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Juros param em 15%, mas Copom já avisa que pode subir de novo!

Copom interrompe ciclo de alta e mantém Selic em 15%, mas avisa que pode subir juros novamente se inflação não ceder.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Crédito do Trabalhador copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, interrompendo uma sequência de sete aumentos consecutivos. Apesar da pausa, o comitê deixou claro que novas elevações não estão descartadas caso a inflação insista em não convergir para a meta estipulada pela autoridade monetária.

Em ata divulgada nesta terça-feira (5/8), após reunião realizada nos dias 29 e 30 de julho, o Copom afirmou que a decisão de manter a taxa foi “compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta”, mas destacou que “seguirá vigilante”.

“Não hesitaremos em retomar o ciclo de ajuste caso julguemos apropriado”, diz trecho da ata oficial.

Leia mais: Selic em 15%: Copom pode subir juros novamente

Juros a 15%: patamar mais alto desde 2006

Juros longos com viés de alta; investidores aguardam ações para frear tarifaço
Imagem: Reprodução/Shutterstock

Com a decisão, a Selic permanece no maior nível em quase duas décadas. A última vez em que a taxa básica de juros esteve nesse patamar foi em julho de 2006, no final do primeiro mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A taxa foi elevada rapidamente desde setembro de 2024, quando o atual ciclo de aperto monetário teve início, numa tentativa de conter o avanço da inflação e corrigir expectativas desancoradas do mercado.

“O ciclo de altas foi rápido e firme, e agora é hora de observar os efeitos acumulados do aperto já realizado”, destacou o comitê.

Cautela e vigilância no radar do Banco Central

Na ata da última reunião, o Copom afirmou que o atual cenário de “elevada incerteza” demanda cautela na condução da política monetária. A continuidade da pausa nas elevações dependerá da confirmação de sinais de desaceleração da atividade econômica e da inflação convergindo de fato à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

“Em se confirmando o cenário esperado, o Comitê antecipa uma continuação na interrupção no ciclo de alta de juros”, diz outro trecho da ata.

O Banco Central quer analisar com mais clareza os efeitos defasados das altas anteriores, avaliando se o patamar atual já é suficiente para conter a inflação de maneira duradoura.

Selic em níveis contracionistas

A diretoria do BC também sinalizou que, mesmo com a pausa, a política monetária segue em um patamar significativamente contracionista — ou seja, com juros suficientemente altos para frear a economia e desestimular o consumo e os investimentos.

“Deve permanecer nesse patamar por período bastante prolongado”, reforça o documento.

A avaliação reflete o entendimento de que, para domar as expectativas inflacionárias, manter a Selic elevada por mais tempo é mais eficiente do que realizar novas altas pontuais.

O que é a Selic e por que ela importa?

A Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é a taxa básica de juros da economia brasileira e o principal instrumento de controle da inflação. Decisões sobre sua elevação ou redução são tomadas pelo Copom com base no comportamento dos preços, expectativas do mercado e projeções macroeconômicas.

Quando o BC aumenta os juros, o crédito fica mais caro, o consumo e os investimentos tendem a diminuir e, com isso, os preços dos bens e serviços recuam. Por outro lado, juros elevados também travam o crescimento econômico, encarecem o financiamento de empresas e impactam diretamente a vida do consumidor.

Mercado não espera juros abaixo de dois dígitos em breve

Projeções recentes do mercado financeiro apontam que a taxa Selic dificilmente voltará a ficar abaixo dos 10% ao ano durante o mandato atual do presidente Lula e de Gabriel Galípolo, que assumiu a presidência do Banco Central.

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Analistas argumentam que o cenário fiscal, as incertezas globais e o histórico inflacionário recente tornam difícil a retomada de uma política monetária mais branda no curto e médio prazo.

Calendário das próximas decisões do Copom

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Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

O mercado já está de olho nas próximas reuniões do Copom. O calendário oficial para 2025 e 2026 prevê encontros bimestrais para avaliação da Selic. Veja as datas:

Reuniões em 2025:

  • 28 e 29 de janeiro
  • 18 e 19 de março
  • 6 e 7 de maio
  • 17 e 18 de junho
  • 29 e 30 de julho
  • 16 e 17 de setembro
  • 4 e 5 de novembro
  • 9 e 10 de dezembro

Reuniões em 2026:

  • 27 e 28 de janeiro
  • 17 e 18 de março
  • 28 e 29 de abril
  • 16 e 17 de junho
  • 4 e 5 de agosto
  • 15 e 16 de setembro
  • 3 e 4 de novembro
  • 8 e 9 de dezembro

A manutenção da Selic em 15% não significa o fim do aperto monetário, mas sim uma pausa estratégica para que o Banco Central avalie o impacto das medidas já adotadas. A mensagem do Copom é clara: se a inflação não ceder como esperado, os juros podem subir novamente.

Essa postura mantém o mercado em alerta, reforçando a necessidade de prudência por parte de investidores, empresários e consumidores diante de um cenário ainda volátil e cheio de incertezas.

Com informações de: Metrópoles

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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