O cenário da energia elétrica no Brasil deve passar por transformações relevantes em breve. O governo federal trabalha na elaboração de um novo projeto de lei que será apresentado ao Congresso nos próximos meses. A iniciativa inclui, entre suas principais diretrizes, a ampliação do acesso à energia para a população de baixa renda, por meio da isenção total da conta de luz dentro de determinados limites de consumo.
Quem será beneficiado pela nova medida

Atualmente, têm direito à tarifa social de energia elétrica os indígenas, quilombolas, idosos beneficiários do BPC e famílias registradas no CadÚnico cuja renda mensal por pessoa não ultrapasse meio salário mínimo. Para esses grupos, a conta de luz é reduzida de forma proporcional ao volume consumido, com descontos que variam conforme a quantidade de energia utilizada mensalmente.
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A proposta em estudo pelo governo tem como objetivo assegurar a gratuidade total da conta de luz para famílias de baixa renda cujo consumo mensal não ultrapasse oitenta quilowatts-hora. Caso implementada, essa medida ampliaria de forma expressiva o alcance da atual política de tarifa social, com potencial para atender aproximadamente sessenta milhões de brasileiros em diversas regiões do país.
O que muda com a proposta
Ampliação da faixa de isenção
A mudança mais relevante prevista na proposta é a implementação de um limite de consumo mensal de até oitenta quilowatts-hora com isenção total de cobrança para os beneficiários da tarifa social de energia elétrica. Essa quantidade de energia, segundo o Ministério de Minas e Energia, é suficiente para manter uma geladeira, um chuveiro elétrico, ferro de passar, televisão, lâmpadas e carregadores em uma residência média.
Fim dos descontos escalonados?
O governo informou que a proposta será estruturada de modo a realizar uma “justiça tarifária” sem aumentar a conta dos demais consumidores. Isso deve ser feito a partir da correção de distorções no sistema atual.
Financiamento da medida e equilíbrio tarifário
Um dos principais pontos é o custo da segurança energética, que hoje recai, em grande parte, sobre os consumidores de menor renda e os que estão no mercado regulado, enquanto os participantes do mercado livre arcam com uma parcela muito menor ou, em alguns casos, não contribuem.
Com a nova proposta, a ideia é promover uma distribuição mais equilibrada desses custos, envolvendo também empresas e consumidores do mercado livre, como os setores industrial e comercial.
Liberdade de escolha do fornecedor de energia
Mais autonomia para o consumidor residencial
Outro ponto inovador do projeto é a possibilidade de que, futuramente, consumidores residenciais possam escolher a origem da energia que consomem. Essa medida já é adotada em países europeus como Portugal e Espanha.
Com isso, o consumidor poderá optar por fontes de energia renovável, como solar ou eólica, e escolher o fornecedor com melhores preços ou condições. A contratação poderá ser feita de forma digital, incluindo o pagamento via boleto bancário, distribuidora ou plataformas online.
Impacto social e econômico da proposta

Inclusão energética e combate à pobreza
A ampliação da tarifa social e a isenção para consumo até oitenta kWh têm potencial para aliviar significativamente os gastos das famílias em situação de vulnerabilidade.
Além disso, a medida colabora para a inclusão energética, garantindo que famílias em regiões remotas ou em situação de pobreza energética tenham acesso contínuo a serviços essenciais como iluminação, refrigeração e conectividade.
Perguntas frequentes
Quem terá direito à conta de luz gratuita?
Famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), indígenas, quilombolas e idosos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), desde que o consumo mensal não ultrapasse 80 kWh.
Como será financiada a gratuidade?
A proposta prevê corrigir distorções no setor elétrico, como o custo da segurança energética, que hoje recai mais sobre os consumidores de baixa renda do que sobre o mercado livre.
Haverá impacto para os demais consumidores?
Segundo o governo, não haverá aumento significativo na conta de luz dos demais consumidores, pois os recursos virão de uma redistribuição interna do setor.
Considerações finais
A proposta de conta de luz gratuita para famílias de baixa renda marca um passo importante rumo à justiça tarifária e à universalização do acesso à energia elétrica no Brasil. Se aprovada, poderá beneficiar até 60 milhões de brasileiros, promover o uso consciente da energia e corrigir distorções históricas no financiamento da infraestrutura elétrica.
