A nova ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (11), trouxe sinais poderosos para o mercado financeiro, reforçando a decisão recente de manter a taxa Selic em 15% ao ano. O documento consolida o discurso apresentado após a reunião: a inflação segue desacelerando, a atividade econômica demonstra perda gradual de ritmo e o nível atual de juros é considerado suficiente para manter o processo de desinflação.
Economistas divergem após Ata do Copom, mas parte ainda prevê corte de juros em janeiro
Ata do Copom reforça Selic em 15% e sinaliza possibilidade de cortes em 2026, com foco na inflação e na atividade econômica em desaceleração.
Mas a grande incógnita agora passa a ser quando virão os primeiros cortes da Selic, e é justamente nesse ponto que economistas divergem. Enquanto parte do mercado aposta em flexibilização já no início de 2026, outros acreditam que o Banco Central ainda quer observar mais sinais antes de iniciar a redução dos juros.
A palavra-chave do momento é previsão. A ata aponta que o Copom está mais confiante de que a taxa atual é capaz de ancorar as expectativas de inflação, mas deixa evidente que, no curto prazo, descarta qualquer sinal de redução.
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O que mudou na comunicação do Copom
Nos últimos meses, o Copom vinha adotando um tom mais duro ao falar da Selic, reforçando os riscos inflacionários. Mas nesta ata, o discurso mudou. O Banco Central reconheceu uma desaceleração mais clara da economia, inclusive em setores sensíveis ao crédito.
Destaques da ata
- Selic mantida em 15% por período prolongado
- Inflação em desaceleração, com projeções estáveis para 2026
- Inclusão do impacto da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda nas projeções
- Redução dos riscos de alta na inflação futura
- Possibilidade de corte da Selic em 2026
Análise do mercado financeiro
Logo após a divulgação da ata, casas de análise, bancos e corretoras divulgaram avaliações sobre os próximos passos do Banco Central. O que se observa é um mercado dividido entre cortes já em janeiro e cortes somente em março de 2026.
XP Investimentos: cortes graduais a partir de março de 2026
Para Rodolfo Margato, economista da XP, o Copom está preparando o terreno para uma política monetária menos restritiva em 2026. A projeção da instituição prevê cortes de 0,50 ponto percentual por reunião, totalizando seis reduções consecutivas.
Em outras palavras: Selic encerraria 2026 em 12% ao ano.
Por que essa projeção?
O economista destaca que o Copom reconheceu oficialmente o impacto da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Essa inclusão reforça a visão de que o Banco Central está calculando com mais precisão os estímulos econômicos, reduzindo o risco de surpresas inflacionárias.
Impacto no IPCA e no hiato do produto (H4)
- A previsão de inflação para 2026 continua em 3,6%
- O hiato do produto foi ajustado, sugerindo maior crescimento sem gerar inflação
- A XP esperava que a projeção caísse para 3,5%, o que não ocorreu
Itaú: possibilidade de corte já em janeiro
A equipe de Pesquisa Macroeconômica do Itaú Unibanco, liderada por Mario Mesquita, vê na ata sinais mais diretos de que o ciclo de cortes pode começar em janeiro.
“Para que isso ocorra, no entanto, serão necessários ajustes adicionais na comunicação de dezembro.”
Segundo o banco, se o Copom suavizar o trecho referente à possibilidade de voltar a subir juros, o corte em janeiro ganha força.
Galapagos Capital: expectativa de Selic em 10,5% no fim de 2026
Para Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital, a ata confirmou o tom menos duro da comunicação do Copom. Ela observa que já existem elementos suficientes para sinalizar redução dos juros em breve, mas alterou sua projeção de início dos cortes: antes, estimava dezembro; agora, projeta janeiro.
“O Copom sinaliza convicção de que a taxa atual é suficiente para trazer a inflação ao centro da meta.”
Inter: corte de 0,25 ponto já em janeiro
André Valério, do Banco Inter, destacou que o efeito do aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda foi considerado pequeno e não desestabilizou o cenário de inflação.
Segundo ele, há condições técnicas para um primeiro corte já em janeiro, caso os dados de inflação continuem em desaceleração.
RB Investimentos: mudança de postura abre espaço para flexibilização
Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o trecho da ata que ilustra maior convicção de que a Selic já é suficiente para controlar a inflação indica a abertura de espaço para cortes.
“Esse trecho sugere, ainda que de forma indireta, a possibilidade de corte mais à frente.”
Kinea: só vê corte em março
Mais conservadora, a economista Daniela Lima, da Kinea, acredita que o cenário ainda exige cautela e que será necessário mais tempo para confirmar o início da flexibilização monetária.
“Para cortar em janeiro, seria necessário um conjunto muito grande de fatores.”
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O que está por trás da decisão do Copom?
Para entender o posicionamento do Copom, é preciso observar os três pilares que orientam as decisões:
1. Inflação em queda, porém ainda pressionada
O comportamento da inflação é decisivo para a Selic. O Copom quer evitar que um corte prematuro reaqueça a economia e gere novas pressões inflacionárias.
2. Atividade econômica perde força
Indicadores recentes mostram:
- Queda no consumo em setores sensíveis ao crédito
- Resiliência em setores ligados à renda e emprego
- Redução gradual na oferta de crédito
A desaceleração ajuda a reduzir inflação.
3. Expectativas futuras mais ancoradas
Ao incorporar o impacto do Imposto de Renda, o Copom sinaliza que está ajustando projeções de forma transparente, o que ajuda a ancorar as expectativas do mercado.
Cenário para 2026
Com desaceleração da inflação e economia mais fraca, o Copom abre caminho para juros menores.
| Cenário | Possível início dos cortes | Selic final |
|---|---|---|
| Itaú | Janeiro | 11% |
| Inter | Janeiro | 11% |
| XP | Março | 12% |
| Galapagos | Janeiro | 10,5% |
| Kinea | Março | Não definido |
Conclusão
A ata do Copom trouxe um recado claro: a Selic continuará em 15% por mais algum tempo, mas a flexibilização já está no radar e 2026 deve marcar o início de um ciclo de cortes.
A economia brasileira ainda enfrenta desafios, porém o Banco Central demonstra mais conforto com as expectativas de inflação. Resta ao mercado acompanhar os próximos dados e, principalmente, a comunicação de dezembro, que pode definir se o corte começa em janeiro ou março.
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