Nesta quarta-feira (30), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para deliberar sobre a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. De acordo com projeções do banco norte-americano JP Morgan, a expectativa é de que o comitê mantenha a Selic estável em 15% ao ano, encerrando — pelo menos temporariamente — o ciclo de elevações iniciado para controlar a inflação.
Copom deve manter Selic em 15% e indicar mudança no ciclo de juros, diz JP Morgan
Copom deve manter Selic em 15% e sinalizar fim do ciclo de aperto monetário, segundo JP Morgan.
A decisão, segundo analistas da instituição financeira, não deve causar surpresa no mercado, que já precificou a estabilidade como o cenário mais provável. “Uma decisão diferente de manter as taxas inalteradas seria inesperada”, afirmam os economistas Cassiana Fernandez, Mirella Sampaio e Vinicius Moreira, autores do relatório.
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Banco Central deve reforçar sinal de juros elevados por mais tempo

Desde a última reunião do Copom, em junho, a autoridade monetária brasileira tem indicado que a taxa Selic deverá permanecer em patamar elevado por um período prolongado. Essa postura, segundo o JP Morgan, deve ser reafirmada na comunicação oficial da reunião de julho, mantendo o tom conservador que vem caracterizando a política monetária recente.
“O Banco Central provavelmente enfatizará sua vigilância e perseverança na manutenção de taxas elevadas até que o processo de desinflação esteja firmemente estabelecido”, explicam os economistas. Essa abordagem tem como objetivo consolidar a trajetória de queda da inflação, que ainda se mostra resistente em alguns setores da economia.
Impactos internacionais: tarifas de Trump devem ser mencionadas
Apesar do foco na política monetária doméstica, a nova rodada de tarifas comerciais anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump contra produtos brasileiros pode entrar no radar do Banco Central. A instituição pode, segundo o JP Morgan, citar o aumento das incertezas globais como fator de risco para o desempenho econômico nacional.
Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre alguns produtos importados do Brasil, o que pode impactar as exportações e afetar a atividade econômica. No entanto, os analistas acreditam que, neste momento, o Copom deve se limitar a reconhecer o risco, sem integrá-lo diretamente em sua tomada de decisão.
Pressões inflacionárias recuam, mas mercado de trabalho ainda preocupa
O cenário macroeconômico, de maneira geral, tem caminhado na direção desejada pelo Banco Central, segundo o relatório. O Produto Interno Bruto (PIB) mostra sinais de desaceleração, o hiato do produto está se reduzindo, e os índices de inflação têm recuado gradualmente.
Entretanto, nem todos os indicadores são tranquilizadores. O mercado de trabalho continua aquecido, o que pode manter a pressão sobre os salários e, por consequência, sobre os preços. Além disso, as expectativas de inflação de médio prazo seguem desancoradas, ou seja, afastadas da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Copom deve manter postura cautelosa nas próximas reuniões
Com base nas atuais condições econômicas, o JP Morgan projeta que o Copom manterá a Selic em 15% ao ano por pelo menos mais três reuniões, o que indica estabilidade da taxa básica até novembro de 2025. A justificativa é de que o Banco Central necessita de tempo para avaliar o impacto completo das medidas já implementadas no consumo, crédito e atividade econômica.
A instituição destaca que a autoridade monetária prefere garantir que o processo de desinflação esteja consolidado antes de iniciar qualquer movimento de afrouxamento.
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Início da queda dos juros pode ocorrer em dezembro

Caso o cenário continue a evoluir conforme o esperado, o JP Morgan acredita que o Banco Central dará início ao ciclo de cortes na Selic a partir de dezembro. A primeira redução prevista seria de 0,25 ponto percentual, seguida por cortes sucessivos de 0,50 p.p. ao longo de 2026.
A projeção é de que a Selic atinja 10,75% ao final de 2026 — um patamar considerado mais neutro e compatível com o crescimento econômico sustentável, sem abrir mão do controle da inflação.
Consumo, crédito e câmbio respondem ao aperto monetário
A elevação da taxa de juros, que teve início em 2021, teve como principal objetivo frear a inflação que ultrapassava o teto da meta. O aperto monetário já começa a surtir efeito, especialmente nos setores ligados ao consumo financiado, no crédito e no câmbio.
A desaceleração da economia, embora represente um desafio de curto prazo, é vista como um movimento necessário para corrigir os desequilíbrios e permitir a retomada do crescimento em bases mais sustentáveis. Os analistas do JP Morgan afirmam que os efeitos dessas medidas ainda estão se materializando e exigem paciência e consistência da política econômica.
Com informações de: Money Times
