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Risco para trabalhadores: Entenda como a correção do FGTS pode resultar em custos à União

Entenda como trabalhadores que buscaram correção do FGTS na Justiça podem arcar com custos de honorários advocatícios em caso de derrota.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana4 min de leitura
FGTS

Com o recente julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), trabalhadores que acionaram a Justiça para revisar os valores do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) poderão ser responsáveis pelo pagamento de honorários advocatícios caso não obtenham sucesso na ação. Essa decisão envolve processos em que os solicitantes não possuem a gratuidade de Justiça, o que traz incertezas sobre o impacto financeiro potencial para trabalhadores que buscam a correção.

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O que está em jogo na correção do FGTS?

O cerne da questão gira em torno da forma de correção aplicada ao saldo do FGTS. Desde 1999, os valores do fundo têm sido corrigidos pela Taxa Referencial (TR), cuja baixa rentabilidade resultou em uma significativa perda de poder de compra para os trabalhadores. Diversas ações judiciais foram movidas para buscar a substituição da TR por índices mais vantajosos, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acompanham melhor a inflação.

A decisão do STF, no entanto, não só afetou as chances de sucesso dessas ações como também trouxe um novo risco para os trabalhadores que buscam a correção: a possibilidade de serem responsabilizados pelos custos com honorários.

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Imagem: Sidney de Almeida / Shutterstock.com

O valor dos honorários: Quanto pode custar aos trabalhadores?

A decisão determina que, se o trabalhador perder a causa, ele pode ser obrigado a pagar até 10% do valor da ação em honorários advocatícios. Esse custo adicional pode representar um obstáculo significativo, especialmente para aqueles que enfrentam dificuldades financeiras. Estima-se que os valores das ações coletivas possam alcançar bilhões de reais, o que torna o risco de responsabilidade pelos honorários ainda mais relevante.

Para muitos, esse percentual significa uma despesa inesperada e, em alguns casos, inviável, o que pode desestimular novas ações e trazer apreensão aos que já estão com processos em andamento.

A importância da gratuidade judicial

Para quem tem direito à gratuidade judicial, a situação é diferente: esses trabalhadores estão isentos dos custos de honorários em caso de derrota. No entanto, para aqueles que não possuem essa isenção, a decisão do STF exige uma reflexão sobre os riscos e benefícios de entrar com uma ação visando a correção do FGTS.

A gratuidade judicial é concedida com base em critérios financeiros, e trabalhadores com renda um pouco mais alta podem se ver obrigados a arcar com os honorários, mesmo que suas condições financeiras não sejam favoráveis para cobrir esses custos.

Ações coletivas e impacto bilionário

As ações pela correção do FGTS têm um impacto potencial expressivo. Segundo estimativas, se as ações pela correção fossem aceitas, o governo brasileiro poderia ser obrigado a desembolsar cerca de R$ 2,5 bilhões em reajustes. Esse valor seria distribuído entre milhares de trabalhadores prejudicados ao longo dos anos pela baixa correção da TR.

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A decisão do STF, entretanto, altera o cenário, colocando um freio na quantidade de novas ações que poderiam surgir e alertando sobre o risco financeiro para os trabalhadores que buscam esse ressarcimento.

O que isso significa para os trabalhadores e para o FGTS?

A decisão de responsabilizar os trabalhadores pelos honorários em caso de perda do processo pode desestimular muitas pessoas de buscar judicialmente o reajuste. Para especialistas, o julgamento do STF destaca a necessidade de transparência e cautela por parte dos trabalhadores antes de iniciarem esse tipo de ação.

Enquanto isso, debates sobre a política de correção do FGTS continuam. Muitos defendem a revisão da metodologia de correção do fundo como uma forma de justiça financeira para os trabalhadores. Por outro lado, o governo argumenta que uma mudança nesse sentido traria impacto significativo às contas públicas.

Próximos passos para quem considera a ação

Para os trabalhadores que cogitam abrir uma ação para correção do FGTS, é essencial entender os riscos, sobretudo se não possuem direito à gratuidade judicial. A consulta a um advogado especializado pode ajudar a calcular o potencial impacto e avaliar se o processo é vantajoso, considerando o novo cenário de responsabilidade por honorários.

Essa mudança pode afetar a forma como os trabalhadores veem o FGTS, tradicionalmente considerado um recurso garantido e estável, mas que agora está no centro de uma complexa disputa judicial.

Jessica Cassana

Autor

Jessica Cassana

Jéssica Cassana é especialista em benefícios sociais e atua como redatora no portal Seu Crédito Digital. Com linguagem acessível e conteúdo direto ao ponto, compartilha orientações práticas sobre o Bolsa Família, CadÚnico, CRAS, Caixa Tem e demais programas do governo. Sua missão é ajudar os leitores a entender e acessar seus direitos com mais autonomia, segurança e clareza.

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