O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), divulgou nesta quarta-feira (11) suas perspectivas para a taxa Selic em 2025.
Copom deve ter mais dois ‘ajustes da mesma magnitude’, com Selic chegando a 14,25%
Comunicado do Copom indica mais dois aumentos de 1 ponto percentual na Selic, podendo alcançar 14,25% ao ano em 2025.
O órgão prevê dois novos ajustes de 1 ponto percentual cada nas próximas reuniões, levando a Selic dos atuais 12,25% para 14,25% ao ano. A decisão está diretamente atrelada ao compromisso de controlar a inflação e à avaliação do cenário econômico.
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Inflação e expectativas econômicas

Copom destaca alta nas expectativas de inflação
No comunicado, o Copom alertou para o aumento significativo das projeções inflacionárias. De acordo com a pesquisa Focus, a inflação esperada para 2024 subiu para 4,8%, enquanto a de 2025 alcançou 4,6%. Essas estimativas indicam um desvio em relação à meta de 3,0%, estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Além disso, o Copom revisou sua projeção de inflação para o segundo trimestre de 2026, que agora está em 4,0%, acima dos 3,6% estimados em novembro.
Impacto da questão fiscal
Outro ponto crucial foi o impacto fiscal no cenário econômico. O comitê mencionou que o recente pacote de cortes de gastos do governo gerou incertezas nos mercados financeiros.
O comunicado destacou que “a percepção dos agentes econômicos sobre o recente anúncio fiscal afetou, de forma relevante, os preços de ativos, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio”.
Essa conjuntura contribui para um aumento no prêmio de risco e uma dinâmica inflacionária mais adversa.
Riscos para o cenário inflacionário
Fatores internos e externos
O Copom também enumerou os riscos de alta para a inflação. Entre os fatores internos, destacam-se:
- Desancoragem das expectativas de inflação por períodos prolongados.
- Maior resiliência na inflação de serviços, reflexo de um hiato do produto mais positivo.
Externamente, o comitê apontou a possibilidade de uma taxa de câmbio depreciada, agravando o cenário inflacionário.
O que é o hiato do produto?
O hiato do produto é a diferença entre o Produto Interno Bruto (PIB) efetivo e o PIB potencial de um país. Quando o hiato é positivo, o crescimento econômico está acima do potencial, gerando pressões inflacionárias. Se for negativo, a economia está abaixo de sua capacidade, aliviando as pressões sobre os preços.
O caminho para 2025
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Ajuste monetário contínuo
O Banco Central reforçou que o ritmo dos ajustes na Selic será guiado pela evolução da inflação e outros indicadores econômicos, como o hiato do produto e as expectativas de mercado. A meta é ancorar a inflação dentro do teto estipulado pelo CMN.
Caso os aumentos previstos se concretizem, a taxa Selic alcançará 14,25% ao ano, marcando um dos níveis mais altos dos últimos anos.
Impactos no mercado
Com o aperto monetário, espera-se um aumento no custo de crédito para empresas e consumidores. Por outro lado, investimentos em renda fixa tendem a se tornar mais atrativos, gerando impactos significativos na economia doméstica.
Perspectivas para 2025
A elevação da Selic reflete o compromisso do Banco Central em conter a inflação e manter a estabilidade econômica. No entanto, a trajetória dependerá de fatores como a condução da política fiscal e a dinâmica da economia global.
Com a alta da Selic, os próximos meses serão decisivos para avaliar os impactos dessa política no crescimento econômico e na renda dos brasileiros.
Imagem: Rafastockbr / Shutterstock
