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Contra escala 6×1, funcionários da PepsiCo fazem greve no Brasil

Funcionários das fábricas da PepsiCo em Sorocaba e Itaquera entram em greve em busca do fim da escala 6x1. Entenda os motivos, propostas da empresa e a negociação em andamento

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
PepsiCo

Na noite de domingo, 24 de novembro, os trabalhadores das fábricas da PepsiCo localizadas em Sorocaba, no interior de São Paulo, e em Itaquera, zona leste da capital paulista, iniciaram uma greve com a principal reivindicação de abolir a escala 6×1. 

A paralisação, que afeta a produção de marcas conhecidas como Pepsi, Doritos e Toddy, tem gerado impactos significativos no funcionamento da empresa e traz à tona a discussão sobre as condições de trabalho nas indústrias alimentícias.

Leia mais: Fim da 6×1: Salários em risco? A nova jornada pode reduzir seu salário!

O Que é a Escala 6×1?

A escala 6×1, modelo adotado por diversas empresas no Brasil, consiste em seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga. Esse regime é considerado por muitos trabalhadores exaustivo, uma vez que exige longas jornadas de trabalho, muitas vezes sem intervalos adequados para descanso e recuperação física. 

No caso da PepsiCo, os colaboradores alegam que essa jornada tem sido “exaustiva e sufocante”, como afirmado por José Carlos da Rocha Junior, membro da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Laticínios e Alimentação de São Paulo (Stilasp).

Escala 6x1 famosos
Imagem: jofreepik/ Freepik

A Reivindicação dos Trabalhadores

A greve foi deflagrada após intensas negociações entre os representantes da PepsiCo e o Stilasp. O sindicato dos trabalhadores explicou que o modelo de jornada vigente não atende mais às necessidades de qualidade de vida dos colaboradores. 

Segundo o dirigente sindical, as conversas sobre a mudança na escala 6×1 começaram em meados de 2024, mas as propostas de alternativas oferecidas pela empresa não foram aceitas pelos trabalhadores.

Propostas da PepsiCo e Rejeição pelos Funcionários

Em resposta às reivindicações, a PepsiCo apresentou uma nova proposta na última sexta-feira (22), que sugeria uma jornada de 12 horas de trabalho por dois sábados seguidos, para garantir uma folga no sábado seguinte, configurando assim um modelo de escala 5×2 a cada três semanas. No entanto, os trabalhadores consideraram a proposta insatisfatória e a rejeitaram.

A empresa, então, solicitou um prazo adicional de sete dias para apresentar uma nova sugestão. No entanto, a segunda proposta também foi negada, o que culminou na greve. A ata da audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-2) nesta terça-feira (26) indicou que 100% dos funcionários das fábricas em greve aderiram à paralisação.

O Que Aconteceu nas Audiências no TRT?

Na manhã de terça-feira, representantes da PepsiCo e do Stilasp se reuniram em audiência no TRT-2, em São Paulo. Durante a sessão, as partes discutiram a possibilidade de uma “cláusula de paz”, que visaria suspender a greve enquanto as negociações seguiam em andamento. 

A proposta foi discutida, mas a interrupção da paralisação só será acatada caso os funcionários aprovem em assembleia.

De acordo com o sindicato, a votação ocorrerá entre a noite de terça-feira (26) e a manhã de quarta-feira (27), nos turnos das fábricas de Itaquera. Caso a cláusula seja aceita, a PepsiCo deverá apresentar novas propostas para os trabalhadores e uma nova audiência será marcada no TRT-2, em São Paulo, para segunda-feira (2 de dezembro).

O Impacto da Greve nas Fábricas de Sorocaba e Itaquera

A PepsiCo, que emprega diretamente cerca de 12 mil trabalhadores no Brasil e possui uma rede de 44 mil empregados indiretos, não forneceu detalhes específicos sobre o número de funcionários envolvidos na greve nas fábricas de Sorocaba e Itaquera. No entanto, o sindicato afirmou que houve adesão total à greve, com todos os funcionários paralisados.

A companhia, por sua vez, alegou que parte dos trabalhadores estaria sendo impedida de retornar ao trabalho, o que foi negado pelo sindicato. Apesar da divergência de informações, a empresa reforçou sua disposição para manter o diálogo e encontrar uma solução para a situação.

A Posição da PepsiCo

Em uma nota oficial, a PepsiCo afirmou que a escala 6×1 está de acordo com a legislação trabalhista vigente e que a empresa tem cumprido com todas as obrigações legais relativas à jornada de trabalho. 

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A companhia também expressou sua disposição para continuar o diálogo com seus colaboradores e representantes sindicais, buscando soluções que atendam tanto às necessidades da empresa quanto às dos trabalhadores.

“A PepsiCo permanece aberta ao diálogo com seus colaboradores e representantes sindicais em busca de soluções equilibradas para todas as partes, reafirmando o seu cuidado e compromisso com as pessoas com base em relações éticas e responsáveis que sempre orientam as suas decisões”, destacou a empresa.

A Importância das Relações Trabalhistas na Indústria

A greve na PepsiCo evidencia uma questão que afeta diversas indústrias no Brasil: as condições de trabalho, especialmente em empresas de grande porte que exigem jornadas extensas. 

A discussão sobre jornadas mais humanas e equilibradas para os trabalhadores tem ganhado força nos últimos anos, com sindicatos e movimentos trabalhistas cobrando mais respeito às necessidades de descanso e qualidade de vida dos empregados.

Apesar da resistência da PepsiCo, a negociação tem se mantido aberta, e a empresa afirmou que está buscando alternativas para resolver o impasse. A solução dessa questão pode servir como um precedente importante para outras indústrias que adotam modelos de jornada de trabalho semelhantes.

Escala 6x1
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

O Futuro das Negociações

As negociações continuam em andamento, e a expectativa é que as partes cheguem a um acordo que beneficie tanto os trabalhadores quanto a empresa. O próximo capítulo dessa negociação será decidido nas assembleias que ocorrerão nas fábricas de Itaquera, com os funcionários decidindo se aceitam ou não a proposta de suspensão da greve.

Além disso, a audiência agendada para o dia 2 de dezembro no TRT-2 pode definir os próximos passos, caso a greve continue. Em Sorocaba, a audiência no TRT-15 está marcada para o dia 27 de novembro, onde também serão discutidos os avanços nas negociações.

Imagem: Jonathan Weiss/ shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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