Os Correios anunciaram na segunda-feira, 29, um amplo plano de reestruturação financeira e operacional que será executado em três etapas distintas de curto, médio e longo prazo. A estratégia foi apresentada pelo presidente da estatal, Emmanoel Schmidt Rondon, poucos dias após a empresa obter um empréstimo de R$ 12 bilhões destinado ao processo de reorganização. Entre as possibilidades estudadas está, inclusive, uma mudança na base societária da companhia, hoje 100% estatal.
Cortes nos Correios: unidades fecham e funcionários podem aderir à demissão voluntária
Correios anunciam plano de reestruturação em três etapas, com empréstimo de R$ 12 bilhões e estudo sobre capital misto.
O plano surge em meio a uma das fases mais delicadas da história da maior empresa de logística do país, marcada por prejuízos bilionários, queda de receitas e aumento contínuo das despesas operacionais. Segundo a direção dos Correios, a proposta tem como objetivo central recuperar a capacidade financeira da empresa, modernizar processos e garantir sustentabilidade no longo prazo.
Leia mais:
Crise nos Correios leva governo a revisar regras das estatais
Plano de reestruturação dos Correios será dividido em três fases
De acordo com Emmanoel Schmidt Rondon, o plano foi estruturado para atacar problemas imediatos e, ao mesmo tempo, preparar a estatal para um novo modelo de atuação no mercado logístico brasileiro.
Recuperação de liquidez no curto prazo
A primeira etapa do plano foca na recuperação do caixa da empresa. Os recursos obtidos por meio do empréstimo de R$ 12 bilhões serão utilizados para o cumprimento de compromissos financeiros imediatos e para a retomada da qualidade operacional.
Uso dos recursos para estabilizar a operação
Segundo a direção dos Correios, o objetivo inicial é evitar descontinuidade de serviços, regularizar pagamentos e garantir condições mínimas para o funcionamento da rede logística em todo o país. A recuperação da liquidez é vista como essencial para dar sustentação às fases seguintes do plano.
Reorganização e modernização no médio prazo
A segunda etapa, prevista para entrar em vigor a partir de janeiro de 2026, envolve um conjunto de medidas estruturais voltadas ao aumento da eficiência e da produtividade.
Metas de produtividade e ajustes internos
Entre as ações previstas estão o estabelecimento de metas de produtividade, a criação de programas de demissão voluntária, a revisão dos planos de previdência e o fechamento de unidades deficitárias. Segundo a empresa, essas decisões respeitarão o plano de universalização do serviço postal, garantindo a presença dos Correios em regiões estratégicas.
Venda de imóveis e modernização logística
O plano também prevê a venda de imóveis considerados não estratégicos e investimentos em modernização tecnológica, especialmente na área logística. A expectativa é reduzir custos operacionais e melhorar a competitividade da estatal frente ao avanço de empresas privadas no setor.
Modernização do modelo de negócio no longo prazo
A terceira etapa do plano de reestruturação trata da modernização esquemática do negócio e envolve a contratação de uma consultoria externa especializada.
Avaliação de novas possibilidades societárias
Essa consultoria terá a missão de analisar alternativas de rearranjo societário, incluindo a possibilidade de transformar os Correios em uma empresa de capital misto, com participação pública e privada, nos moldes de companhias como a Petrobras.
Governança e acompanhamento das mudanças
O plano de reestruturação contará com uma estrutura de governança própria já estabelecida. As áreas executivas responsáveis pelas mudanças deverão apresentar relatórios mensais que serão avaliados pelo Conselho de Administração dos Correios.
Fiscalização por órgãos do governo
Além do conselho interno, o acompanhamento também será feito pelo CGPAR, a Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União, e pelo Ministério das Comunicações. O objetivo é garantir transparência e controle sobre a execução das medidas.
Debate sobre mudança societária dos Correios
Ao comentar a possibilidade de mudança na base societária, Emmanoel Schmidt Rondon afirmou que a transformação em sociedade de capital misto é apenas uma entre várias alternativas em estudo.
Parcerias sem privatização
Segundo o presidente da estatal, existem exemplos de modelos que não envolvem diretamente a criação de uma sociedade de economia mista, mas sim parcerias específicas em áreas estratégicas, como negócios financeiros e seguridade.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Alinhamento com discurso do governo federal
A fala de Rondon está alinhada ao posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já se manifestou publicamente contra a privatização dos Correios. Lula defende a construção de parcerias com empresas privadas, inclusive estrangeiras, sem abrir mão do controle estatal.
Entenda a crise financeira dos Correios
A situação financeira dos Correios é considerada crítica. Entre janeiro e setembro deste ano, a estatal acumulou prejuízo de R$ 6,05 bilhões. Desde 2022, os déficits recorrentes já ultrapassam R$ 10 bilhões.
Queda de receitas e aumento de despesas
A combinação de redução nas receitas, especialmente com encomendas internacionais, e o crescimento das despesas operacionais agravou o desequilíbrio financeiro da empresa. Esse cenário levou à saída de Fabiano Silva da presidência em julho, após meses de pressão interna e externa.
Impacto da taxação de compras internacionais
Em sua defesa, Fabiano Silva atribuiu parte do desempenho negativo à taxação de compras internacionais, conhecida como “taxa das blusinhas”. Segundo ele, a medida reduziu drasticamente o volume de pacotes vindos do exterior, uma das principais fontes de receita dos Correios nos últimos anos.
Nova gestão aposta em perfil financeiro
Desde setembro, os Correios estão sob a liderança de Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil e com perfil voltado ao setor financeiro.
Foco em eficiência e saneamento contábil
A escolha de Rondon sinaliza uma tentativa do governo de priorizar o saneamento das contas e a eficiência administrativa da estatal. A expectativa é que novas fontes de receita sejam exploradas e que a empresa consiga evitar o aprofundamento da crise até o fechamento do balanço anual.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
Imagem: Marcelo Camargo/ABR
