectivas para o setor

O Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio, será, neste ano, marcado por incertezas.
Apesar dos desafios, a Abic destaca a resiliência dos produtores e comerciantes brasileiros e afirma que o setor aguarda com expectativa medidas governamentais que possam mitigar a crise.
FAQ – Perguntas frequentes
Por que o consumo de café caiu no Brasil?
A queda se deve principalmente à inflação acumulada de mais de 80% no café moído e ao aumento dos preços internacionais da commodity.
O consumo de café pode voltar ao normal?
A Abic alerta que mudanças no hábito de consumo podem ser permanentes. Porém, caso os preços se estabilizem e o poder de compra melhore, parte da demanda pode ser recuperada.
O governo pretende ajudar o setor?
A Abic solicitou apoio governamental através do Funcafé, com ampliação de crédito e condições mais favoráveis para as empresas do setor.
A produção de café no Brasil vai melhorar?
A safra de 2025 deve ser abaixo do esperado, mas há expectativa de recuperação gradual a partir de 2026, dependendo das condições climáticas.
Considerações finais
A crise no setor cafeeiro brasileiro evidencia como fatores econômicos, climáticos e culturais se interligam em um mercado globalizado. A queda histórica no consumo serve de alerta não apenas para o setor, mas também para o governo e para o consumidor, sobre a importância de políticas que garantam estabilidade e competitividade a uma das cadeias produtivas mais tradicionais do país.
