Os Correios estão avaliando a adoção de um novo modelo de entregas baseado em rotas, inspirado no sistema utilizado por grandes plataformas de e-commerce e aplicativos de entrega. A iniciativa tem como objetivo otimizar os custos logísticos e melhorar a eficiência operacional da estatal, que enfrenta uma das maiores crises financeiras de sua história.
Entre janeiro e junho deste ano, o prejuízo acumulado ultrapassou R$ 4 bilhões, segundo dados divulgados pela própria empresa. No mesmo período do ano anterior, o déficit havia sido de R$ 1,3 bilhão.
Novo modelo de entregas

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A proposta de entregas por rotas foi inspirada em modelos logísticos adotados por empresas privadas, como Amazon, Mercado Livre e Shopee. Nesses sistemas, o processo de entrega é organizado por trajetos otimizados, definidos por regiões e volume de demanda, o que reduz custos com combustível, tempo de deslocamento e manutenção da frota.
O estudo interno dos Correios concluiu que a entrega por rotas permitiria uma melhor gestão dos recursos humanos e logísticos, sem a necessidade de corte de pessoal. O foco é reorganizar a força de trabalho para melhorar a produtividade e reduzir o desperdício de recursos.
Estrutura atual de entregas
Hoje, as entregas da estatal são processadas em centros de distribuição espalhados pelo país. As encomendas passam por triagem e são agrupadas de acordo com os destinos e o tipo de serviço contratado, como SEDEX ou PAC. Após essa etapa, os volumes são encaminhados para diferentes regiões e distribuídos conforme a disponibilidade de veículos e funcionários.
Esse formato, embora tradicional, tem se mostrado caro e ineficiente diante da concorrência cada vez mais tecnológica do setor privado. A adoção do modelo por rotas busca modernizar o processo, tornando-o mais semelhante ao das plataformas que operam com alta integração de dados e inteligência logística.
Situação financeira da estatal
O cenário financeiro dos Correios é um dos principais motivadores da reestruturação. A empresa, controlada pelo governo federal, busca um empréstimo de R$ 20 bilhões para equilibrar o caixa e manter a continuidade das operações.
Esse montante seria destinado a cobrir o déficit operacional e permitir investimentos em tecnologia e infraestrutura. A negociação do crédito foi revelada pela imprensa nacional e confirmada pela estatal, que prepara uma coletiva de imprensa com o presidente Emmanoel Schmidt Rondon para detalhar a primeira fase do plano de recuperação.
Causas do prejuízo
O aumento das despesas operacionais, a defasagem tecnológica e a perda de participação no mercado de entregas expressas estão entre as principais causas do resultado negativo. O avanço de empresas privadas no setor de logística e o crescimento do e-commerce durante a pandemia expuseram as limitações do modelo de gestão dos Correios, que ainda opera com estruturas herdadas de décadas anteriores.
Reestruturação e novas práticas de gestão
Além do sistema de entregas por rotas, a empresa apresentou propostas que fazem parte de um plano mais amplo de reestruturação. Entre elas, está o novo Sistema de Distritamento e Dimensionamento (SDD), criado para realocar recursos humanos e materiais conforme as demandas de cada unidade.
O objetivo é equilibrar o número de funcionários e veículos nas regiões onde há maior volume de entregas, evitando sobrecarga em determinadas áreas e ociosidade em outras.
Escala 12×36 em unidades operacionais
Outra mudança em estudo é a implementação da escala de trabalho 12×36 em setores de entrega e triagem. O formato permite jornadas de 12 horas de trabalho seguidas por 36 horas de descanso, com possibilidade de ajustes conforme a demanda operacional.
Impactos esperados
O modelo de entregas por rotas tende a trazer ganhos de produtividade e redução de custos operacionais. Ao otimizar trajetos e reorganizar equipes, os Correios esperam economizar com combustível, manutenção e tempo de deslocamento, além de oferecer entregas mais rápidas.
Especialistas do setor logístico apontam que o sucesso dessa mudança dependerá da capacidade de investimento em tecnologia e integração de dados. É essencial que a estatal adote sistemas de roteirização e monitoramento em tempo real, semelhantes aos utilizados por empresas privadas.
Próximos passos do plano

O presidente dos Correios deve apresentar, ainda neste mês, a primeira fase do plano de reestruturação. A expectativa é que o novo modelo de entregas seja testado em algumas cidades antes de ser implementado em todo o país.
A adoção gradual permitirá avaliar os resultados práticos da mudança e ajustar eventuais falhas no processo. Se bem-sucedida, a nova estratégia poderá ser um marco na modernização da estatal, aproximando-a dos padrões tecnológicos das grandes empresas de logística.
FAQ – Perguntas frequentes
1. O que significa entrega por rotas nos Correios?
É um modelo de organização logística em que os trajetos de entrega são planejados por regiões e volume de demanda, buscando otimizar tempo e reduzir custos operacionais.
2. Esse novo sistema vai reduzir o número de funcionários?
Segundo os Correios, não há previsão de demissões. A proposta visa apenas reorganizar as equipes e melhorar a eficiência das operações.
3. Quando o novo modelo começa a funcionar?
A primeira fase do plano será apresentada em breve e deve ser testada em algumas regiões antes da aplicação nacional.
4. Por que os Correios precisam de um empréstimo de R$ 20 bilhões?
O valor é necessário para equilibrar as finanças da empresa e viabilizar investimentos em modernização e tecnologia.
5. A escala 12×36 será obrigatória?
Não. O formato ainda está em fase de estudo e será aplicado apenas em setores onde for viável e houver acordo coletivo.
Considerações finais
Com prejuízo acumulado superior a R$ 4 bilhões no primeiro semestre de 2025, os Correios buscam alternativas para conter custos e retomar a competitividade. O novo modelo de entregas por rotas, inspirado nos aplicativos de delivery e empresas de e-commerce, representa um passo importante rumo à modernização da estatal. A estratégia, somada ao plano de reestruturação e à busca por crédito bilionário, pode definir o futuro da empresa no mercado de logística brasileiro.
